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13 de Março de 1881.

Um terrorista russo, membro do movimento 'A Vontade Popular' de cunho anarquista, assassina o Czar Alexandre II. O anarquismo russo, denominado de Narodniki, propunha reformas socialistas e a extinção de qualquer forma de governo

Alexandre II, Imperador e Autocrata de Todas as Rússias Rei da Polônia e Grão-Duque da Finlândia

Alexandre II (Moscou, 29 de abril de 1818 – São Petersburgo, 13 de março de 1881), apelidado de "o Libertador" pela Reforma Emancipadora de 1861, foi o Imperador da Rússia de 2 de março de 1855 até seu assassinato. Era o filho mais velho do imperador Nicolau I e sua esposa a princesa Carlota da Prússia.

É conhecido por suas reformas liberais e modernizantes, através das quais procurou renovar a cristalizada sociedade russa. Em 19 de fevereiro de 1861, decretou o fim da servidão na Rússia. Foram libertados, ao todo, 22,5 milhões de camponeses servos - preservando-se, todavia, a propriedade dos latifúndios.

Reinado

Alexandre II subiu ao trono após a morte do seu pai em 1855. O primeiro ano do seu reinado foi dedicado à continuação da Guerra da Crimeia e, após a queda de Sebastopol, às negociações de paz lideradas pelo seu conselheiro de confiança, o príncipe Gorchakov.


A coroação de Alexandre II em 7 de setembro de 1855, por Mihály Zichy

O país estava exausto e tinha sido humilhado pela guerra. Havia subornos, roubos e corrupção por todo o lado. Encorajado pela opinião pública, o czar deu início a um período de reformas radicais que incluíram uma tentativa de fazer com que a aristocracia que possuía terras não controlasse tanto os pobres, uma atitude que tinha como objetivo desenvolver os recursos naturais russos e reformar todos os sectores da administração.

Em 1867, Alexandre vendeu a província do Alasca aos Estados Unidos por sete milhões de dólares (o equivalente a cerca de 200 milhões de dólares nos dias de hoje) depois de ter reconhecido a dificuldade que tinha em defendê-la da Grã-Bretanha e do Canadá.

Emancipação dos servos

Pouco depois de concluir as negociações de paz, foram levadas a cabo mudanças importantes na legislação que regia a indústria e o comércio e a nova liberdade concedida permitiu a produção de um grande número de empresas de confiança duvidosa. Foram feitos planos para construir uma grande rede de caminhos-de-ferro em parte com o objetivo de desenvolver os recursos naturais do país e em parte para aumentar o seu poder de defesa e ataque.

A questão da existência de escravidão foi abordada com coragem, aproveitando uma petição que tinha sido apresentada pelos proprietários de terras polacos nas províncias lituanas no sentido de melhorar a sua relação com os servos (de forma mais satisfatória para os proprietários), o czar autorizou a formação de comités para melhorar as condições dos camponeses, e criou as bases para que essa melhora fosse eficaz.

A este passo seguiu-se outro ainda mais significante. Sem consultar os seus conselheiros habituais, Alexandre ordenou que o Ministério do Interior enviasse uma circular aos governadores provinciais da Rússia ocidental (a servidão era rara noutras partes do império), que tinha uma cópia com instruções que tinham também sido enviadas ao governador-geral da Lituânia e que elogiava as supostas intenções generosas e patrióticas dos proprietários de terras na Lituânia, sugerindo que talvez outros proprietários de outras províncias devessem ter o mesmo desejo. A sugestão foi levada a cabo e assistiu-se à formação de comités para a emancipação em todas as províncias onde ainda existia servidão.

A emancipação não era uma questão meramente humanitária capaz de ser resolvida instantaneamente pelo decreto imperial. Tinha muitos problemas complicados que afetavam profundamente o futuro econômico, social e político da nação.

Alexandre teve de escolher entre as medidas distintas que lhe eram recomendadas e decidir se os servos se tornaram trabalhadores da agricultura dependentes econômica e administrativamente dos seus senhores ou se tornaram numa classe de proprietários comunitários independentes.

O imperador deu o seu apoio ao segundo projeto e os camponeses russos tornaram-se um dos últimos grupos da Europa a deixar o velho sistema de servidão.

Os criadores do manifesto da emancipação foram o irmão de Alexandre, o grão-duque Constantino Nikolaevich, Yakov Rostovtsev e Nikolay Milyutin.

A 3 de março de 1861, seis anos depois de subir ao trono, a lei da emancipação foi assinada e publicada.

Outras reformas

Em resposta à derrota desastrosa sofrida pela Rússia em 1856 durante a Guerra da Crimeia e aos avanços na área militar que estavam a acontecer noutros países europeus, o governo russo reorganizou o exército e a marinha e deu-lhes novas armas. As mudanças incluíram o recrutamento militar obrigatório, que começou a 1º de janeiro de 1874. Agora, os homens de todas as províncias, ricos ou pobres, tinham de prestar serviço militar. Outras reformas militares incluíram criar uma reserva no exército e de um sistema de distritos militares (que ainda era um usado um século depois), a construção de caminhos-de-ferro estratégicos e uma maior importância na educação militar dos oficiais. O castigo corporal e a marcação de soldados a fogo foram banidos.

