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22.03.2017 | Opinião

O insubstituível Chico Anysio

Chico Anysio interpretando seu personagem 'Justo Veríssimo'

Lembro-me muito desta coluna, pois foi a última que escrevi antes de minha cirurgia ocorrida há cinco anos atrás. Na noite de 22 de março de 2012, uma quinta-feira, como se por uma premonição, lembrei-me desse grande artista brasileiro que até aquele momento ainda estava vivo entre nós. Então, o tema de minha coluna do dia seguinte estava ali: Chico Anysio.

Na manhã se sábado, 24 de março de 2012, eu dava entrada no Hospital da PUC para uma cirurgia de coluna, onde passei um longo período daquele ano de 2012.

Como disse, parecia uma premonição de minha parte. Claro que não posso tirar o crédito da minha fiel companheira de todas as horas, a Winnie, minha cachorrinha, uma legítima e puríssima “vira-lata”, cruza de um Poodle com uma Linguicinha, que deu no que deu, uma linguicinha (ou salsichinha, como queiram) com pelo de Poodle, uma verdadeira paixão. Aliás, agora quando relembro essa coluna, ela está sentada aos meus pés, como sempre faz. Mas atenção, minha cachorrinha é, como já disse, puríssima, uma legítima SRD (Sem Raça Definida), nada a ver com aquela versão peluda do Dachshund alemão.

Mas vamos em frente...

O crédito é dela, por ter me lembrado. Quando fico sem inspiração olho para ela e pergunto: Tens uma sugestão?

O olhar da Winnie naquela noite já um pouco fria de março de 2012 foi fulminante e preciso: Fala do Chico, do Chico Anysio.

Tinha acabado de passar no Jornal Nacional uma notícia dando conta do grave estado de saúde dele, o Francisco Anysio de Oliveira Paula Filho, o Chico Anysio, sem dúvida o maior comediante do Brasil.

Assisti ao Chico pela TV milhares de vezes e mais de uma dezena, ao vivo, no palco, frente a frente com seus personagens e milhares de admiradores.

Olho para o Chico e lembro-me de suas geniais criações, seus 209 personagens. Lembremo-nos do velho mestre Professor Raimundo, primeiro personagem criado para o rádio e depois o primeiro também na televisão e de sua saudosa “Escolinha” por onde passaram outros gênios do humor brasileiro.

Mas um dos personagens criados por Chico que “lamentavelmente” nunca perde a atualidade, é “Justo Veríssimo”.

Qualquer semelhança com a realidade não é mera coincidência.

O ficcional deputado encarna os principais hábitos do mau político: Corrupção, arrogância, venalidade, arbítrio, truculência e tudo o mais de ruim que possa existir em um indivíduo.

Mas “Justo” está um degrau acima de seus competidores do mundo real: ao invés de tentar dissimular o caráter (ou a falta dele), ele assume o que é e defende de peito aberto seu ideário corruptocrata.

Saindo da ficção, parece que realmente a “corruptocracia” do famoso deputado imaginário, têm terra fértil no mundo real de nosso país, germinando até mesmo onde menos esperávamos. O foro especial por prerrogativa de função, conhecido coloquialmente como foro privilegiado, é uma excrecência de nosso direito penal.

Ao invés de nos proteger dessa gentalha, acabou virando um privilégio inaceitável em um sistema onde todos devem (ou deveriam) ser iguais perante a lei.

Aliás, no Brasil, o “bandido”, o “corrupto”, o “ladrão”, tornou-se vítima e não vilão. Nossa legislação continua falha e a morosidade do judiciário fazem com os processos até mesmo prescrevam.

Não tenho muita convicção de que os verdadeiros culpados, os verdadeiros bandidos e corruptos sejam punidos no processo da Lava Jato. É capaz de virar um outro Mensalão, que para dissimular alguns preferem chamar de “Ação Penal 470”.

A maioria dos “mensaleiros” já está livre, leve e solta. Bandidos esses que para muitos são heróis, vítimas de uma conspiração da mídia golpista (rsrsrsrs). Bandidos que, durante o período em que estavam presos, prestaram consultorias e receberam milhões em pagamento. Mas tudo bem, isso é outra história da impunidade que corre solta (e livre) em nosso amado PATROPI.

Como diria nosso saudoso e “honestíssimo” deputado Justo Veríssimo:
“Povo não pensa, povo vota. E eu quero que o povo se exploda.”

Esse é o exemplo vivo e permanente do, lamentavelmente, padrão do político brasileiro.

Voltemos ao Chico...

Fazer rir é um dom que poucos possuem, e o Chico foi um abençoado, um verdadeiro mestre.

Chico foi, é e sempre será um gênio, insubstituível, inesquecível.

Um beijo no teu coração e muito obrigado por nos fazer viver a vida com mais humor e esperança.

Salve Chico, o eterno!

Salve o Chico, o insubstituível.

Vejam quem era este cara, sim o verdadeiro CARA, porque ninguém faz humor na atualidade como Chico fazia.


Tags: Chico Anysio, humor, corrupção, corruptocracia, corrupto, Justo Veríssimo






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