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07.05.2018 | Opinião

É proibido proibir

Protestos em Paris – maio de 1968 – É proibido proibir

Maio de 1968 simbolizou o auge de um momento de intensas transformações políticas e comportamentais que marcaram a segunda metade do século 20 no Ocidente.

Em 1965, na periferia da capital francesa, instalou-se a Universidade Nanterre para acolher estudantes que não ingressavam no circuito superior tradicional (Sorbonne, Escola Normal, Escola Politécnica, etc...).

Nesta época surgia na França um movimento da juventude contra a sociedade conservadora e antiquada dos seus “pais e avós”.

Em meio a este turbilhão, surgia uma forte agitação a favor da revolução sexual, da democratização dos costumes, das modificações da Igreja e de uma abordagem existencial da vida.

As “batalhas” em Paris começaram dois meses antes na Universidade Nanterre por um motivo aparentemente sem importância: a reitoria da instituição, onde estudavam cerca de 12 mil estudantes, proibiu que rapazes visitassem moças em seus dormitórios.

O jovem judeu-alemão Daniel Marc Cohn-Bendit reuniu um grupo de 100 colegas e invadiu a secretaria da Universidade. O incidente foi a princípio um fato isolado, mas foi onde nasceu a estrela de Daniel (conhecido posteriormente como Dany Le Rouge – Daniel, o Vermelho) no meio estudantil.


Daniel Cohn-Bendit em 1968.

Em 2 de maio de 1968 a universidade de Nanterre foi fechada pelas autoridades francesas. No dia seguinte, 3 de maio, a Universidade de Paris foi ocupada pelos seus alunos como resposta ao fechamento da universidade de Nanterre no dia anterior.

Teve início uma onda de ocupações das universidades por toda a França. A polícia atacou brutalmente os estudantes. Estes foram às ruas denunciando não só a brutalidade e a repressão policial, mas também a Guerra do Vietnã e as políticas imperialistas dos governos francês e norte-americano. Este movimento estudantil espalhou-se como rastro de pólvora, originando greves e ocupações em diversas Universidades.

O governo do presidente Charles de Gaulle usou de grande violência para restabelecer a ordem, que é lembrada até hoje. O protesto estudantil contra o autoritarismo e o anacronismo das Academias rapidamente se transformou, com a adesão dos operários, numa contestação política ao regime gaullista. Foram ocupadas universidades, fábricas e outros setores produtivos. Estudantes e trabalhadores aderiram a manifestações e estiveram unidos nas greves ou nas barricadas com que enfrentaram as chamadas forças da ordem.

Em 6 de maio de 1968, uma passeata foi convocada pela União Nacional de Estudantes da França e pelo sindicato dos professores universitários. O objetivo era protestar contra a invasão da Universidade de Sorbonne pela polícia. A marcha teve a participação de mais de 2 mil estudantes, professores e simpatizantes do movimento, que avançaram em direção à Sorbonne, sendo violentamente reprimidos pelo aparato policial francês.

A multidão se dispersou, mas alguns manifestantes começaram a erguer barricadas, enquanto outros lançavam pedras contra os soldados, que foram obrigados a bater em retirada. Depois de se reagrupar, a polícia retomou a ofensiva, disparando bombas de gás lacrimogêneo e prendendo centenas de estudantes.

Alguns dias depois, em 10 de maio, outras concentrações voltaram a acontecer em Paris com barricadas e incêndios de viaturas policiais no bairro latino Quartier Lati .

A multidão ergueu novas barricadas e se preparou para resistir ao ataque policial, que aconteceu no começo da madrugada. Os confrontos duraram até o amanhecer do dia seguinte, resultando na prisão de outras centenas de manifestantes, além de deixar um grande número de feridos.

Enquanto a agitação causada pelos protestos contra a Guerra do Vietnã (1959-1975) se instalava nos campi norte-americanos, o maio parisiense se estendeu a países como a Itália, a Alemanha, o Brasil, a Turquia e o Japão.

No auge do movimento, quase dois terços da força de trabalho da França cruzaram os braços. Pressionado, no dia 30 de maio de 1968 o presidente Charles De Gaulle convocou eleições para junho daquele ano. Com a manobra política (que desmobilizou os estudantes) e promessas de aumentos salariais (que fizeram os operários voltar às fábricas), o governo retomou o controle da situação. As eleições foram vencidas por aliados de De Gaulle e a crise acabou. Mas De Gaulle acabou renunciando à presidência francesa em 28 de abril de 1969, depois de perder um referendo sobre a reforma do Senado e a regionalização.

Alguns filósofos e historiadores afirmam que essa rebelião em 1968 foi o acontecimento revolucionário mais importante do século XX, porque não se deveu a uma camada restrita da população, como trabalhadores ou minorias, mas a uma insurreição popular que superou barreiras étnicas, culturais, de idade e de classe.

Est interdit d’interdire!” (É proibido proibir!).

Era esse o grito que se escutava em uníssono nas ruas de Paris e que depois virou slogan de toda uma geração mundo afora.

Lembro o quanto esse movimento marcou minha juventude e de muitos outros brasileiros.

Hoje, assisto com muita tristeza que muitos daqueles que lá em 1968 protestavam contra a ditadura aqui no Brasil e de que havia corrupção no governo da época, montaram um sistema de saque ao Estado, nunca antes visto nem no Brasil, nem em nenhum outro lugar do planeta.

Não tenho nenhuma dúvida que a corrupção existe em todos os governos do mundo, mas nada se iguala ou fica próximo do que acontece em nosso Brasil de hoje.

Nós merecemos que seja feita uma verdadeira faxina em todos os poderes, no Executivo, no Legislativo e no Judiciário.

Não podemos mais tolerar “conchavos”, como estamos assistindo mais uma vez, para manter essa corja que se apoderou do poder em nosso país.

Cadeia neLLes.


Tags: Paris, revolução, estudantes, greve, 1968, Sorbone, manifestações






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