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13.02.2017 | Opinião

O Discurso Secreto

Nikita Khrushchov

Quem me acompanha e me conhece só um pouquinho, sabe o quanto sou apaixonado por história. A história nos dá diversas lições, ensinamentos esses que muitas vezes desprezamos, repetindo os mesmos erros e apoiando ideias absurdas e que levaram prejuízos enormes para a humanidade. Esse o motivo que me faz lembrar acontecimentos do passado para ilustrar fatos que ocorrem no presente no Brasil e no mundo.

A caça às bruxas ainda persiste e se engana quem acredita que isto só acontece em regimes autoritários. Muitos dos que se dizem DEMOCRÁTICOS, só o são a seu favor. Quando deveriam aprender a conviver com o contraditório, a diversidade e pluralidade de pensamento, se usam de mecanismos obscuros para punir ou perseguir seus adversários (muitas vezes nem tanto assim) no campo das ideias. O simples fato de não concordar ou se alinhar com determinadas ideias ou procedimentos já é motivo para perseguições.

Até mesmo quem prefere seguir os princípios morais e éticos, não se deixando levar pela "corruPTocracia", torna-se vítima de perseguições. Mas isso é outra história que um dia vou me debruçar com mais tempo e maior profundidade e quem sabe até "dar os nomes aos bois".

Hoje quero lembrar de um momento que chocou as esquerdas mundiais, muitas delas ‘festivas’ que ainda ‘defendem o indefensável’ pelo simples fato de estarem distantes geograficamente dos acontecimentos.

Nikita Khrushchov, também chamado no Brasil de Kruchev ou Kruchov foi secretário-geral do Partido Comunista da União Soviética (PCUS) entre 1953 e 1964 e líder político do mundo comunista até ser afastado do poder e substituído na direção da URSS pelo conservador Leonid Brejnev.

Mas além do episódio que quase levou o mundo a “Terceira Guerra Mundial” e que ficou conhecido como a “Crise dos Mísseis de Cuba”, Khrushchov chocou os soviéticos e o mundo ocidental durante o “20º Congresso do Partido Comunista da União Soviética”, realizado entre 14 e 26 de fevereiro de 1956.

Exatamente no dia 23 de fevereiro de 1956, Nikita Khrushchov chocaria a nação soviética e o mundo ao fazer a leitura de seu famoso “Discurso Secreto” ou “Relatório Khrushchov”, cujo nome oficial é "Sobre o culto à personalidade e suas consequências", no qual acusava Josef Stalin do crime de genocídio durante os grandes expurgos realizados nos anos 30 na URSS e denunciava o “culto da personalidade” que o cercava.

O texto do discurso original só foi publicado em sua totalidade no dia 3 de março de 1989, pela gazeta oficial do Comitê Central do Partido, já no período da glasnost - abertura do regime, promovida por Mikhail Gorbachev.

Deixando de lado o “regime comunista”, o que me espanta é que até hoje existem “viúvas” espalhadas por todo o mundo de um dos maiores assassinos da história moderna. Seu nome, Josef Vissarionovitch Stalin, responsável diretamente pela morte de um número que oscila entre três e nove milhões de pessoas.

A variação é grande em função das fontes desses dados. Por um lado, os defensores do comunismo que procuram minimizar os assassinatos, execuções, envio para prisões nos Gulags, e deportações. Por outro lado, historiadores que buscam até hoje chegar a um número mais realista sobre as atrocidades cometidas por Stalin.

É inegável que sob a liderança de Stalin, a ex-União Soviética teve um papel decisivo na derrota da Alemanha nazista na Segunda Guerra Mundial (1939-1945) e tornou-se superpotência, expandindo seu território para algo semelhante ao do Antigo Império Russo.

Mas por outro lado, com o fim da Segunda Guerra Mundial, muito do que os nazistas faziam contra seus inimigos, Stalin fez nos países ocupados no pós-guerra. A bem da verdade histórica, grandes atrocidades foram cometidas pelos comandados de Stalin mesmo durante a guerra.

Mas voltando ao discurso secreto de Nikita Khrushchov, ao contrário do que se acredita, ele não significou a primeira dissidência dos novos governantes da ex-URSS em relação a Stalin. Antes desta manifestação durante o “20º Congresso do Partido Comunista da União Soviética”, já havia mudanças contra a estrutura repressiva que reinava no país.

A Comissão Chvernik, um grupo especial do Comitê Central do Partido Comunista da União Soviética (PCUS), criado a 31 de janeiro de 1955, reuniu evidências suficientes para denunciar que, entre os anos de 1938 e 1939, durante os momentos mais agitados do “Grande Expurgo”, mais de um milhão e meio de membros do PCUS haviam sido acusados de realizar atividades antissoviéticas, e dentre estes, pelo menos 680 mil foram executados.

Assim pergunto: Como é possível defender o comunismo, um regime que sobrevive da opressão de seus comandados?

Como defender uma ideologia que matou milhões de pessoas antes, durante e depois da Segunda Guerra Mundial?

Como defender esse regime que, onde ainda perdura, é um regime ditatorial?

A verdade história e inconteste é que esses números revelam mais uma vez que “a pior das piores democracias é infinitamente melhor do que qualquer regime autoritário”.


Tags: corrupção, petralhas, ética, moral, Stalin, comunismo, democracia






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