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31.10.2016 | Opinião

O Bêbado e a Equilibrista

Manifestação pela anistia ampla, geral e irrestrita

Caía a tarde feito um viaduto, e um bêbado trajando luto, me lembrou Carlitos...

Talvez alguns não lembrem ou não conheçam esses versos imortalizados na canção “O Bêbado e a Equilibrista” de João Bosco e Aldir Blanc, mas o pessoal mais antigo como eu, não esquece a emoção de nossa Pimentinha Elis Regina, ao cantar esse hino à anistia em nosso país.

A música foi composta pela famosa dupla Aldir Blanc e João Bosco e lançada no LP "Linha de Passe", em 1979.

Mas foi na voz der Elis Regina, que a música ficou conhecidíssima, principalmente após a apresentação do clip no Programa Fantástico da Rede Globo.

Mas vamos em frente...

A luta pela anistia política em nosso país começou timidamente em 1968 por meio dos estudantes, jornalistas e políticos. Com o passar dos anos, foi somando adesões em toda a sociedade brasileira que passou a clamar pela liberdade e a volta daqueles que abandonaram nosso país por motivos políticos.

O Brasil clamava pela anistia com os versos da dupla Aldir Blanc e João Bosco:

Que sonha com a volta do irmão do Henfil
Com tanta gente que partiu
Num rabo de foguete
Chora
A nossa Pátria mãe gentil
Choram Marias e Clarisses
No solo do Brasil

Por todo o país e até mesmo no exterior grupos se organizaram formados por filhos, mães, esposas e amigos de presos e exilados políticos.

O objetivo maior era a defesa de uma anistia ampla, geral e irrestrita a todos os brasileiros exilados no período mais duro da repressão política imposta durante o regime militar pós 1964.

Com o fim do Ato Institucional nº 5 (AI-5), que deixou de vigorar em janeiro de 1979, estava aberto o caminho para que se aprovasse uma lei que trouxesse a anistia aos presos, exilados e processados pelos chamados crimes por motivação política.

A pressão popular fez com que o governo encaminhasse em julho de 1979, um projeto de lei ao Congresso Nacional, que previa o perdão aos crimes políticos. A proposta do governo, que excluía os condenados por terrorismo e favorecia aos militares e às autoridades responsáveis pelos atos de tortura, já tinha sido rejeitada antes, pela oposição do Movimento Democrático Brasileiro (MDB), que exigia uma anistia ampla, geral e irrestrita.

Mesmo sob protestos e limitada diante do que ansiava a sociedade brasileira, por 206 votos contra 201, foi aprovada a Lei 6.683, sancionada no dia 28 de agosto de 1979, pelo último presidente da ditadura militar, João Batista de Oliveira Figueiredo.


O último presidente do regime militar pós 1964, General João Batista de Oliveira Figueiredo.

A Lei da Anistia beneficiou 4.650 pessoas, permitindo que retornassem ao país, entre esses os ex-governadores Leonel Brizola e Miguel Arraes.

O dia 1º de novembro de 1979 marca a volta dos primeiros brasileiros exilados no exterior pela Ditadura Militar. Até esta data, quase 800 parlamentares tiveram seus mandatos cassados e 15 mil brasileiros foram exilados ou expulsos do País.


Leonel Brizola quando de seu retorno ao Brasil.

A volta era apoteótica, em clima de festa, com ampla cobertura da imprensa. Era a maior vitória contra o governo repressivo instalado em nosso país em 1964.


Fernando Gabeira quando de seu retorno ao Brasil no final de 1979.

Hoje tudo isso faz parte de nossa história e, que não podemos esquecer.

Vale lembrar e procurar entender as metáforas e o simbolismo que Aldir Blanc e João Bosco nos apresentaram em sua famosa canção.

O Bêbado e A Equilibrista
(Aldir Blanc e João Bosco)

Caía a tarde feito um viaduto
E um bêbado trajando luto
Me lembrou Carlitos

A lua tal qual a dona do bordel
Pedia a cada estrela fria
Um brilho de aluguel

E nuvens lá no mata-borrão do céu
Chupavam manchas torturadas
Que sufoco!
Louco!
O bêbado com chapéu-coco
Fazia irreverências mil
Pra noite do Brasil
Meu Brasil!

Que sonha com a volta do irmão do Henfil
Com tanta gente que partiu
Num rabo de foguete
Chora
A nossa Pátria mãe gentil
Choram Marias e Clarisses
No solo do Brasil

Mas sei que uma dor assim pungente
Não há de ser inutilmente
A esperança
Dança na corda bamba de sombrinha
E em cada passo dessa linha
Pode se machucar

Azar!
A esperança equilibrista
Sabe que o show de todo artista
Tem que continuar


Tags: Tortura, ditadura, anistia, Leonel Brizola, João Figueiredo, Fernando Gabeira, Miguel Arraes, anistiados






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