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16 de março de 1812.

Início do Cerco de Badajoz (16 de março até 6 de abril), as forças britânicas e portuguesas cercam e derrotam a guarnição francesa durante a Guerra Peninsular

Ilustração do cerco de Badajoz em 1812.

A Batalha de Badajoz, travada na noite de 6 para 7 de abril de 1812, com o objetivo de capturar aquela praça, então ocupada pelos franceses, foi o culminar de um cerco efetuado pelo Exército de Wellington, com início a 16 de março de 1812. A guarnição francesa, sob o comando do General Philippon, só se rendeu quando as forças de Wellington se encontravam já dentro da praça. Este fato originou uma ação de saque que foi dos mais violentos da Guerra Peninsular.

Antecedentes

Enquanto decorria a Terceira Invasão Francesa, Soult capturou Badajoz, numa tentativa de criar condições para as suas tropas entrarem em Portugal pelo eixo Sul. A Praça de Badajoz caiu em poder das tropas francesas a 11 de março de 1811. As ameaças surgidas na Andaluzia obrigaram Soult a voltar rapidamente para aquela província espanhola e a deixar uma guarnição francesa na Praça de Badajoz. Os Aliados tentaram recuperar aquela praça mas não conseguiram o seu intento.

Finalmente, em 1812, após a captura de Ciudad Rodrigo que, juntamente com a Praça de Almeida, garantia o domínio do eixo de invasão ao Norte, Wellington reuniu as suas unidades com a finalidade de obter o mesmo resultado no eixo Sul. Só desta forma poderia avançar em Espanha.

O cerco

No dia 16 de março de 1812, os engenheiros britânicos inspecionaram a fortaleza. Puderam observar que as obras de defesa tinham sido melhoradas desde o último cerco, em 1811. A aproximação a alguns baluartes foi dificultada com a construção de uma barragem na Ribeira de Rivillas. Esta obra provocou a inundação da zona entre os baluartes de San Pedro e Trinidad. O forte Pardaleras tinha sido ligado à cidade por uma trincheira bem protegida. Foram construídas meias luas nos baluartes S. Vicente, San José e Santiago. Por um desertor francês, foi possível localizar as contraminas defensivas para protegerem o baluarte de San Vicente e San José.


Mapa do Cerco de Badajoz (1812).

Aqueles baluartes eram os mais acessíveis mas as contraminas iriam dificultar muito a aproximação às muralhas. O forte Picurina era mais fraco do que o forte Pardaleras. Se o primeiro destes fortes fosse capturado, ganhava-se uma posição muito vantajosa para bombardear os baluartes Santa Maria e Trinidad. Apesar da necessidade de não perder tempo e de as operações contra o Picurina demorarem um ou dois dias, este foi o plano de ataque à praça de Badajoz.

Ao meio dia de 19 de março, cerca de 1.000 homens saíram da praça e atacaram as obras de cerco das forças anglo-lusas. Este ataque não provocou grandes danos nas obras, mas os soldados conseguiram apoderar-se de muitas ferramentas e provocaram 150 baixas, entre elas o Coronel Fletcher, que foi ferido. Os franceses perderam 304 homens. Este ataque foi repelido e os trabalhos foram retomados de imediato, mas com dificuldade devido ao forte fogo francês a partir dos baluartes e também devido às fortes chuvas que então se registaram. Esta situação de mau tempo só terminou no dia 24 à tarde e só então foi possível avançar com os trabalhos a um ritmo normal. As chuvas fizeram subir o caudal do rio e as duas pontes que mantinham a ligação com Elvas foram arrastadas.

Na manhã do dia 25, dez bocas de fogo abriram fogo contra o forte Picurina e dezoito bocas de fogo bombardearam os baluartes mais próximos daquele forte. Nesse mesmo dia, às 22H00, um corpo de tropas de pouco mais de 500 homens da Divisão Ligeira e da 3ª Divisão, sob comando do General Kempt, atacaram o forte. Os franceses ofereceram forte resistência e provocaram um número muito elevado de baixas aos atacantes: 54 mortos e 265 feridos. Dos franceses, 1 oficial e 40 praças conseguiram retirar para a cidade, tendo 83 sido mortos ou feridos e 145 aprisionados, entre eles o Coronel Thiery, comandante do forte e mais três oficiais. Philippon tentou uma saída a partir do baluarte de San Roque para tentar recuperar o forte Picurina mas o batalhão que executou essa ação foi facilmente batido a partir das trincheiras, sofreu 50 baixas e teve de retirar para o interior das muralhas.

A captura do Picurina permitia a Wellington estabelecer as suas forças a 350 metros do baluarte Trinidad e a 400 metros do Santa Maria. Isto iria permitir bater os baluartes a partir de uma posição mais favorável e obter maior eficácia com o fogo de artilharia. Não se deve esquecer, no entanto, que a instalação das peças de artilharia foi um trabalho duro e que provocou baixas nos sitiantes pois o fogo da artilharia francesa a partir dos baluartes ia provocando danos e dificultando os trabalhos apesar de esses baluartes estarem sendo batidos pela artilharia de Wellington. Só no dia 30 de março foi possível fazer fogo com uma bateria de artilharia, a partir do forte Picurina, sobre os baluartes Santa Maria e Trinidad.

