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04.06.2018 | Opinião

Massacre na Praça da Paz

Foto do rapaz que ficou conhecido como 'o rebelde desconhecido' de Jeff Widener, da Associated Press

Lembro-me como se fosse ontem de mais esse incidente histórico que mais uma vez lembro em meu comentário de hoje.

Naquela época gostava muito de assistir na TV à cabo, a CNN (Cable News Network), que apresentava quase que instantaneamente o que acontecia no mundo. Hoje existem mais alternativas, até mesmo redes nacionais. Eu, e muitos, acompanhamos ao vivo tudo pela televisão, o que passo a relatar.

Era mais uma noite quente de verão quando os tanques cercaram a Praça da Paz Celestial  (em chinês simplificado 天安门广场 e tradicional 天安門廣場; em pinyin Tiān'ānmén Guǎngchǎng, também conhecida como Tiananmen), em Pequim, capital da República Popular da China. É a terceira maior praça pública do mundo, sendo superada apenas pela Praça Merdeka, localizada em Jacarta, na Indonésia, e pela Praça dos Girassóis, localizada em Palmas, no Brasil.


Praça Tian'anmen, onde ocorreram os principais protestos.

O mundo acompanhava com grande expectativa o que acontecia, pois parecia que ventos de liberdade chegavam a este país que vivia e ainda vive sob forte repressão desde antes da “Era Mao”.

Corrupção, muita corrupção dentro do Partido Comunista Chinês aliada a morte, em 15 de abril de 1989, do líder reformista Hu Yaobang de um ataque cardíaco em Pequim, foi o estopim para que milhares de chineses ocupassem as ruas de todo o país, atacando os conservadores. Este tipo de protesto não tinha precedentes na China.

Não posso esquecer, pois naquele momento já começávamos a assistir muita coisa ao vivo pela televisão, em especial pela rede norte-americana CNN. Era algo, para nós brasileiros, eventualmente distante, mas para aqueles que viveram o Regime Militar pós 1964 aqui no Brasil, significava muito.

De meados de abril até 4 de junho de 1989, acompanhávamos o desenrolar de um “sonho de liberdade”, algo inimaginável até então que culminou com o Massacre da Praça da Paz Celestial.

O que mais me dói naqueles mortos (estimados entre 3,5 e 5 mil estudantes), foi a nossa impotência de fazer algo para ajudar. Assistíamos desolados pela televisão, ao-vivo, um massacre sem precedentes.

Os soldados chineses estacionados em Pequim, negaram-se a agir contra os protestos, contra os estudantes que sonharam por alguns dias com democracia. Foram chamados soldados que serviram em outras frentes, sem laços com a população de Pequim e estes sim, agiram sem escrúpulos atirando contra a população desarmada.

Lembro até hoje daquela coluna de tanques que foi “barrada” por um solitário estudante...


Foto do rapaz que ficou conhecido como "o rebelde desconhecido" de Jeff Widener, da Associated Press

Na noite de 4 para 5 de junho, foi dada a ordem. Os soldados avançaram sem piedade sobre os milhares de estudantes. O movimento pela democracia na China foi esmagado “a ferro e a fogo”.

O governo chinês nega até hoje a existência do massacre, mas as mortes e as imagens dos tanques nas ruas de Pequim ainda são lembradas em todo o mundo.

Todos os anos as autoridades chinesas aumentam as medidas de segurança em torno do aniversário do massacre.

Em honra aos que tiveram coragem de “sonhar”, não podemos esquecer jamais o que aconteceu naquela noite de junho de 1989.


Tags: massacre, Pequim, Praça da Paz Celestial, China, repressão, censura, Tiananmen






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