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10.05.2017 | Opinião

Bücherverbrennung, uma palavra que diz muito

Queima de Livros - Bücherverbrennung

Mas que palavra é esta que dá início ao título de meu comentário de hoje? Quem me conhece sabe que sempre procuro lembrar algo ocorrido no passado que possa nos servir de ensinamento para que não cometamos os mesmos erros no presente.

Hoje em Curitiba assistiremos ao respeito à ordem e as leis ou a imposição ideológica e, verdadeiramente golpista, que nos é imposta por um grupo que acredita ser o dono da razão e de nosso país, que agora ameaça pela força, com facões e foices, toda uma nação.

Mas vamos à história:

Considero-me um democrata convicto e aprendi, na minha família, que devemos respeitar as diferenças de opinião, pois isso faz parte do gênero humano.

Ninguém pode se considerar o dono da verdade, sendo assim aceito tranquilamente que discordem do que penso ou escrevo, só não aceito ataques anônimos e as “patrulhas ideológicas” que ainda persistem em sobreviver em pleno século XXI.

O quadro de restrições e ameaças à liberdade de imprensa e de pensamento continua impregnado nos teóricos extremistas que não aceitam a pluralidade das diversas culturas e crenças que habitam este nosso pequeno planeta azul.

O mais triste é que em plena dita “democracia”, ainda vivemos um regime de exceção, onde discordar dos detentores do poder ou de grupos ideológicos é certeza de perseguição.

Mesmo dentro dos partidos políticos brasileiros, ditos DEMOCRÁTICOS, a perseguição aos que discordam de algo no campo das ideias é implacável.

Ainda não conseguimos conviver com a diversidade de opinião.

Em Porto Alegre, por exemplo, tivemos vários "expurgos" em diversos partidos, expurgos brandos, mas mesmo assim expurgos, daqueles de que alguma maneira discordam do comando partidário, seja em partidos que venceram ou perderam a última eleição municipal.

É bom lembrar, que muitos dos "expurgados" no partido derrotado já alertavam que o caminho estava errado e mesmo que o candidato não se comportava como agregador. Deu no que deu. Perderam a eleição.

E perderam mais, perderam quadros importantes que não estavam lá para concordar com tudo, mas sim para colaborar com ideias e opiniões.

Ao invés de agregarem outras opiniões, simplesmente elas eram desqualificadas. É muito mais fácil desqualificar o que não temos capacidade de entender do que revisarmos nossas opiniões e darmos espaço para os demais.

As agremiações políticas, mesmo com uma forte linha de afinidade em alguns ideais, reúnem pessoas que pensam de forma diferente, agem de forma diversa, pois esta é a essência da Democracia. A sociedade é assim, diversa.

Mas muitos dos que se dizem democráticos não conseguem conviver com esta diversidade de opiniões. A democracia para esses, é só uma forma de se chegar ao poder. Depois, quem não estiver alinhado, é no mínimo desqualificado como cidadão.

Uma sociedade plural e democrática, como a nossa quer ser, não pode permitir que se criem, dentro das organizações políticas que pretendem em algum momento nos governar de forma democrática, ideias sectárias que tenham como objetivo a censura e a eliminação dos pensamentos antagônicos aos seus, sejam eles quais forem.

Outro dia estava revendo o filme “Indiana Jones e a última cruzada”, onde num dado momento é apresentado um episódio do passado que serve como ensinamento para o presente.

Bücherverbrennung significa em Alemão literalmente queima de livros. É um termo muitas vezes associado à ação ocorrida na Alemanha Nazista, ocorridas entre 10 de maio e 21 de junho de 1933.

Em várias cidades alemãs foram organizadas nesta data queimas de livros em praças públicas, com a presença da polícia, bombeiros e outras autoridades.

Estudantes, em particular os estudantes membros das fraternidades, SA e SS participaram nestas queimas.


Memorial lembrando a queima de livros de 1933, no chão da praça Römerberg, em frente à prefeitura de Frankfurt, em Hesse, na Alemanha.

Foram queimados cerca de 20.000 livros, a maioria dos quais pertencentes às bibliotecas públicas, de autores oficialmente tidos como decadentes ou pouco alemães (undeutsch).

Entre os livros queimados estavam obras de autores perseguidos pelo regime que estava sendo instaurado por Hitler e seus asseclas, como: Thomas Mann, Heinrich Mann, Walter Benjamin, Bertolt Brecht, Lion Feuchtwanger, Leonhard Frank, Erich Kästner (que, anônimo, assistia na multidão), Alfred Kerr, Robert Musil, Carl von Ossietzky, Erich Maria Remarque, Joseph Roth, Nelly Sachs, Ernst Toller, Kurt Tucholsky, Franz Werfel, Sigmund Freud, Albert Einstein, Karl Marx, Heinrich Heine e Ricarda Huch..

Já no filme Fahrenheit 451 uma adaptação cinematográfica do romance homônimo de Ray Bradbury e dirigida por François Truffaut em 1966, no apresenta um futuro hipotético onde os livros e toda forma de escrita são proibidos por um regime totalitário.

Da ficção à realidade, volta e meia surge alguma “ideia brilhante” que visa proibir que se fale, escreva e até mesmo se pense contrariamente aos que estiverem no poder.

O “monstro da censura” não está morto, ele dorme escondido em algum lugar esperando um momento adequado para voltar a causar danos irreparáveis à cultura e ao livre pensamento.

No começo são os livros, depois os jornais, revistas, rádio e televisão. A seguir, a perseguição começa contra aqueles que “ousam” rebelar-se contra o regime.

O exemplo ocorrido na Alemanha Nazista, nada mais é do que a materialização das ideias defendidas pelo nazismo e seu ministro do Povo e da Propaganda, Joseph Goebbels, criador da célebre frase: uma mentira cem vezes dita, torna-se verdade.

Aliás, esta máxima de Herr Goebbels sobrevive com muita força, principalmente naqueles que querem desqualificar seus opositores.

Os regimes autoritários, por mais que tentem, não conseguem sufocar totalmente a liberdade e o livre pensamento. Se por alguns momentos isso é quase obtido, como aconteceu na Alemanha Nazista, na União Soviética e seus países satélites e nas demais ditaduras espalhadas pelo planeta, é algo que um dia termina.

Censurar a opinião é uma ação de força concreta, porém, não impede que os homens pensem livremente.

A liberdade de pensamento é incontrolável!


Tags: Bücherverbrennung, opinão, liberdade, imprensa, censura






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