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16 de Fevereiro de 1878.

Inauguração do “Theatro da Paz”, em Belém do Pará, com o drama de A. D’annery, “As duas órfãs”


O “Theatro Nossa Senhora da Paz”, ou simplesmente “Theatro da Paz”, localiza-se na cidade de Belém, no estado do Pará, no Brasil, construído com recursos auferidos da exportação de látex, no Ciclo da Borracha. Atualmente é o maior teatro da Região Norte e um dos mais luxuosos do Brasil, com cerca de 130 anos de história é considerado um dos teatros-monumentos do país.

Possui linhas neoclássicas e foi construído no período áureo da exploração da borracha na Amazônia. O seu nome foi sugerido pelo bispo D. Macedo Costa. Também foi ele quem lançou a pedra fundamental do edifício, em 3 de março de 1869.

O teatro também sofreu alterações na sua fachada, após reformas. Por exemplo, foram reduzidas as quantidades de colunas na entrada central do teatro. Entretanto, suas linhas arquitetônicas gerais foram mantidas.

O autor do projeto foi o engenheiro José Tibúrcio Pereira Magalhães, com pequenas alterações introduzidas pela repartição de Obras Públicas. Ficou pronto em 1874, mas devido a denúncias contra os construtores, um inquérito foi aberto e o teatro só foi inaugurado após a sua conclusão.

Com o drama de A. D’annery, “As duas órfãs”, no dia 16 de fevereiro de 1878, o “Theatro da Paz” foi aberto ao público, ao som da orquestra sinfônica do maestro Francisco Libânio Collas. O espetáculo foi organizado pela companhia de Vicente Pontes de Oliveira. O contrato durou cinco anos e fez de Vicente Oliveira o encarregado pela iluminação, decoração, coreografia e acessórios de cena no teatro, além de organizador das apresentações que se seguiram.

O Theatro da Paz, no dizer de Leandro Tocantins, é um monumento neoclássico por excelência. Nas laterais, pátios cercados de colunas, escadas que dão acesso à Praça da República. Poltronas de palhinhas, (não de almofada), seguindo o formato de ferradura. No saguão, há dois bustos talhados em mármore de carrara: José de Alencar e Gonçalves Dias, introdutores do indianismo no Brasil. No salão nobre, ao lado de espelhos de cristal, estão os bustos dos maestros Carlos Gomes e Henrique Gurjão.

Ali Carlos Gomes encenou sua mais famosa ópera, O Guarani, e a bailarina russa, Ana Pavlova, passou com suas sapatilhas. O decorador desse cenário privilegiado foi o italiano Domenico de Angelis que, posteriormente, decorou o Teatro Amazonas, de Manaus. Ele foi também o autor do belo painel representando os deuses gregos, Apolo e Diana, no cenário amazônico que fica no teto da sala de espetáculos. Dele também era o teto de jover, perdido por causa de uma infiltração. Esse teto foi repintado em 1960 por outro artista italiano, Armando Baloni.

Em 1904, durante o governo de Augusto Montenegro, quatro bustos representando a música, a poesia, a comédia e a tragédia passaram a fazer parte desse cenário. Durante a Ciclo da Borracha, as mais famosas companhias líricas se apresentaram ali. O teatro viveu momentos inesquecíveis porém, com o declínio da borracha, o Theatro da Paz passou por maus momentos. Sem apresentações, estava quase sempre fechado, e as restaurações não eram suficientes para lhe garantir um bom funcionamento.

Tags: Teatro, inauguração, peça, Belém do Pará, A. D’annery, As duas órfãs






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