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28.08.2017 | Opinião

Aos mestres com carinho

Todo o dia é dia do professor.

Tenho uma grande mágoa com relação à forma que tratamos nossos professores aqui no Brasil. Não por ser filho de professores, mas por constatar que nossos mestres, nossos educadores, não recebem um tratamento digno da sociedade brasileira, em especial de nossos governantes.

Já há algum tempo, passamos da simples desconsideração e falta de respeito aos nossos mestres, para agressões físicas sem precedentes. Alunos de todos os níveis sociais, e até pais, perderam todo respeito aos professores e os agridem de forma covarde e desumana.

Não são casos isolados. A cada dia, mais e mais professores quebram o silêncio e revelam ao que estão sendo submetidos em sala de aula, ou fora delas. Um verdadeiro descalabro.

Derek Bok, ex-presidente da Universidade Harvard disse certa vez: “Se você acha que a educação é cara, tenha a coragem de experimentar a ignorância."

Pois é ...

Ano que vem temos eleições, e nessa época, todos os candidatos, de todos os partidos, gostam de mostrar sua professora ou professor quando criança ou adolescente. Por um passe de mágica, ao se eleger, TODOS ELES esquecem tudo que disseram na campanha. Mentem, demonstrando que realmente não aprenderam nada de bom do que lhes foi oferecido por nossos mestres. Mostram a verdadeira face nojenta da política brasileira.

Entra governo e sai governo e ninguém resolve este conflito que é utilizado de forma demagógica por líderes sindicais que, quando no governo, também não resolvem o problema de valorização de sua própria categoria profissional.

Continuamos a assistir este descaso com relação a valorização de nossos mestres que envolve o piso nacional do magistério, que a ex-governadora Yeda Crusius não pagava por “falta de vontade política”, que o também ex-governador Tarso Genro (criador do piso enquanto ministro da educação) além de não ter pago, entrou na justiça contra o mesmo e dizia que isso iria quebrar o Estado. Já o atual governados José Ivo Sartori segue numa tangente entre Yeda e Tarso, também não cumprindo a Lei do piso aos professores. Parece que só a Tumelero (a loja) resolveria esse problema de piso. Sartori alega não ter dinheiro para cumprir mais esse dever do Estado. Dever que nenhum dos citados governadores cumpriu não só com a educação, mas também com a segurança, a saúde e a infraestrutura do nosso Estado, para ficarmos só por aí.

Ora, o Estado, na realidade, já estava quebrado no tempo da Yeda, piorou na gestão petista e irresponsável de Tarso Genro, e agora virou uma calamidade sem precedentes. Tudo culpa coletiva de todos os governadores do RS que não fizeram a lição de casa.

A posição de nosso ex-governador Tarso Genro, que tanto falava em valorização do magistério quando Ministro da Educação de Lula, demonstra que a verdade é outra quando se está no governo, pois enquanto na oposição ou quando estamos em campanha política, como diz o ex-presidente Lula, as ‘bravatas’ são válidas, não é mesmo!

Mas vamos as boas lembranças como o belo filme britânico de 1967 “Ao Mestre com Carinho” (To Sir With Love), estrelado por Sidney Poitier, que apresentava um professor idealista frente uma classe de estudantes problemáticos. A música “To Sir, With Love”, interpretada por Lulu, tornou-se hit no mundo inteiro. Vale a pena assistir para perceber que a valorização destes profissionais é muito importante para a sociedade, para o futuro de nossa nação.

Eu sei que o Dia dos Professores é comemorado a 15 de outubro, mas uma sociedade que não respeita seus professores nem no seu dia, está doente.

Peço desculpas a todos os professores, colocando aqui, em poucas palavras, meu maior agradecimento pelo que fizeram, fazem e ainda vão fazer por todos nós, do fundo do coração deste eterno aprendiz.

Por fim, circulou na internet um texto de autor desconhecido, que, mesmo eu não concordando com a sua integralidade, com algumas variantes e adaptações, no mínimo nos faz pensar...

“O fim dos professores”

O ano é 2.214 D.C. - ou seja, daqui a uns duzentos e poucos anos - e uma conversa entre avô e neto tem início a partir da seguinte interpelação:

– Vovô, por que o mundo está acabando?