Uma nova administração judicial (1864), baseada no modelo francês, introduziu a segurança de mandato. Também entraram em vigor um novo código penal e um sistema civil e criminal mais simplificados. O poder judicial foi reorganizado de forma a incluir julgamentos em tribunal aberto com juízes nomeados para o resto da vida, um sistema de jurados e a criação de justiças da paz para lidar com pequenos crimes a nível local.

A burocracia de Alexandre instituiu um sistema elaborado de autogoverno local (zemstvo) para distritos rurais (1864) e grandes cidades (1870), com assembleias eleitorais que tinham um poder restrito de cobrar impostos e uma nova polícia rural e municipal foi criada sob a direção do Ministério do Interior.

Supressão dos movimentos separatistas

No início do seu reinado, Alexandre proferiu a conhecida expressão "Não sonhem" dirigida aos polacos que habitavam o Congresso Polonês, o ocidente da Ucrânia, a Lituânia, a Letônia e a Bielorrússia. O resultado desta declaração foi a Revolta de Janeiro de 1863-64 que foi suprimida depois de dezoito meses de luta.

Centenas de polacos foram executados e milhares foram deportados para a Sibéria. O preço da supressão foi o apoio russo para a unificação alemã. Anos mais tarde, a Alemanha e a Rússia tornar-se-iam inimigas.

Encorajamento do nacionalismo finlandês

Em 1863, Alexandre II restabeleceu o Diet da Finlândia e deu início a várias reformas que aumentavam a autonomia finlandesa da Rússia incluindo a criação da sua própria moeda, o markka. A liberalização das indústrias levou a um aumento do investimento estrangeiro no país e ao seu desenvolvimento industrial.

Finalmente, a elevação do finlandês de língua dos camponeses a língua oficial da nação, com o mesmo estatuto do sueco, criou oportunidades para uma maior fatia da sociedade. Alexandre II é ainda chamado de "O Bom Czar" na Finlândia.

Estas reformas podem ser vistas como resultado da crença de que as reformas eram mais fáceis de testar num país pouco povoado e homogêneo do que em toda a Rússia. Podem também ter sido uma recompensa pela lealdade da população mais virada para o ocidente durante a Guerra da Crimeia e a Revolta Polonesa. Encorajar o nacionalismo finlandês e a sua língua pode também ser considerado como uma tentativa de afastar o país da Suécia.

Reinado durante a Guerra Russo-Caucasiana

Foi durante o reinado de Alexandre II que a Guerra Russo-Caucasiana atingiu o seu ponto mais crítico. Pouco antes do final da guerra com a vitória russa, o exército russo, seguindo ordens do imperador, tentou eliminar os montanhistas naquilo que muitos historiadores apelidaram de "limpeza".

Tentativas de assassinato

Em 1866, houve uma tentativa para matar Alexandre em São Petersburgo levada a cabo por Dmitry Karakozov. Para comemorar o facto de ter escapado por pouco à morte (à qual se viria a referir como o acontecimento de 4 de abril de 1866), foram construídas várias igrejas e capelas em muitas cidades russas. Viktor Hartmann, um arquitecto russo, chegou mesmo a desenhar um portão monumental (que nunca chegou a ser construído) para comemorar o acontecimento.

Na manhã de 20 de abril de 1879, Alexandre estava a fazer uma caminhada até à Praça dos Guardas e encontrou-se com Alexandre Soloviev, um antigo estudante de trinta-e-três anos. Tendo visto um revólver ameaçador nas suas mãos, o imperador fugiu em zigzag. Soloviev disparou cinco vezes, mas falhou o alvo. Foi enforcado a 28 de maio, depois de ser condenado à morte.

O estudante agiu sozinho, mas sabia-se que existiam vários revolucionários que queriam matar Alexandre. Em dezembro de 1879, o grupo terrorista "A Vontade do Povo", que queria provocar uma revolução social, fez explodir a linha de comboio que ligava Livadia a Moscou, mas não conseguiram atingir o comboio do imperador.

Na noite de 5 de fevereiro de 1880, Stephan Khalturin, que também pertencia à Vontade do Povo, colocou uma bomba-relógio debaixo da sala de jantar do Palácio de Inverno, na sala de descanso dos guardas que ficava no andar de baixo. Por ter chegado atrasado para jantar, o imperador não ficou ferido, mas houve vários mortos e cerca de trinta feridos.

Assassinato

Após a última tentativa de assassinato em fevereiro de 1880, o conde Loris-Melikov foi nomeado chefe da Comissão Executiva Suprema e recebeu mais poderes para combater os revolucionários. As propostas de Loris-Melikov iriam incluir a criação de uma espécie de parlamento e o imperador pareceu concordar com ele, contudo estes planos nunca foram concretizados.

A 13 de março de 1881, Alexandre foi vítima de uma conspiração para o assassinar em São Petersburgo.


O assassinato de Alexandre II.

