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02 de março de 1983.

Justiça com as próprias mãos: Marianne Bachmeier é condenada por matar estuprador e assassino de sua filha


Um caso sem precedentes abalou a Alemanha na década de 1980. Uma mãe fez justiça com suas próprias mãos, matando o suposto estuprador e assassino de sua filha, uma menina de sete anos. A partir daí surgiu uma dúvida: instinto materno ou criminoso? No dia 2 de março de 1983, ela foi condenada a seis anos de prisão.

Marianne Bachmeier não demonstra nenhum remorso, 13 anos depois de matar, a sangue frio e dentro do tribunal, o provável estuprador e assassino de sua filha Anna, então com sete anos de idade. Autoconfiante ela fala a um âncora de rádio sobre sua nova vida na Sicília, na Itália.

Foi para lá que ela se mudou, depois de uma breve passagem pela Nigéria, após cumprir pena na prisão pela morte de Klaus Grabowski. Ela não suporta mais a Alemanha, principalmente a cidade de Lübeck, onde tudo começou.

Para mim é uma cidade de assassinos. Lübeck pode ser muito bonita, mas para mim está muito ligada a todo esse processo, afirma Bachmeier, que desde o caso não conseguiu desligar essa imagem que desenvolveu da cidade.

Era lá que Marianne morava com sua filha Anna, até ela cair nas mãos de Klaus Grabowski, que primeiro abusou sexualmente da menina, assassinando-a em seguida. Ele já havia sido punido por crime sexual, tendo se deixado castrar para poder sair da prisão. Já em liberdade e com uma nova namorada, ele recebeu injeções de hormônios masculinos, que restabeleceram seus instintos.

O porquê da sua ação

Falhas e descuidos dos juízes, médicos e assistentes sociais responsáveis pelo caso de Grabowski foram discutidos no novo julgamento, pois podem ter contribuído fortemente para a iniciativa de Bachmeier, uma vez que o assassino de sua filha não teria sido devidamente punido.

Eu não queria ir para o julgamento. Eu teria de depor sobre o caráter de minha filha. Fui ameaçada até de aplicação de medidas disciplinares no caso de ausência, o que era uma provocação. Ninguém deveria se surpreender com o que aconteceu, afirma a mãe.
Bachmeier chegou ao primeiro dia do julgamento carregando uma Beretta calibre 22. Atirou oito vezes nas costas do réu, acertando sete. Grabowski morreu e Marianne foi presa, acusada de homicídio. O julgamento acabou levando-a ao estrelato, e os relatos da imprensa sobre o caso dividiram a opinião pública: um caso de justiça com as próprias mãos, algo que, nestas condições, jamais havia sido visto no país.

Os jornais, revistas e diversas emissoras cobriram o caso à exaustão, tanto que a revista Stern publicou uma biografia de Bachmeier em 13 capítulos. Também foram planejados dois filmes sobre a história da mãe que vingou a morte de sua filha.

O outro lado da moeda

Eu só recebi cartas de apoio, regularmente vinha correspondência de fãs. As pessoas tiveram muita compreensão por mim, afirma. Porém, também houve a reação oposta.

A vida de Marianne foi escancarada publicamente para todos os que quisessem ler, ver e ouvir: uma infância miserável, com um pai membro da SS, disciplina severa, humilhações, estupros, fugas, primeira gravidez aos 16 anos, uma segunda aos 18, sendo ambas as crianças entregues para adoção.

Anna, sua terceira criança, também era para ter sido entregue a pais adotivos, já que sua mãe não queria mais ser responsável por ela. Juntamente com o pai da menina, ela dirigia um bar em Lübeck, no qual a principal clientela eram esquerdistas alternativos, que ocupavam prédios inteiros e protestavam contra a tecnologia nuclear, confrontando-se freqüentemente com a polícia e desafiando as leis do país.

Ambiente familiar

Marianne fazia parte deste cenário. Um ambiente apropriado para uma criança? Bachmeier tinha sido uma mãe correta ou mais uma mulher de vida mundana? Estes eram os questionamentos que a imprensa sensacionalista fazia na época. O tribunal precisava então decidir-se sobre homicídio culposo ou doloso, se Bachmeier tinha atirado com intenção criminosa ou pelo verdadeiro abalo emocional.

Não se pode tratar homicídio culposo e doloso da mesma maneira, pois isso faria de todo soldado um assassino. Para mim o como é muito importante. Eu tive que ouvir quando o assassino de minha filha descreveu a forma como ele a matou. Apertou o pano ao redor do seu pescoço cada vez mais forte. Aí eu atirei, confessa Bachmeier.

O veredicto

No dia 2 de março de 1983 os juízes de Lübeck acabaram decidindo-se por homicídio doloso e a condenaram a seis anos de prisão. Ela jamais lamentou seu ato. Mas para a Alemanha ela virou as costas, indo trabalhar como enfermeira de doentes terminais na Sicília, onde também escreveu um livro sobre sua vida. Marianne Bachmeier morreu em 1996, de câncer.

Fonte: [link=http://www.dw-world.de/dw/0,,607,00.html?id=607]Rádio Deutsche Welle [/link]

Tags: Justiça, estuprador, estupro, Marianne Bachmeier






Opinião do internauta

  • Daniel (19.12.2012 | 16.13)
    Olá! Acabei de ler, há relativamente pouco tempo, o livro A MÃE DE ANNA, de Heiko Gebhardt, e notei algumas discordâncias entre ele e este artigo: em primeiro lugar, Grabowski não abusou sexualmente de Anna Bachmeier, ou pelo menos nada foi provado nesse aspecto; em segundo lugar, Marianne Bachmeier não assassinou Klaus Grabowski no primeiro dia de audiências, mas sim no terceiro. Cumprimentos
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