A construção dos baluartes era forte, mas o fogo de artilharia era intenso e, no dia 2 de abril, ambos começavam a mostrar sérios danos. Ficou claro que, com mais uns dias de bombardeamento eles iriam ruir. Tinha surgido um outro contratempo: as chuvas intensas até ao dia 24 de março tinham feito subir o nível da água na ribeira de Rivillas o que constituía um obstáculo até às muralhas. A barragem construída na ribeira não deixava escoar a água. Com fogo de artilharia e com a colocação de cargas explosivas tentou-se destruir a barragem, mas não foi obtido o resultado desejado.

Entretanto, com a continuação dos bombardeamentos, foram criadas duas brechas: a maior, no baluarte Trinidad, e a mais pequena, no lado esquerdo do Santa Maria (entre este baluarte e o Trinidad). Os franceses tentavam por todos os meios criar obstáculos nesta zona das muralhas: tiraram o entulho do fosso e até o tornaram mais fundo, reconstruíam todas as noites os parapeitos arruinados e começaram a construir trincheiras entre as casas por forma a defenderem a zona onde as brechas poderiam permitir a entrada dos atacantes. Tudo indicava que os franceses se preparavam para uma defesa a todo o custo.

Wellington foi informado por alguns espanhóis de que a cortina da muralha entre os baluartes Santa Maria e Trinidad tinha pontos fracos pois fora mal construída. Decidiu adiar o ataque à cidade por mais um dia a fim de explorar esta informação. Após poucas horas de bombardeamento no dia 6 de abril, foi criada uma terceira brecha, tão praticável como as outras. Para que o inimigo não tivesse tempo de construir ali obras defensivas que anulassem a vantagem obtida, foi dada ordem para desencadear o ataque às 19H30 desse dia.

O saque de Badajoz

Após a entrada das tropas anglo-lusas na cidade, iniciou-se o saque que, contra os costumes da época, durou três dias. Aos homens foi permitido divertirem-se durante o resto do dia e a usual e terrível cena de pilhagem teve início o que os oficiais acharam ser prudente evitarem de momento pelo que se retiraram para o exterior da cidade. A memória dos incidentes registados com a população quando as tropas britânicas tinham estado aquarteladas em Badajoz após a Batalha de Talavera (1809) e o facto assumido pelas tropas de que os habitantes que tinham permanecido na cidade eram afrancesados, terão provocado graves excessos neste tipo de ocorrência.


Tentativa da Infantaria Britânica para escalar as muralhas de Badajoz.

Esta foi uma das ocasiões em que a distinção entre combatentes e não-combatentes desapareceu completamente. Não foi caso único em que, no final da batalha, o sofrimento dos civis – devido a pilhagem, violação, tortura, morte – excedia o da guarnição. Nos costumes da época, poupavam-se os civis e até se negociavam os termos da rendição se a cidade se rendia antes do assalto. No entanto, quando a cidade resistia e era capturada através de uma ação sangrenta, as tropas ficavam fora de controlo e não existiam garantias que defendessem quem quer que seja. Esta prática era utilizada como incentivo e como prémio para as forças de assalto. No entanto, quando uma cidade era abandonada à pilhagem, esta limitava-se a vinte e quatro horas.

Em Badajoz, depois de todas as dificuldades por que passou a força de assalto e das numerosas baixas verificadas, mais de 3.500, os soldados descarregaram a sua raiva sobre a população em três dias de saque.


'The Devil's Own' 88º Regimento no cerco de Badajoz. Aquarela a cinza, por Richard Caton Woodville Jr. (1856-1927)

Consequências da captura de Badajoz pelo exército anglo-luso

A captura das praças de Badajoz e Ciudad Rodrigo permitiu aos Aliados controlarem os dois eixos de invasão. A posse destes eixos iria permitir a Wellington tomar a iniciativa e preparar a invasão de Espanha. A preocupação dos franceses já não era a de expulsar os britânicos de Portugal. Para tentarem novamente essa possibilidade teriam de voltar a capturar Ciudad Rodrigo e Almeida no Norte, Badajoz e Elvas no Sul. No entanto o único trem de cerco existente estava empenhado no Cerco de Cadiz. Além disso, o Exército Aliado estava muito mais forte do que em 1810. As tropas portuguesas tinham experiência de batalha e mostraram ser tropas de confiança. A cavalaria britânica tinha recebido importantes reforços. Sem contar com o apoio que os espanhóis viessem a prestar, Wellington dispunha agora de um exército de campanha com cerca de 60.000 homens e estava senhor do terreno onde aquelas fortalezas constituíam fortes bases de operações.

Fonte: Wikipédia


Tags: Guerra Peninsular, Batalha de Badajoz, guerras napoleônicas, Napoleão, cerco, Cerco de Badajoz






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