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Sexta-Feira, 08 de Março de 1942.

Segunda Guerra Mundial: Os neerlandeses rendem-se às forças japonesas na ilha de Java


Não tendo de enfrentar poderosas forças navais ou terrestres, os japoneses avançaram pela Ásia marítima até à Oceania como os tentáculos de um polvo, em direção a Java, a Singapura (Malásia) e Nova Guiné, ilhas Bismarck e arquipélago das Salomão, batendo à porta da Austrália.

O Mundo colonial do Ocidente parecia ruir de todo, os trezentos mil europeus que dominavam centenas de milhões de asiáticos caminhavam para os campos de internamento nipônicos ou refugiavam-se na Austrália. Nada tinha sido preparado antes em termos de defesa coordenada e tudo foi improvisado em poucos dias sem a necessária consistência.

A defesa das Índias Neerlandesas (Indonésia de hoje) e Malásia tinha sido confiada à força naval “ABDA” (australiana, britânica, holandesa e americana) com nove cruzadores, 26 contratorpedeiros e 39 submarinos, sob o comando do almirante norte-americano Thomas Charles Hart, enquanto o general britânico Archibald Wavel foi nomeado supremo comandante de todo o dispositivo bélico.

Após a queda de Singapura, ocorrida em 15 de Fevereiro de 1942, o comando da área limitada já às Índias Neerlandesas passou para o almirante holandês Karel Doorman que prontamente fez-se ao mar com o que de melhor dispunha.

O primeiro combate consistiu num ataque a transportes japoneses no estreito de Makassar, a 24 de Janeiro de 1942, que levou ao afundamento de quatro transportes de tropas e material sem consequências para o plano de invasão japonesa das Índias Neerlandesas.

Numa segunda tentativa de ataque, o cruzador norte-americano Marblehead foi severamente atingido e o cruzador Houston ficou sem uma das torres de artilharia em consequência dos ataques perpetrados por 37 bombardeiros bimotores da 11ª Frota Aérea Japonesa que operavam a partir de um terreno conquistado nas Celebes, uma das Grandes Ilhas da Sonda, na Indonésia.

Doorman viu-se obrigado a se retirar quando aviões do porta-aviões Ryujo o atacaram sem consequências, mas dando a impressão que muitos mais aviões estariam chegando.

O almirante holandês reorganizou então as suas forças e decidiu enfrentar o inimigo no mar com uma esquadra conjunta constituída por cinco cruzadores, o Exeter, veterano do ataque ao Graff Spee, o Houston, o Perth, o De Ruyter e o Java, além de dez contratorpedeiros.

A maior parte destes navios eram relativamente pequenos ou antiquados e estavam com falta de manutenção e o pessoal não tinha treino de coordenação para dar espírito de corpo à força em questão. Diga-se em abono da verdade que os navios japoneses não eram superiores. Foi, pois numa situação de um certo equilíbrio de forças que Doorman enfrentou a esquadra do contra-almirante japones Takeo Takagi que contava com os quatro cruzadores Nachi, Haguro, Naka e Jintsu, cuja missão era impedir qualquer ataque às forças do contra-almirante Jisaburo Ozawa com 56 transportes de tropas e do contra-almirante Shoji Nishimura com 41 transportes. Ambas as formações visavam a conquista rápida da ilha de Java e do resto das então denominadas Índias Neerlandesas.

Uns dias antes das duas esquadras se confrontarem no Mar de Java, em 14 de Fevereiro de 1942, os japoneses largaram paraquedistas em Palembang, a capital da Ilha Sumatra, sem conseguirem conquistar a cidade.

No dia seguinte uma força anfíbia tentou, por sua vez, desembarcar tropas mas foi obrigada a fazer meia volta devido à presença da esquadra do almirante Doorman que acabou por ser atacado por aviões do porta-aviões Ryujo sem causarem danos, mas impedindo os navios das marinhas aliadas de atuarem contra os invasores japoneses que, entretanto, desembarcavam por toda a parte.

Em dois dias Sumatra caiu nas mãos dos japoneses, enquanto a norte, um comboio com algumas tropas americanas e australianas vindo da Austrália tentava fazer desembarcar tropas em Timor, mas a presença dos aviões de Nagumo fez retroceder os navios para Port-Darwin. Vinte e quatro horas depois, 190 aviões dos porta-aviões de Nagumo afundaram tudo o que flutuava entre Timor e Darwin. Ao mesmo tempo, os transportes de Kondo, desembarcavam as tropas que conquistaram a ilha de Timor, incluindo a parte portuguesa, e a ilha de Bali.

No entardecer de 27 de Fevereiro, inicia-se a batalha do Mar de Java com uma primeira salva de 200 mm disparada por um dos cruzadores japoneses à distância de 27 quilômetros.

O Houston e o Exeter respondem com os seus canhões de 8 polegadas. O cruzador norte-americano utilizou tinta vermelha nos explosivos das suas granadas para identificar os impactos que se apresentaram sob a forma de “geysers” vermelhos, o que divertiu muito os japoneses porque estavam distantes, enquanto uma das suas bombas perfurantes atingiam o Exeter entrando pela casa das caldeiras.

O cruzador de 8.390/10.490 toneladas, veterano da caça ao corsário alemão Graf Spee, perdeu velocidade e teve de se retirar da formação de batalha. Os japoneses, aproveitando a confusão, largaram os seus torpedos de longo alcance “Long Lace”. Conseguiram assim afundar um contratorpedeiro holandês.

Mas, sem suspeitarem da existência desses torpedos de longo alcance, os aliados pensaram que estavam sendo atacados por submarinos e lançaram cargas de profundidade. Num contra ataque, três contratorpedeiros aliados conseguem atingir dois congêneres nipônicos, perdendo uma das suas unidades.

Entretanto anoitece, Doorman tenta reorganizar o sua esquadra coberta por uma cortina de fumaça produzida pelos velhos contratorpedeiros “4 chaminés” norte-americanos.

Apesar disso, a notável capacidade japonesa para o combate noturno faz-se valer e subitamente o Nachi e o Naguno aproximam-se dos dois cruzadores ligeiros holandeses De Ruyter e Java.

Primeiro foi o Java que ficou envolto em chamas e depois o De Ruyter atingidos pelos torpedos. Os aliados perderam na primeira escaramuça dois cruzadores e quatro contratorpedeiros, retirando-se sem salvar os náufragos. Foi o preço que pagaram para retardar por vinte e quatro horas o desembarque japones na Ilha de Java.

Na noite seguinte, os cruzadores Perth e Houston navegaram para o Estreito de Sunda, caindo sobre a força comandada pelo almirante Ozawa que na Baía de Bantam tentava desembarcar tropas.

Os japoneses ao verem-se apanhados dispararam de qualquer maneira todos os torpedos que tinham. Afundaram desse modo alguns dos seus navios de transporte, enquanto o cruzador australiano e o norte-americano destruíam mais de meia dúzia de outros navios de transporte.

Mas, as munições do Houston acabaram e o navio terminou o combate disparando granadas luminosas enquanto o Perth recebe um torpedo na casa de máquinas. Naufragou com as suas armas disparando até ao momento da submersão.

A destruição da esquadra aliada “ABDA” marcou o fim do império holandês na Indonésia. Em 8 de Março de 1942 os holandeses rendem-se, enquanto a capital da Birmânia inglesa, Rangom, era conquistada no mesmo dia.



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