Como se sabia, todos os domingos, durante vários anos, o imperador ia visitar o Mikhailovsky Manège para assistir à chamada militar. Viajava para e regressava do Manège numa carruagem fechada acompanhada de seis cossacos e mais um sentado ao lado do cocheiro. A carruagem do imperador era seguida por dois trenós que levavam, entre outros, o chefe da polícia e o chefe dos guardas do imperador. A viagem, como sempre, fez-se pelo Canal de Catarina e por cima da Ponte Pevchesky. A estrada era apertada e tinha passeios para os peões de ambos os lados. Um jovem membro da Vontade do Povo, Nikolai Rysakov carregava uma pequena embalagem branca embrulhada num lenço de pano.

“Após um momento de hesitação, atirei a bomba. Atirei-a para debaixo dos cascos dos cavalos pensando que iria explodir debaixo da carruagem (...) A explosão atirou-me contra a cerca”.

Embora a explosão tenha matado um dos cossacos e ferido o condutor e pessoas que passavam na rua com gravidade, apenas conseguiu provocar danos na carruagem à prova de bala, um presente do imperador Napoleão III da França. O imperador saiu abalado, mas ileso. Rysakov foi capturado quase de seguida. O chefe da polícia, ouviu Rysakov a gritar para outra pessoa que estava no meio da multidão. Os guardas e os cossacos imploram ao imperador que deixasse imediatamente o local em vez de ir ver o local da explosão.

Apesar de tudo, um segundo membro jovem da organização terrorista, Ignaty Grinevitsky que estava perto da cerca do canal, ergueu ambos os braços e atirou algo para os pés do imperador. Alegadamente, Alexandre terá gritado: Ainda é cedo demais para agradecer a Deus. Dvorzhitsky escreveu mais tarde:

“Fiquei surdo após a segunda explosão, queimado, ferido e fui atirado para o chão. De repente, por entre o fumo e o nevoeiro da neve, ouvi a voz de Sua Majestade a gritar: 'Ajuda!' Juntando todas as forças que tinha, levantei-me e corri até ao imperador. Sua Majestade estava meio deitado, meio sentado, apoiado no seu braço direito. Pensando que ele estava apenas gravemente ferido, tentou levantá-lo, mas as pernas do czar estavam destruídas e o sangue escorria delas. Vinte pessoas, feridas de várias maneiras, estavam estendidas no passeio e na rua. Algumas conseguiam levantar-se, outras rastejavam, outras ainda tentavam sair debaixo de corpos que tinham caído em cima delas. Espalhados pela neve estavam detritos e sangue e podiam ver-se fragmentos de roupas, dragonas, sabres e pedaços sangrentos de carne humana”.

Mais tarde descobriu-se que havia um terceiro bombista na multidão. Ivan Emelyanov estava pronto agarrando uma mala de mão que tinha uma bomba que seria usada se as outras duas tivessem falhado.

Alexandre foi levado de trenó até ao Palácio de Inverno e depois para o seu escritório onde, ironicamente, quase exatamente vinte anos antes, tinha assinado o documento que tinha libertado os servos. Alexandre estava a perder muito sangue, tinha as pernas destruídas, o estômago aberto e o rosto mutilado. Vários membros da família real apressaram-se para o local.

O imperador moribundo recebeu a comunhão e a extrema unção. Quando perguntaram ao médico que estava de serviço, Sergey Botkin, quanto tempo de vida lhe restava, ele respondeu: No máximo, quinze minutos. Às três e meia da tarde a bandeira pessoal de Alexandre II foi baixada pela última vez.

Consequências

O assassinato de Alexandre II provocou um retrocesso no movimento de reforma. Umas das últimas ideias do imperador tinha sido criar planos para um parlamento eleito, ou Duma, que ficaram completos na véspera da sua morte, mas ainda não tinham sido apresentados ao povo russo. Alexandre tinha planeado revelar os seus planos para a criação da Duma quarenta-e-oito horas depois. Se tivesse vivido mais algum tempo, a Rússia poderia ter seguido o caminho da monarquia constitucional em vez do longo caminho de opressão que se seguiu com o reinado do seu filho. A primeira ação que Alexandre III tomou após a coroação foi rasgar estes planos. A Duma só viria a ser criada em 1905, quando o neto de Alexandre, Nicolau II, foi pressionado a instaurá-la após a Revolução Russa de 1905.

Uma segunda consequência do assassinato foi o início dos pogroms e legislação antijudaica.

Uma terceira consequência foi a supressão das liberdades civis na Rússia e o regresso da repressão policial em força após alguma liberalização durante o reinado de Alexandre II. O assassinato do czar foi testemunhado em primeira-mão pelo seu filho, Alexandre III e pelo seu neto, Nicolau II, que viriam a governar a Rússia e prometeram que não teriam o mesmo destino. Ambos usaram a Okhrana para prender protestantes e acabar com grupos supostamente rebeldes, criando mais supressão de liberdades pessoais do povo russo.

Finalmente, o assassinato inspirou os anarquistas a promover uma propaganda de ação, o uso de grandes atos de violência para incitar a revolução.

Fonte: Wikipédia


Tags: Czar, Rússia, Alexandre II, Narodnaya, Tzar






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