Últimas notícias

Comentários

RSS
15.02.2017 | Opinião

O Brasil de Cabral à Cabral

O ex-governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral

O Brazil não conhece o Brasil... O Brasil nunca foi ao Brazil... Assim começa ‘Querelas do Brasil’, composta por Maurício Tapajós e Aldir Blanc e primeiramente interpretada por Elis Regina no álbum Transversal do Tempo, gravado ao vivo no Teatro Ginástico, no Rio de Janeiro em abril de 1978.

Uso essa música para nos levar a mais uma viagem no tempo, lembrando que em 15 de fevereiro de 1500, Pedro Álvares Cabral foi nomeado capitão-mor de uma expedição à Índia.

Era costume da época a Coroa Portuguesa nomear nobres para comandar expedições navais e militares, independentemente da experiência ou competência profissional deles, algo que não mudou quase nada aqui no PATROPI.

Esse legado permanece como “regra maior” na escolha dos indicados à cargos públicos importantes, onde são escolhidas pessoas sem a mínima competência para tal, só pelo fato de serem apadrinhados por algum grupo ou partido político.

Isso foi exatamente o que aconteceu na “escolha” dos capitães dos navios comandados por Cabral — a maioria, como ele mesmo, era nobre, ou seja, esse era o seu “grande currículo”.

Até hoje poucos detalhes a respeito dos critérios utilizados pelo governo português para escolher Cabral como chefe da expedição à Índia sobreviveram ao tempo. No decreto real que o nomeou capitão-mor, as razões dadas são "méritos e serviços".

Nada mais se sabe sobre estas qualificações, a única certeza é que ele não tinha seu nome citado em nenhuma “delação premiada”, como também não estava envolvido na “Lava Jato”.

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/c/ca/Cabral_voyage_1500_PT.png/640px-Cabral_voyage_1500_PT.png
Rota seguida por Cabral de Portugal para a Índia em 1500 (em vermelho) e a rota de retorno (em azul).

Cabral teria descoberto o Brasil por um acidente da história, em 22 de abril de 1500. Aliás, eles não tinham a mínima ideia de onde tinham chegado, imaginavam ter “descoberto” a Ilha de Vera Cruz ou Terra de Vera Cruz (Terra da Verdadeira Cruz ou Terra da Santa Cruz).

Mas vamos lá...

Passados 517 anos desses fatos, o Brasil não mudou quase nada. Apesar de hoje sermos uma república, parece que vivemos num império não muito diferente, ou até pior, do eu era o Império Português daquela época.

Seriedade, competência, moral e ética, não passam de palavras em nosso dicionário. Palavras essas que a cada dia parecem mais distantes de uma realidade que sonhamos desde muito jovens.

Mas se o Pedro teria descoberto o Brasil, o outro Cabral, o Sérgio de Oliveira Cabral Santos Filho, especializou-se no saque, na corrupção, no desvio de dinheiro público. A cada dia que passa, mais e mais sujeira surge envolvendo o ex-governador do Rio de Janeiro, que, para nossa sorte, já está preso.

Sérgio Cabral teria confidenciado a um amigo que o visitou na prisão, a seguinte frase: “Acho que exagerei”.

Acho que a justiça também deve “exagerar” em suas penas, preferentemente jogando a chave fora, convertendo suas eventuais penas em algo como uma “prisão perpétua”.

Esse exemplo poderia ser usado para todos envolvidos, de todos os partidos e ideologias, nessa roubalheira que tristemente assistimos em nosso amado Brasil.

Não tenho corrupto de estimação.

Cadeia neLLes.


Tags: Sérgio Cabral, corrupção, Rio de Janeiro, joias, H. Stern, joalheria, Antonio Bernardo, lavagem de dinheiro






Opinião do internauta

Deixe sua opinião

Datas anteriores:

Comemoramos hoje - 30.04

  • Dia de São Pio V
  • Dia do Ferroviário
  • Dia Nacional da Mulher
  • Aniversário da Rádio Guaíba AM (1957)