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Quarta-Feira, 23 de Fevereiro de 1948.

Começa a Conferência das Seis Potências, onde representantes dos Estados Unidos, Reino Unido, França, Bélgica, Luxemburgo e Holanda, discutiram o futuro das zonas de ocupação da Alemanha.

'Nova moeda, novos preços', após a reforma monetária de 1948

Após a Segunda Guerra Mundial, a aliança das potências vencedoras foi abalada por confrontos internos, do que resultaram idéias divergentes quanto à política alemã. A arquitetura política da República Federal da Alemanha foi debatida, pela primeira vez, na Conferência das Seis Potências, em Londres.

O governador de Baden-Württemberg, Reinhold Maier (do Partido Liberal), fez quatro reivindicações aos participantes da conferência: O reconhecimento internacional da Alemanha como Estado autônomo; um acordo de paz, ao qual temos direito, dois anos e meio após a capitulação incondicional; a definição das reparações em termos que nos garantam uma base econômica; e, finalmente, a libertação de nossos prisioneiros de guerra.

Os participantes da Conferência das Seis Potências, entre 23 de fevereiro a 2 de junho de 1948, concordaram em fomentar a recuperação econômica das três zonas ocidentais com recursos do Plano Marshall (que, entre 1948 e 1952, forneceu 14 bilhões para a reconstrução Europeia). Em troca do apoio a essa decisão, a França obteve o direito de anexar a região do Sarre ao seu próprio território. Paris também se dispôs a apoiar a reforma monetária alemã, que entrou em vigor com a introdução do marco alemão (Deutsche Mark) a 20 de junho de 1948.

Os franceses queriam que a Alemanha fosse organizada apenas como confederação informal de Estados, enquanto os ingleses e norte-americanos propunham a criação de uma república federativa. No final, chegou-se ao acordo de formar um governo alemão-ocidental, baseado no sistema de governo democrático federativo.

Conferência selou divisão da Alemanha...

Com isso, os Aliados não só demonstraram a intenção de criar um Estado alemão. Na prática, selaram a divisão do território alemão, um fato reconhecido pelo vereador berlinense Walther Schreiber (da CDU), numa crítica aos resultados da Conferência de Londres. A definição da organização de nosso país é um assunto estritamente interno que deve ser decidido livremente pelo nosso povo. Para a autoridade da futura Constituição alemã seria importante que todas as potências de ocupação evitassem intervir na questão estritamente alemã da formação do nosso Estado, escreveu.

A Conferência das Seis Potências aprovou uma série de recomendações que, a 1º de julho de 1948, foram entregues aos governadores alemães, na forma dos Documentos de Frankfurt. O texto levemente modificado previa a convocação de uma Assembleia Nacional Constituinte e a elaboração de um estatuto de regulamentação das relações entre o governo alemão-ocidental e as potências de ocupação.

Os governadores rejeitaram a expressão Verfassung (Constituição) e sugeriram, em vez disso, o uso do termo Grundgesetz (Lei Fundamental) – detalhe meramente semântico sem qualquer significado político. Eles tiveram dificuldade ainda maior em dar um sentido real à palavra democracia: rejeitaram a realização de um plebiscito constitucional, sob o pretexto de que os parlamentos estaduais deveriam aprovar a Lei Fundamental.

... e acelerou cisão entre Aliados

A Conferência de Londres acelerou a divisão das potências aliadas, vencedoras da Segunda Guerra Mundial. No dia 20 de março de 1948, o representante soviético na 82ª sessão do Conselho Controlador, marechal Sokolovski, exigiu informações sobre as negociações de Londres. Percebendo que recebia apenas respostas evasivas dos diplomatas ocidentais, abandonou o Conselho, para nunca mais voltar.

Enquanto as potências ocidentais ainda elaboravam as recomendações aos governadores alemães-ocidentais, Stalin usou a introdução do Deutsche Mark como pretexto para fazer um bloqueio a Berlim Ocidental, no verão europeu de 1948. Foi o primeiro incidente de repercussão internacional da Guerra Fria, que duraria 40 anos, até a queda do Muro de Berlim, em 1989.

Fonte: Deutsche Welle


Tags: Conferência, Segunda Guerra Mundial, divisão, Alemanha






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