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25.04.2018 | Opinião

Um grito contra a violência

Ruínas de Guernica após o 'massacre' perpetrado pela Luftwaffe (Força aérea alemã-nazista)

Os amigos que me acompanham nessa jornada pelo ciberespaço desde 16 de abril de 2007 sabem que gosto muito de lembrar fatos de nossa história. Fatos do passado sempre servem para lembrar o bem e o mal da espécie humana e nos guiar para um futuro melhor.

Fatos esses que também nos ajudam a não permitir que o patrulhamento ideológico, que ainda impera aqui no PATROPI, nos transforme num país de “versões”, onde as hoje conhecidas “fake news”, já existem há décadas, instrumento utilizado para desconstruir verdades históricas e adversários  na política.

O Brasil é um dos raros países onde “acusar” alguém de ser anticomunista soa como desqualificação. Nossa esquerda defende a ética e a moralidade “dos outros”, como também defende regimes ditatoriais, como os de Cuba, Coréia do Norte, Venezuela, e todos os demais “cumpanheiros”.

Por várias vezes fui duramente criticado por “denegrir” a imagem dos regimes comunistas que assassinaram "apenas" 100 milhões de pessoas nos últimos cem anos.

Sendo assim, assumo sem nenhum medo ou constrangimento ser anticomunista, pois a história da humanidade me dará razão. Fatos são fatos.

Mas vamos lá...

Não são só as ditaduras de esquerda (que ainda perduram, prendem e matam muita gente) que cometeram ou cometem atrocidades.

Voltemos então a história...

Uma das obras mais significativas do pintor, escultor e desenhista espanhol Pablo Picasso é sem dúvida alguma o painel intitulado “Guernica”.

O quadro foi produzido em 1937, quando da Exposição Internacional de Paris. A obra pintada a óleo e medindo 350 por 780 cm, retrata o “massacre” perpetrado pela Luftwaffe (Força aérea alemã-nazista), à localidade de Guernica, no país Basco, no dia 26 de abril de 1937.

Naquela segunda-feira, a pequena cidade ainda intocada pela Guerra Civil Espanhola, estava cheia de vida. Seus cerca de cinco mil habitantes envolvidos em seus afazeres diários quando no fim da tarde começaram os primeiros bombardeios.

Por volta das seis e meia veio o ataque principal dos aviões nazistas, em ondas sucessivas. Calcula-se que 22 toneladas de explosivos foram lançadas, entre pequenas bombas incendiárias e bombas de 250 quilos.

Trezentas pessoas morreram imediatamente, milhares ficaram feridas. Três quartos dos prédios da cidade foram arrasados em menos de três horas.

Mas qual o motivo de tanta bestialidade?

A história diz que com o fracasso da tomada da capital Madri, a pequena cidade entrou na mira dos fascistas liderados pelo generalíssimo Francisco Franco.

O então futuro ditador espanhol contava com o apoio da Alemanha nazista e da Itália fascista em seu intento de tomar o poder na Espanha. Hermann Göring, comandante da Luftwaffe alemã, queria utilizar a Guerra Civil Espanhola como campo de testes para os pilotos e as máquinas de sua nova Força Aérea, nada muito diferente do que se faça nos dias atuais.


Guernica era só ruínas após o bombardeio perpetrado por aviões a mando de Adolf Hitler, que testava suas armas de guerra.

Daí a sede de poder aliada a falta de escrúpulos teve como resultado este massacre histórico.

Guernica transformou-se em símbolo. O ataque da Legião Condor foi o primeiro bombardeio aéreo maciço contra uma população civil na história europeia. A partir daí, as mortes entre as populações civis foram consideradas apenas “efeitos colaterais” (collateral damages) nos campos de batalha.

Conta-se que, em 1940, com Paris ocupada pelos nazistas, um oficial alemão, diante de uma fotografia reproduzindo o painel, perguntou a Picasso se havia sido ele quem tinha feito aquilo. O pintor, então, teria respondido: Não, foram vocês!

