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10.11.2017 | Opinião

A Noite dos Cristais

Nazistas pintam a Estrela de Davi em um estabelecimento comercial pertencente a judeus

O 9 de novembro é a data mais marcante da história da Alemanha, pelo menos na memória atual do povo alemão. As lembranças que essa data trazem a mente desse povo que muito influenciou minha infância e adolescência (sou um legítimo brasileiro, cruza de quatro etnias), passam de momentos de alegria até o horror.

Essa data representa o fim da monarquia, a perseguição aos judeus e a queda do Muro de Berlim.

Em 9 de novembro de 1918, o socialdemocrata Philipp Scheidemann proclamava de uma varanda do Reichstag, em Berlim, a primeira república do país, a República de Weimar.


Berlim, 9 de novembro de 1918:
Philipp Scheidemann proclama a República.

Em meu comentário da última segunda-feira, 6 de novembro de 2017, intitulado “Wind of Change”, falei sobre a história e a queda do Muro de Berlim ocorrida no dia 9 de novembro de 1989.

Aqueles que me acompanham sabem que de tempos em tempos gosto de tocar em temas relacionados a história da humanidade.

Para os alemães, como já disse, o dia 9 de novembro, não é lembrado somente como um dia de alegrias e comemorações.

Esse é o tema de hoje, um momento muito triste que antecedeu pouco antes do início da Segunda Guerra Mundial, e dava um pontapé inicial na política antissemita de perseguição aos judeus, implementada pelo Terceiro Reich, a Alemanha Nazista, liderada por Adolf Hitler e pelo Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães (NSDAP), mais conhecido como Partido Nazista.

Destruir e matar “em nome de Deus” virou uma regra aceita durante muitos séculos e, lamentavelmente, perdura mesmo na atualidade em pleno século XXI, em especial em algumas culturas.

Cada indivíduo, cada ser humano, tem o direito de crer ou não, de escolher sua fé, sua religião, da mesma maneira que escolhe seu partido político ou seu time de futebol. É uma decisão estritamente de cunho pessoal, íntima, e deve ser respeitada por todos os demais, “seja em nome de quem for”.

Não é a religião, o time de futebol ou o partido político que definem se uma pessoa será boa ou má, honesta ou desonesta.

Portanto, quando escolho um amigo ou amiga, não me interessa sua religião, partido ou time de futebol, e sim qual a postura moral e ética com que ele pauta sua vida.

Na história da humanidade passamos, e lamentavelmente ainda estamos passando, por momentos de total intolerância para com a diversidade da espécie humana.

Pogrom” é um ataque violento contra pessoas, com a destruição simultânea do seu ambiente (casas, negócios, centros religiosos). Historicamente, este termo tem sido usado para denominar atos em massa de violência, espontânea ou premeditada, contra judeus e outras minorias étnicas.

Esta palavra tornou-se internacional após a onda de pogroms que varreu o sul da Rússia entre 1881 e 1884, causando o protesto internacional e levando à emigração maciça dos judeus.

Em 9 de novembro de 1938, o Nacional Socialismo (nazismo) liderado por Adolf Hitler mostrava sua face mais sombria e suas garras aterrorizantes.

Naquela noite que ficou conhecida como a "Noite dos Cristais" (Kristallnacht ou Reichspogromnacht), por toda a Alemanha e Áustria, agentes nazistas à paisana assassinaram 91 judeus, incendiaram 267 sinagogas, saquearam e destruíram lojas e empresas da comunidade e iniciaram o confinamento de 25 mil judeus em campos de concentração.


A Sinagoga da Boemestrasse arde em chamas na Kristallnacht de 1938, em Frankfurt, Alemanha.

Este massacre marcou o início do Holocausto, que causou a morte de pelo menos seis milhões de judeus na Europa até o final da Segunda Guerra Mundial, conflito que vitimou mais de 50 milhões de pessoas.

Um detalhe muito, mas muito importante: As forças de segurança do estado alemão foram orientadas a não intervir contra os manifestantes que perpetravam estes atos de violência e vandalismo.

Primeiro foram os judeus. Depois os intelectuais, os políticos não alinhados com o poder, os comunistas, os não arianos, e por aí uma série de perseguições que levaram aos campos de extermínio milhões de pessoas.

Milhares foram torturados, mortos ou deportados para campos de concentração, lembrando sempre que não foram só os nazistas que fizeram isto.

Mas a perseguição nazista à comunidade judaica alemã já havia começado em abril de 1933, com a convocação aos cidadãos a boicotarem estabelecimentos pertencentes a judeus. Mais tarde, os judeus foram proibidos de frequentar estabelecimentos públicos, inclusive hospitais.

No outono europeu de 1935, a perseguição aos judeus, apontados como "inimigos dos alemães", atingiu outro ponto alto com a chamada "Legislação Racista de Nuremberg" (Nürnberger Gesetze).

Enquanto o resto do mundo “virava de costas” para esta questão, Hitler via confirmada sua política de limpeza étnica e preparava o caminho para a “Solução Final” (Endlösung der Judenfrage).

Mas vamos em frente...

Uma lei de 15 de novembro de 1935 havia proibido os casamentos e condenado as relações extraconjugais entre judeus e não-judeus. Havia ainda a proibição de que não-judeus fizessem serviços domésticos para famílias judaicas e que um judeu hasteasse a bandeira nazista.

Ainda em 1938, as crianças judias foram expulsas das escolas e foi decretada a expropriação compulsória de todas as lojas, indústrias e estabelecimentos comerciais pertencentes a judeus.

Em 1º de janeiro de 1939, foi adicionado obrigatoriamente aos documentos de judeus o nome Israel para homens e Sarah para mulheres.

A proporção da brutalidade do pogrom de 9 de novembro foi indescritível. Hermann Göring,  então chefe da SA (Tropa de Assalto), lamentou "as grandes perdas materiais" daquele 9 de novembro de 1938, acrescentando: "Preferia que tivessem assassinado 200 judeus em vez de destruir tantos objetos de valor!"

Nossa memória deve estar sempre viva e atenta.

Devemos sempre nos lembrar destes fatos ocorridos na Alemanha nazista para que isso nunca mais aconteça.

Nossa omissão pode servir de pretexto para que algum “cabo austríaco”, travestido com pele de cordeiro, possa dar o bote.


Tags: Kristallnacht, Noite dos Cristais, Hitler, nazismo, judeus, antissemita , antissemitismo, Holocausto






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