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01 de julho de 1946.

Os Estados Unidos explodem uma bomba atômica no atol de Bikini

A nuvem de cogumelo gerada pelo Able.

Não tinha passado um ano desde Hiroxima e Nagasaki quando a marinha de guerra norte-americana começou a interrogar-se até que ponto a bomba atômica também lhes poderia ser útil. Para dar resposta a essa pergunta, planeou-se a denominada “Operação Crossroads”.

A data fixada para este novo teste foi o dia 1º de Julho de 1946. Apesar dos horrores de Hiroxima e Nagasaki ainda serem recentes, o mundo encontrava-se ainda em plena idade da inocência nuclear.

A “Operação Crossroads” consistia basicamente em comprovar os efeitos que teria uma detonação nuclear sobre uma frota naval. O lugar escolhido para a quarta explosão nuclear da História foi o “atol de Bikini”, no arquipélago das ilhas Marshall, cenário de uma das mais sangrentas batalhas da guerra do Pacífico. Em Fevereiro de 1946, o comodoro Ben H. Wyatt, governador militar das ilhas, comunicou oficialmente aos seus habitantes que deveriam abandonar temporariamente as suas casas, já que o Governo dos Estados Unidos tinha previsto efetuar ali uma prova nuclear. O seu sacrifício contaria com a gratidão de toda a humanidade, já que esta prova seria uma peça fundamental no futuro desenvolvimento tecnológico e no fim definitivo de todas as guerras. Assim, em Março de 1946, começou o penoso êxodo dos 167 habitantes de Bikini, com o seu rei à cabeça, que foram deportados para outro atol a 200 quilômetros de distância, Rongerik, um lugar muito menor, com escassos recursos de água e alimentos. Para cúmulo das humilhações, Rongerik era tradicionalmente considerado como um lugar maldito pelos habitantes de Bikini. Tudo isto contribuiu para que os nativos se arrependessem de ter acatado tão docilmente a decisão dos Estados Unidos. Mas já era demasiado tarde.

O certo é que Bikini era o lugar perfeito para aquele objetivo; isolado, deserto (uma vez deportada a população aborígine, claro) e afastado das rotas marítimas habituais. Durante dias espalhou-se pela área ao redos uma sinistra frota de barcos fantasma, formada por embarcações de todos os tipos e tamanhos, que se encontravam prestes a serem desmanteladas e que serviam de alvo, levando a bordo uma tripulação formada por 5400 porcos, ratos, cabras e ovelhas que substituiriam os marinheiros e permitiriam estudar os efeitos da radiação sobre os organismos afetados pela explosão atômica.

O principal resultado daquela experiência foi que os habitantes de Bikini jamais regressaram à sua ilha, convertendo-se no primeiro povo da História a ter sofrido um êxodo nuclear. Hoje em dia, levam uma vida errante, dependendo da hospitalidade de outros povos e sonhando em regressar um dia a um paraíso que já não existe.

No dia da detonação, a uma distância pretensamente segura de 18 quilômetros, permaneciam cerca de 150 navios de apoio, carregando nada menos que 42 mil pessoas, entre marinheiros, cientistas, jornalistas, cineastas e políticos.

Esta primeira bomba ganhou o nome de Able (capaz, em português) e foi lançada precisamente às 20h35m do dia 1º de julho de 1946, a partir de um bombardeiro B-29. Ela explodiu no ar, cerca de 100 metros acima do mar - exatamente o mesmo método usado contra as cidades japonesas no ano anterior.


A nuvem de cogumelo gerada pelo Able.

Curiosamente, a bomba errou o alvo: caiu 600 metros para oeste do ponto onde deveria, fato que quase custou a reputação dos pilotos. Descobriu-se depois que uma falha nos estabilizadores da própria bomba havia provocado o desvio indesejado.

Mesmo assim, Able causou grandes danos na frota fantasma. Logo de primeira, ela afundou seis navios. Também danificou gravemente dezenas de outros, além de torrar os seres vivos neles deixados.


Tags: Hiroxima, Nagasaki, bomba nuclear, Atol de Bikini, bomba atômica, Operação Crossroads






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