Passados sessenta anos do episódio, o então presidente da Alemanha, Roman Herzog, pediu perdão aos habitantes da cidade: Quero assumir a responsabilidade pelo passado e reconhecer expressamente o envolvimento culposo dos pilotos alemães. Eu pranteio com vocês os mortos e feridos. Aos que ainda carregam consigo as feridas do passado, estendo minha mão num pedido de reconciliação.

Esta obra do pintor espanhol falecido em 8 de abril de 1973 é um verdadeiro grito contra a violência. Pablo Picasso captou com sua genialidade e sensibilidade todo o horror ocorrido naquele 26 de abril.

O quadro, transferido para Nova York durante a Segunda Guerra Mundial, recebeu do pintor a ordem expressa de que apenas quando a Espanha voltasse a ser um país democrático poderia para lá retornar. A obra ficou sob a guarda do Museu de Arte Moderna de Nova York até que a 9 de setembro de 1981 chegou ao final a peregrinação da obra a que chamavam os espanhóis de el último exiliado”.

De Guernica até hoje vários massacres iguais ou maiores se repetiram contra populações civis.

Em pleno século XXI, essa prática do que há de pior na espécie “dita” humana, permanece. A cada dia recebemos notícias de massacres e mais massacres contra populações civis em todo o planeta. Vejam o que os jihadistas do Estado Islâmico estão fazendo espalhando terror contra tudo e contra todos, sejam mulheres, crianças ou o que for.

No ano passado assistimos a uma polêmica que envolveu o Vaticano que hoje têm a frente o Papa Francisco.

O Santo Padre tocou numa ferida que a Turquia não quer lembrar e nega o ocorrido até hoje: o Genocídio Armênio.

Também conhecido como Holocausto Armênio ou ainda Massacre dos Armênios culminou com a matança de mais de um milhão e meio de pessoas de origem armênia que viviam no Império Otomano, hoje Turquia.


Abril de 1915: armênios escoltados por soldados turcos marchando da cidade de Mamüret-Ul Aziz (Kharberd - Kharpert para os armênios, atual Elazığ) para um campo de prisioneiros.

Francisco pede que a Turquia reconheça sua culpa nesse massacre ocorrido ainda no rastro da Primeira Guerra Mundial.

No Brasil vivem aproximadamente quarenta mil armênios-brasileiros, vítimas e sobreviventes desta diáspora. A maior parte desses brasileiros de coração vivem em São Paulo, Rio de Janeiro e em Recife.

Adota-se a data de 24 de abril de 1915 como início do massacre, por ter sido o dia em que dezenas de lideranças armênias foram presas e assassinadas em Istambul. O massacre caracterizou-se pela sua brutalidade e utilização de marchas forçadas com deportações, que geralmente levava a morte de muitos dos deportados. Outros grupos étnicos também foram massacrados pelo Império Otomano durante esse período, entre eles os assírios e os gregos de Ponto. Alguns historiadores consideram que esses atos são parte da mesma política de extermínio.


Intelectuais armênios assassinados em 24 de abril de 1915.
Krikor Zohrab, Daniel Varoujan, Rupen Zartarian, Ardashes Harutunian e Siamanto;
Ruben Sevak, Dikran Chökürian, Diran Kelekian, Tlgadintsi e Erukhan.

Mas vamos em frente...

Vale lembrar que o governo brasileiro não reconhece esse massacre até hoje, mas isso é outra história.

O mais triste é que todas as ideologias perpetraram atos de barbarismo, e isso não pode ser negado ou apagado da história.

Matamos até mesmo em nome de Deus!

Até quando?


Tags: Guernica, Segunda Guerra Mundial, nazismo, facismo, Picasso, Hitler, Franco, Armênia, armênio, genocídio armênio, Turquia, Otomano






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