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30.08.2017 | Opinião

Um minuto para a meia-noite

Estamos a dois minutos e meio para a meia-noite.

Lamentavelmente nós, os seres humanos, não aprendemos com nossos erros. Continuamos sempre insistindo de que “dois erros fazem um acerto”. Esse absurdo mostra o quanto a história é implacável.

Quem é um pouco mais jovem do que eu, com menos de 40 anos (rsrsrs – estou com 59 anos), eventualmente não tem noção do que passamos num passado ainda recente em nosso amado planeta azul chamado Terra. Já estivemos à beira da extinção algumas vezes, e o pior (ou seria o melhor), é que não podíamos fazer nada para que isso não acontecesse.

Em 14 de outubro de 2016, escrevi uma coluna intitulada ‘A banalidade do mal’, onde relembrei um marco fundamental em minha formação no segundo grau lá no Colégio Nossa Senhora do Rosário. Tive a honra e o privilégio de, entre tantos mestres, ter um que me fascinava de forma especial com seu saber e sua forma de ensinar.

Era o Professor Pontello, um grande mestre que lecionava história e geografia e marcou minha vida e de muitos outros jovens que tiveram o privilégio de conhecê-lo. Mesmo sem muitos instrumentos audiovisuais, o Pontello nos levava a cada aula em uma viagem pelo tempo e o espaço. Do Antigo Egito ao Século XX, suas palavras pareciam imagens em nossas mentes.

Por "culpa" dele, o professor Pontello, sou apaixonado por história até hoje.

Mas vamos em frente...

O Relógio do Apocalipse é um relógio simbólico mantido desde 1947 pelo comitê de diretores do "Bulletin of the Atomic Scientists" da Universidade de Chicago. Ele utiliza uma analogia onde a raça humana está a "X minutos para a meia-noite", onde a meia-noite representa a destruição por uma guerra nuclear. Hoje esse relógio marca 23:57:30, ou seja, estamos a dois minutos e meio da meia-noite, fato que é muito preocupante, mas já foi até muito pior.

Já estivemos ainda mais próximos da meia-noite, é o que vou relembrar a partir de agora, com um pouco de história que abalou o mundo.

No final dos anos cinquenta, início dos anos sessenta, o mundo vivia sob um verdadeiro barril de pólvora, numa luta sem precedentes entre o chamado “mundo livre”, representado pelos Estados Unidos da América, e a “cortina de ferro”, representada pela então União das Repúblicas Socialistas Soviéticas.

No meio de todo este turbilhão, surge o episódio que ficou conhecido como a Crise dos Mísseis de Cuba, um dos momentos de maior tensão da Guerra Fria.

O estopim se deu quando os soviéticos, em resposta à instalação de mísseis nucleares na Turquia em 1961 e à invasão de Cuba pelos norte-americanos no mesmo ano, os soviéticos instalaram mísseis nucleares em Cuba.

No dia 14 de outubro de 1962, um avião U-2 da força aérea norte-americana em um voo secreto realizado sobre Cuba obteve fotos onde nitidamente apareciam cerca de quarenta silos para abrigar mísseis nucleares.

A tensão mundial foi ao extremo, pois uma possível guerra nuclear era iminente e o governo de John F. Kennedy, encarou este fato como um ato de guerra contra os Estados Unidos.

Nikita Khrushchev, o primeiro-ministro da URSS na época, afirmou que tais mísseis eram apenas defensivos, e que tinham sido lá instalados para dissuadir outra tentativa de invasão da ilha caribenha.

Vale lembrar que em 17 de abril de 1961, o governo Kennedy tinha tentado um fracassado desembarque na Baía dos Porcos, operação planejada pela CIA, que usou os refugiados da ditadura de Fulgencio Batista como peões na tentativa de derrubar o regime de Fidel Castro.

Mas agora a situação era muito mais séria. Nenhum presidente norte-americano poderia admitir a existência de mísseis nucleares a escassos 150 quilômetros do seu território.


Uma fotografia de reconhecimento de um avião U-2 de Cuba, mostrando mísseis nucleares soviéticos.

Foram treze dias de suspense mundial, devido ao medo de uma possível guerra nuclear que poderia transformar em poeira todo o planeta.

No dia 22 de outubro de 1962, o presidente John Kennedy denunciou, em pronunciamento pela televisão, a existência dos mísseis russos na América Central. Essas rampas não devem ter outro objetivo que o ataque nuclear contra o mundo ocidental, declarou.

Para ele, a transformação de Cuba em base estratégica, com a instalação de armas de destruição em massa, representava uma ameaça à paz e à segurança do continente americano. Nem os Estados Unidos, nem a comunidade internacional irão se iludir e aceitar essa ameaça, advertiu.


