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09.01.2017 | Opinião

Je suis Charlie – Eu sou Charlie

Je suis Charlie – Eu Sou Charlie

Eu sempre soube que uma das profissões de maior risco no planeta é a de jornalista. Lembro-me de como admirava os correspondentes de guerra que nos mandavam notícias diretamente dos fronts de batalha.

Mas o risco dos profissionais da informação era grande só para aqueles que se aventuravam na busca de informação nos diversos fronts de batalha em todo o mundo.

Pois tudo mudou com o passar do tempo, hoje ser jornalista, trabalhar ou colaborar com algum veículo de comunicação virou uma profissão de alto risco.

No final do ano passado (2016), a ONG Repórteres Sem Fronteiras (RSF) publicou o balanço anual com os números da violência contra jornalistas. Ao menos 74 jornalistas, profissionais ou não, foram mortos no último ano em relação direta com sua atividade profissional. Alguns morreram enquanto realizavam reportagens. Mas na maioria dos casos, esses jornalistas foram deliberadamente assassinados como forma de represália ao trabalho que vinham desenvolvendo.

Em 2016, em aproximadamente 75% dos casos, os jornalistas foram deliberadamente tomados por alvo e assassinados por motivos diretamente relacionados com sua atividade profissional - como foi o caso do Afeganistão, com 10 repórteres assassinados no ano. Sete deles morreram durante um ataque suicida, reivindicado pelo Talibã, contra o ônibus do canal de televisão privado Tolo, em janeiro. No Iêmen, jornalistas também foram perseguidos e abatidos. A RSF denuncia a impunidade em que permanecem esses crimes e seus autores, que beneficiam em muitos casos da cumplicidade dos governos, frequentemente tentados eles também a esmagar a liberdade de imprensa.

Ao todo, existem 348 jornalistas presos no mundo, o que representa um aumento de 6% em relação a 2015. O número de jornalistas profissionais presos deu um salto de 22%, tendo quadruplicado na Turquia após a tentativa de golpe em julho de 2016. Atualmente, são mais de 100 jornalistas e colaboradores de meios de comunicação que se encontram atrás das grades no país. A RSF pôde confirmar uma relação direta entre essas detenções e a atividade profissional desses comunicadores em pelo menos 41 dos casos.

Além da Turquia, a China, o Irã e o Egito, concentram juntos mais de dois terços dos jornalistas presos.

52 jornalistas estão atualmente nas mãos de sequestradores. Em 2016, todos estes se encontram em países em conflito no Oriente Médio. Sem surpresa, a Síria e o Iraque fazem parte dos países mais perigosos para a profissão, com o grupo Estado Islâmico detendo sozinho 21 comunicadores como reféns.

Aproveito aqui para lembrar o que aconteceu na manhã da quarta-feira 7 de janeiro de 2015 em Paris, na França.

Foi muito mais do que um “simples” ataque terrorista. Foi um ato contra a liberdade de expressão, um ataque contra todos nós que de alguma maneira pensamos diferente de outras pessoas.

Em pleno século XXI ainda assistimos atos de barbárie que tanto condenamos no passado da humanidade.

Continuo chocado com o que aconteceu na redação do jornal satírico francês Charlie Hebdo, quando dois homens encapuzados assassinaram 12 pessoas, incluindo dois policiais. Um dos policiais, um muçulmano, foi executado barbaramente por esses dois facínoras.

Na época, veículos de comunicação em todo o planeta demonstram seu repúdio a essa selvageria e, em especial na França, lançaram uma “campanha”, se podemos chamar assim, intitulada “Je Suis Charlie”, em português “Eu sou Charlie”.

A violência perdeu todo tipo de controle. Todos os dias somos “brindados” com mais e mais selvageria sem precedentes. Em nome de DEUS, ou seja lá quem for, fundamentalistas de todas as matizes, matam pessoas inocentes, sem o menor sentido.

Tudo isso é triste, muito triste.

Esse ano de 2017 não me parece que vai ser diferente de anos passados. Precinto que mais e mais rancor, ressentimento e ódio, vão se propagar entre os povos que habitam nosso pequeno planeta azul.

Mas um amigo meu me chamou a atenção de que o terrorismo não é privilégio dos países do primeiro mundo ou de países em guerra, como ocorre na África ou no Oriente Médio.

O que nossos governantes e legisladores aqui no PATROPI, ainda teimam em chamar de “Crime Organizado”, o que na realidade, são organizações terroristas que se apossaram de diversos territórios abandonados pelos nossos governantes.

E esses territórios não estão só localizados nas favelas do Rio de Janeiro. Em Porto Alegre e na região metropolitana, existem várias regiões onde o Estado está ausente, onde o terror e a violência estão sob o comando de organizações criminosas que, podemos sim, chamar de terroristas.

Se existe uma luta que vale a pena, é a luta pela PAZ.

Só isso... PAZ.

Je Suis Charlie.


Tags: Atentados, Paris, Jihadistas, Estado Islâmico, terrorismo, terroristas, Charlie Hebdo, charge, islã, assassinato






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