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02.10.2017 | Opinião

Tecnodependentes

Apagão

Nada como um dia depois do outro para ver como as coisas se repetem, principalmente os erros.

Lembro-me do que sempre dizia meu velho amigo Walter Merino: ‘dois erros não fazem um acerto’. Algo que parece óbvio, mas que algumas pessoas não se dão conta.

Os apagões em nosso país se tornaram frequentes, na Era Lula e Dilma (a culpa era do FHC e do FMI), agora é do Michel Temer, e assim segue uma lista de culpados, mas nunca temos soluções.

Ontem, domingo (1/10/2017), quando estava começando a edição de meu site e ia iniciar a minha coluna diária, faltou luz, ou melhor, energia elétrica.

Mais um forte temporal se abateu sobre nosso Estado, e os estragos foram grandes. Naturalmente faltou energia em diversos pontos do Estado, inclusive onde moro.

Mesmo tendo um nobreak em casa que suporta meu micro e conexão com a internet por cerca de uma hora, não consegui fazer a edição. Caiu o resto, internet, telefone e tudo o mais.

A energia só retornou lá pela meia-noite do domingo, e só aí, recomecei a escrever a edição dessa segunda-feira dia 2 de outubro de 2017.

Mais uma vez, esse acontecimento me fez buscar em meu arquivo pessoal um artigo que escrevi em abril de 2003, logo após um dos primeiros grandes “apagões” tecnológicos que tivemos em nosso país.

Segue exatamente como escrevi à época...

No domingo dia 13/4/2003 (seria coincidência o dia "13"), por volta das 19h30m o sistema de um dos maiores provedores do país, o Terra, entrou em pane total.

Até a sua página principal saiu do ar. Coincidentemente eu estava justamente na página principal do Terra buscando informações sobre a “Invasão do Iraque”, quando de repente, não mais que de repente, tudo parou.

No lugar da página principal surgiu a página de propaganda do Terra.

A primeira coisa que eu pensei foi que minha conexão banda larga com o NET Vírtua tinha caído (ela não anda muito santa). Fiz todos os testes possíveis e tudo funcionava 100%, menos o Terra.

Daí eu constatei a triste realidade da tecnologia moderna, eu e cerca de 1 milhão de ‘brasileiros e brasileiras’ ficáramos sem acesso ao mundo via nossos e-mails, no caso o “Terra Mail”.

Eu tinha mandado para o “Disco Virtual Terra” um material que eu iria trabalhar no final de semana em minha casa.

Pois é, o Disco Virtual também não escapou, quase tudo lá no Terra, simplesmente ficou sem funcionar.

A resposta que aparecia na tela geralmente era:

“PREZADO USUÁRIO: Este produto estará fora do ar por um breve período para a manutenção de nossos servidores. Desculpem-nos o transtorno”.

No final da manhã de segunda (14/4/2003), o Terra divulgou a seguinte nota oficial:

Prezado usuário,

Informamos que estamos com sérios problemas nos nossos servidores, prejudicando o funcionamento de alguns dos serviços Terra.

Nossa equipe está totalmente mobilizada desde a madrugada, empenhada em solucionar o quanto antes as dificuldades técnicas, que já estão sendo sanadas gradativamente.

Pedimos desculpas pelos inconvenientes causados e asseguramos que os serviços estarão normalizados ao longo do dia, antes das 21 horas - prazo máximo garantido pelo fabricante dos servidores.

Atenciosamente,
Fernando Madeira
Diretor-Geral do Terra Brasil

Não me cabe julgar ou condenar o Terra por este incidente, nem quero avaliar as explicações apresentadas na época. Por certo ninguém teve intenção de que este fato acontecesse, e mais, a direção e técnicos do Terra devem ter passado o maior sufoco. Sei muito bem o que é isso.

Agora, quero chamar a atenção para outra questão, muito relacionada com este tipo de incidente.

Lembro que certa vez lá em 1999, fiz uma série de programas sobre o BUG do Milênio, entrevistando especialistas no assunto e revelando os milhares de dólares (ou euros) despendidos para evitar aquela “tragédia”.

Já naquela época contei um fato ocorrido comigo que vale a pena relembrar.

Num certo dia eu tinha que fazer um contrato com um determinado cliente que seria assinado no final da tarde. Bem, tudo corria tranquilamente, no final da manhã já tínhamos o contrato praticamente pronto no computador e eu tinha muito tempo até o final da tarde. Chegou o meio-dia, fui almoçar tranquilo, pois voltaria no início da tarde e teria bastante tempo para revisar e imprimir o tal contrato.

Daí veio a primeira tragédia.

Quando voltei ao escritório, não tinha luz, ou melhor, como diria meu amigo Paulo Ricardo Delphino Peres (El Gordo), tinha faltado “energia”.

Mas tragédia pouca é bobagem....

Veio a segunda tragédia, a CEEE informara que havia ocorrido um acidente na rede e a energia só seria restaurada no final da tarde ou início da noite.

PÂNICO!!!

Veio a terceira tragédia, mesmo tendo o “arquivo” em meu microcomputador, não tínhamos como tirá-lo de lá, pois não havia um nobreak disponível na empresa.

PÂNICO, MAIOR!!!

Mas o Orlandini não se entregou!!!

Eu tinha um rascunho do contrato e toda a qualificação das partes. Era só achar uma “antiga e obsoleta” máquina de escrever e mandar ver. Não podia me entregar por pouca coisa. Descobrimos que tinha uma máquina lá na contabilidade, e nos mandamos pra lá.

Mas veio a quarta tragédia, a máquina era elétrica.

PÂNICO, TOTAL!!!

Tudo isso pode parecer piada, mas é a mais pura verdade, isto realmente aconteceu.

Voltando ao presente, pergunto:

O que aconteceria se energia elétrica, comunicações ou água não funcionassem por 24/48/72 ou mais horas?

Certamente seria o caos, principalmente nas grandes cidades. O efeito em cadeia seria devastador.

Se um simples raio, uma descarga elétrica derruba uma linha de transmissão e gera um apagão em todo o país, percebo que nossas autoridades federais ainda não levam muito à sério que um incidente deste tipo venha a acontecer, ou melhor, se repetir.

E a questão do clima adverso que têm provocado também diversos apagões?

É triste ver que a questão energética e de infraestrutura, ainda não é prioridade em nossos governos, todos eles, municipais, estaduais e federal.

Pois eu já ia esquecendo do contrato.

Ficou assim:

O cliente ligou e disse que não poderia ir assinar naquele dia, pois não tinha conseguido gravar em disquete os arquivos que eram objeto do contrato pois também faltou energia em seu escritório.

Assinamos tudo no outro dia.

Até quarta-feira, se não faltar energia e conexão com a internet. (rsrsrsrsrs)


Tags: luz, energia, internet, temporal, clima, apagão






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