A calma da pergunta revela a inocência da alma infante. E no mesmo tom vem a resposta:

– Porque não existem mais PROFESSORES, meu anjo.

– Professores? Mas o que é isso vovô? O que fazia um professor?

O velho responde, então, que professores eram homens e mulheres elegantes e dedicados, que se expressavam sempre de maneira muito culta e que, muitos anos atrás, transmitiam conhecimentos e ensinavam as pessoas a ler, falar, escrever, se comportar, localizar-se no mundo e na história, entre muitas outras coisas. Principalmente, ensinavam as pessoas a pensar.

– Eles ensinavam tudo isso? Mas eles eram sábios?

– Sim, ensinavam, mas não eram todos sábios. Apenas alguns, os grandes professores, que ensinavam outros professores, e eram amados pelos alunos.

– E como foi que eles desapareceram, vovô?

– Ah, foi tudo parte de um plano secreto e genial, que foi executado aos poucos por alguns vilões da sociedade. O vovô não se lembra direito do que veio primeiro, mas sem dúvida, os políticos ajudaram muito.

Eles acabaram com todas as formas de avaliação dos alunos, apenas para mostrar estatísticas de aprovação. Assim, sabendo ou não sabendo alguma coisa, os alunos eram aprovados. Isso liquidou o estímulo para o estudo e apenas os alunos mais interessados conseguiam aprender alguma coisa.

Depois, muitas famílias estimularam a falta de respeito pelos professores, que passaram a ser vistos como empregados de seus filhos.

Estes foram ensinados a dizer “eu estou pagando e você tem que me ensinar”, ou “para que estudar se meu pai não estudou e ganha muito mais do que você” ou ainda “meu pai me dá mais de mesada do que você ganha”. Isso quando não iam os próprios pais gritar com os professores nas escolas.

Para isso muito ajudou a multiplicação de escolas particulares, as quais, mais interessadas nas mensalidades que na qualidade do ensino, quando recebiam reclamações dos pais, pressionavam os professores, dizendo que eles não estavam conseguindo “gerenciar a relação com o aluno”. Os professores tornaram-se vítimas da violência – física, verbal e moral – que lhes era destinada por pobres e ricos. Viraram saco de pancadas de todo mundo.

Além disso, qualquer proposta de ensino sério e inovador sempre esbarrava na obsessão dos pais com a aprovação do filho no vestibular, para qualquer faculdade que fosse. “Ah, eu quero saber se isso que vocês estão ensinando vai fazer meu filho passar no vestibular”, diziam os pais nas reuniões com as escolas.

E assim, praticamente todo o ensino foi orientado para os alunos passarem no vestibular. Lá se foi toda a aprendizagem de conceitos, as discussões de ideias, tudo, enfim, virou decoração de fórmulas. Com a Internet, os trabalhos escolares e as fórmulas ficaram acessíveis a todos, e nunca mais ninguém precisou ir à escola para estudar a sério.

Em seguida, os professores foram desmoralizados. Seus salários foram gradativamente sendo esquecidos e ninguém mais queria se dedicar à profissão. Quando alguém criticava a qualidade do ensino, sempre vinha algum tonto dizer que a culpa era do professor.

As pessoas também se tornaram descrentes da educação, pois viam que as pessoas “bem-sucedidas” eram políticos e empresários que os financiavam, modelos, jogadores de futebol, artistas de novelas da televisão, sindicalistas – enfim, pessoas sem nenhuma formação ou contribuição real para a sociedade.

Ah, mas teve um fator chave nessa história toda.

Teve uma época longa chamada ditadura, quando os milicos colocaram os professores na alça de mira e quase acabaram com eles, que foram perseguidos, aposentados, expulsos do país, em nome do combate aos subversivos e à instalação de uma república sindical no país.

Os milicos fracassaram, porque a tal da república sindical se instalou, os tais subversivos tomaram o poder, implantaram uma tal de “educação libertadora” que ninguém nunca soube o que é, fizeram a aprovação automática dos alunos com apoio dos políticos...

Foi o tiro de misericórdia nos professores. Não sei o que foi pior – os milicos ou os tais dos subversivos.

– Não conheço essa palavra. O que é um milico, vovô?

– Era, meu filho, era, não é. Também não existem mais ...


Tags: mestre, professor, educação, ensino, professores, violência, agressão






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