Adlai Stevenson mostra fotos aéreas de mísseis cubanos nas Nações Unidas, 25 de outubro de 1962.

Ainda no mesmo dia, os EUA decretaram um bloqueio naval contra a ilha de Fidel Castro e deram um ultimato à URSS. Kennedy exigiu do chefe de Estado Nikita Khrushchov o imediato desmonte das rampas, a retirada dos mísseis e a renúncia à instalação de novas armas ofensivas em Cuba. Washington advertiu também que, caso o bloqueio fracassasse, a ilha seria invadida.


A crise acabou em 28 de outubro de 1962, e ironicamente, exatos 2 anos depois do início deste episódio, em 14 de outubro de 1964, Nikita Khrushchov foi derrubado do poder por seus adversários do Politburo, acusado de erros políticos graves e desorganização da economia soviética.

Lembrar-se de um momento onde estivemos “a um minuto para a meia noite”, é valorizar ainda mais aquela pequena palavrinha de três letras: a PAZ.

Estes treze dias em outubro de 1962, em que a humanidade esteve mais perto do que nunca de uma catástrofe nuclear que aniquilaria com a vida em nosso planeta é muito bem retratada no livro ‘One Minute to Midnight: Kennedy, Khrushchev, and Castro on the Brink of Nuclear War’.

Após dois anos de pesquisas intensas, o renomado jornalista norte-americano Michael Dobbs, correspondente internacional do jornal The Washington Post, traz a público a mais completa obra sobre a crise que fez os ponteiros do deste metafórico Relógio do Juízo Final chegarem a um minuto para meia-noite. Na obra ele nos revela alguns surpreendentes incidentes nunca publicados que ilustram o quão perto nós viemos do Armagedom.

Pela primeira vez é revelado o plano de Khrushchev para destruir a Base Naval da Baía de Guantánamo, o sobrevoo acidental da União Soviética por um avião espião norte-americano, o movimento de ogivas nucleares soviéticas ao redor de Cuba durante os tensos dias da crise, as atividades de agentes da CIA dentro de Cuba e do pouso forçado de um jato F-106 norte-americano, com uma arma nuclear ativa a bordo.

Um minuto para a meia-noite - Kennedy, Khrushchev e Castro à beira da guerra nuclear’ reconstrói um dos momentos de maior tensão da Guerra Fria dia-a-dia, hora-a-hora e minuto-a-minuto, revelando como o incidente iniciado pela descoberta de ogivas nucleares soviéticas em território cubano quase provocou o fim do mundo.

Mas este tenso episódio histórico também é muito bem retratado no filme Thirteen Days (Treze Dias que Abalaram o Mundo). Este filme norte-americano de 2000 foi dirigido por Ronald McDonald, tendo seu roteiro baseado em livro homônimo escrito em 1968 por Robert F. Kennedy.

Ontem, Kim Jong-Un, o demente e imprevisível jovem ditador norte-coreano, lançou um míssil que cruzou os céus do Japão, só não causando uma tragédia maior porque nem japoneses, nem tampouco os norte-americanos, retaliaram esse lançamento.


O disparo feito pelos norte-coreanos foi detalhado por vários meios de comunicação sul-coreanos. REUTERS/Kim Kyung-Hoon

Algumas perguntas:

  1. Até quando esse jovem demente vai continuar ameaçando a paz mundial?;
  2. Até quando China e Rússia vão se calar com o que acontece em Pyongyang?;
  3. Até quando Donald Trump vai se segurar;
  4. Como saber se um desses mísseis carrega alguma ogiva nuclear?

O jovem e demente ditador da Coreia do Norte, Kim Jong-Um, está fazendo de tudo para levar os ponteiros desse “relógio do apocalipse”, para mais próximo da meia-noite.

Suas provocações, beiram uma infantilidade insana que pode levar o mundo a um apocalipse nuclear sem precedentes.


Tags: Coreia do Norte, Coreia do Sul, China, bomba atômica, guerra nuclear, Kim Jong-Un, EUA, Trump, Cuba, apocalipse, Armagedom, crise dos mísseis, Kennedy, Fidel, Guerra Fria






Opinião do internauta

  • Sérgio (31.08.2017 | 09.55)
    Teus artigos são muito bem escritos. A gente começa a ler e vai até o fim sempre com muita atenção. Parabéns pelas aulas.

  • Susi Obal (30.08.2017 | 11.20)
    Ricardo, obrigada por esta bela lição de história. No início, tu escreves que infelizmente, nós, os seres humanos, não aprendemos com nossos erros.. Eu aprendi: " Encare os erros como seus maiores professores."

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