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31.03.2017 | Opinião

A data é o que menos importa

Castello Branco e seu grupo chegam ao poder.

Os que me conhecem sabem o quanto eu gosto de história. Na realidade sempre gostei, desde os meus tempos de guri. Por esse motivo constantemente escrevo sobre fatos históricos, o que fiz na última quarta-feira e repito mais uma vez no dia de hoje.

Tive um professor no Colégio Rosário que me fascinava com seu saber e sua forma de ensinar. Era o Professor Pontello. Ele lecionava história e geografia e marcou minha vida. Em história eu sempre me saía muito bem, já em geografia não era tão fascinado assim.

Mas vamos lá.

Minha mãe, a Mafalda Orlandini, em uma coluna que escreveu em 31 de março de 2014 intitulada “Legalidade e Contrarrevolução meio século depois”, falava um pouco sobre como fatos "hoje de nossa história", influenciaram a vida de nossas famílias naqueles momentos conturbados dos anos 60 do século XX.

Durante a “Campanha da Legalidade” eu tinha apenas três anos de idade. Já na Revolução de 1964 (ou contrarrevolução, como queiram) eu estava com quase seis anos de idade. De qualquer forma, muito pouco me lembro dos acontecimentos, pois eu era muito, mas muito guri.

O que gosto de lembrar é que fatos são muito difíceis de serem alterados com o passar do tempo, principalmente se fartamente documentados.

Quem me conhece sabe que sou um legalista, democrata convicto e defensor do Estado Democrático de Direito, doa a quem doer.

Mesmo com a constante tentativa de esquecer e proibir qualquer comemoração por parte das Forças Armadas do ocorrido há cinquenta anos atrás, a história não nunca será apagada.

Se a história poderá ser alterada, é outra questão. Uma mentira repetida milhares de vezes pode se tornar verdade. O difícil é dar sumiço na farta documentação existente e de várias fontes que ilustram o que levou o Exército (e só o exército) brasileiro a tomar aquelas ações em 31 de março de 1964.


Centenas de milhares de pessoas ocupam o centro de São Paulo em 19 de março de 1964 numa manifestação unida em torno das bandeiras difusas da moralidade, da ordem e do anticomunismo, tendo como alvo o presidente João Goulart

O Exército não fez o que fez sem apoio popular, sem apoio da imprensa, da classe média e de muitos (a maioria) dos políticos de então.

Castello Branco, o primeiro general-presidente, queria ser o último. Sua intenção era de entregar o poder aos civis logo em seguida. A história diz que a linha dura dos militares, liderada em especial por Costa e Silva (o segundo general-presidente), não queria que fosse assim. E não foi.

Ao meu ver, nenhuma ditadura possui defesa, por melhor que possa parecer. Prefiro a pior das democracias do que a antessala da melhor das ditaduras.

Mas afirmar nos dias de hoje que o Golpe, Revolução ou Contrarrevolução de 1964 foi coisa dos militares, é um erro primário.

Volto a dizer, defendo a história e não a DITADURA que se instaurou em nosso país.

O Estado não pertence a um grupo político, empresarial, religioso ou seja lá o que for. O Estado é de todos nós.

Como falo no título da minha coluna de hoje, a data é o que menos importa.

A verdade da história é o que vale.

Ela, a HISTÓRIA, e sua eterna lembrança, evitarão que outros queiram usurpar o que é do povo.

A democracia brasileira, que ainda engatinha, não deve ser mutilada por ninguém.

A alternância no poder é um remédio que pode ser amargo para alguns, mas é extremamente salutar para a maioria de nós.

No ano que vem teremos eleições para presidente, governadores, senadores (2/3), deputados federais e estaduais.

Se queremos uma democracia mais forte e renovada, devemos exercer com veemência e responsabilidade nosso voto. Nada de voto nulo ou em branco.

O voto é a maior arma da democracia.

Nosso dever como cidadãos é "varrer os corruptos" do poder, sejam eles quais forem.

Nosso maior problema é o regime corruPTocrata que se apoderou dos governos e partidos de norte à sul do Brasil.

Eles não chegaram lá sozinhos. Foi o voto da maioria dos eleitores que os colou lá, bem diferente do ocorrido em 1964.

Como disse, o EXÉRCITO não fez o que fez sem apoio popular, sem apoio da imprensa, da classe média e de muitos (a maioria) dos políticos da época. Mas em 1964 usou-se o poder das baionetas e não o voto popular.


Tags: golpe, revolução, Jango, Brizola, João Goulart, Jânio Quadros, Golpe militar, Golpe de 64






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