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Domingo, 15 de Maio de 1536.

Ana Bolena é considerada culpada de adultério, traição e incesto pelo Parlamento inglês

Ana Bolena, Rainha Consorte da Inglaterra

Ana Bolena (Anne Boleyn) (c. 1501/1507 – 19 de maio de 1536) foi a segunda esposa do rei Henrique VIII e Rainha Consorte do Reino da Inglaterra de 1533 até a anulação de seu casamento dois dias antes de sua execução. Seu casamento com Henrique VIII foi polêmico, do ponto de vista político e religioso, e resultou na criação da Igreja Anglicana. A ascensão e queda de Ana Bolena, considerada a mais controversa rainha consorte da Inglaterra, inspiraram inúmeras biografias e obras ficcionais.

Era filha de Sir Thomas Bolena e Isabel Howard. Foi educada na França, principalmente como dama de companhia da rainha Cláudia da França, esposa de Francisco I. Voltou para a Inglaterra em 1522.

Dois anos mais tarde, apaixonou-se por Henrique VIII. A princípio, Ana resistiu às tentativas do rei em seduzi-la e torná-la sua amante, como sua irmã, Maria Bolena havia sido. Henrique VIII anulou seu casamento com Catarina de Aragão para que se pudesse casar com Ana Bolena. Quando se tornou claro que o Papa Clemente VII não aprovaria o divórcio de Henrique VIII e Catarina de Aragão e, posteriormente, o casamento deste com Ana Bolena, iniciou-se a ruptura religiosa entre a Inglaterra e a Igreja Católica Romana, resultando na criação da Igreja Anglicana.

O arcebispo de York, Thomas Wolsey, foi destituído de seu posto em 1529 por não ter sido bem sucedido em sua tentativa de conseguir o divórcio e anulação do casamento do rei Henrique VIII com Catarina de Aragão. O casamento de Ana Bolena com Henrique VIII foi anunciado em 25 de janeiro de 1533, após uma cerimônia secreta ocorrida em 14 de novembro de 1532, entretanto, demorou quatro meses para ser confirmado. Em 23 de maio de 1533, o recém-nomeado arcebispo de Canterbury Thomas Cranmer declarou o casamento de Henrique VIII e Catarina de Aragão nulo, sem efeito; Cinco dias depois, ele declarou o casamento de Henrique VIII e Ana Bolena válido. Pouco tempo depois, Henrique VIII e o arcebispo foram excomungados da Igreja Católica pelo Papa Clemente VII.

Primeiros anos

Ana Bolena era filha de Sir Thomas Bolena, Conde de Wiltshire e de Isabel Howard, filha do Duque de Norfolk. Tomás Bolena era um linguista respeitado e um dos diplomatas favoritos do rei Henrique VII, tendo sido enviado em várias missões diplomáticas no exterior. É impossível determinar a data de nascimento de Ana, pois não é registrado em registros paroquiais e os dados contemporâneos são contraditórios. Acredita-se que tenha nascido entre 1501 e 1507. Um historiador italiano, argumentou em 1600 que ela nasceu em 1499, enquanto que William Roper, filho de Thomas More, disse que ela nasceu em 1512. Também não está claro quando seus dois irmãos nasceram, mas parece que sua irmã, Maria Bolena, era mais velha. Os filhos de Maria Bolena asseguraram que sua mãe havia sido a irmã mais velha. Seu irmão Jorge nasceu em aproximadamente 1504. Quando criança, era chamada Anne de Nan por membros de sua família.

Ana foi educada nos Países Baixos, na corte de Margarida, Arquiduquesa da Áustria. Por volta de 1514, viajou para a corte francesa onde se tornou numa das aias da rainha Cláudia de Valois (esposa de Francisco I), onde aprendeu a falar francês e se familiarizou com a cultura e etiqueta deste país. Esta experiência haveria de se mostrar decisiva na formação da sua personalidade.

Em janeiro de 1522, Ana Bolena regressou à Inglaterra por ordens do pai e entrou ao serviço de Catarina de Aragão, a consorte do rei Henrique VIII de quem a sua irmã, Maria Bolena, era então a amante "oficial". Neste período, Ana desenvolveu uma relação com Henry Percy, o filho do Conde de Northumberland, e os dois chegaram a estar secretamente noivos. O casamento foi impedido pelo pai de Percy por razões incertas e Ana foi afastada da corte. Em meados de 1525, estava de regresso e no ano seguinte, substituiu a sua irmã mais nova nas atenções do rei. A princípio, Ana seduziu-o, estimulou todos os avanços de Henrique VIII, mas não aceitava ser sua amante, queria o trono da Inglaterra. O fato de Maria Bolena ter dado ao rei uma filha e um filho despertou nele a intenção de casar-se novamente para produzir um herdeiro legítimo, já que Catarina de Aragão não parecia ser capaz de produzir um herdeiro varão para a Casa de Tudor.

O poder de Ana aumentou de forma excepcional. Tornou-se influente na diplomacia inglesa ao estabelecer uma relação de amizade com Monsieur de la Pommeraye, embaixador francês. O diplomata John Barlow espiava no Vaticano às suas ordens. Em 1532, Henrique VIII tornou-a Marquesa de Pembroke, fazendo-a a primeira mulher a receber um título nobiliárquico de seu pleno direito. A sua família foi também beneficiada: o pai recebeu o Condado de Ormonde e o irmão, Jorge Bolena, tornou-se Visconde Rochford. Ana não era, no entanto, uma personagem popular. Em 1531, os apoiadores da rainha Catarina organizaram uma manifestação contra Ana Bolena que reuniu oito mil mulheres nas ruas de Londres.

Os mil dias

Finalmente, em 1532, em Calais, Henrique VIII e Ana Bolena tornaram-se amantes. A 14 de novembro de 1532, antes do anúncio oficial da dissolução unilateral do casamento com Catarina de Aragão, Henrique casou-se secretamente com Ana, no Palácio de Whitehall. Esta pressa pode ter estado relacionada com uma gravidez de Ana e a necessidade de Henrique VIII em não deixar sombra de dúvidas quanto à legitimidade de um herdeiro.

Em 23 de maio de 1533, o recém-nomeado arcebispo de Canterbury Thomas Cranmer, presente num tribunal especial convocado pelo Priorado de Dunstable para se pronunciar sobre a validade do casamento do rei com Catarina de Aragão, declarou esse casamento como nulo e sem efeito. Cinco dias depois, em 28 de maio de 1533, Thomas Cranmer declarou o casamento de Henrique VIII e Ana Bolena válido. Catarina perdeu o seu título e, consequentemente, a 1º de junho 1533, Ana Bolena foi coroada Rainha da Inglaterra numa cerimônia magnífica na Abadia de Westminster, precedida de um suntuoso banquete. Em resposta, o povo londrino mostrou o seu desagrado, comparecendo poucas pessoas. Henrique VIII foi excomungado pelo Papa Clemente VII por esta afronta ao direito canônico, declarando que à luz do mesmo, o seu casamento com Catarina de Aragão continuava válido. Em 7 de setembro de 1533, Ana deu à luz uma menina, a futura rainha Elizabeth I da Inglaterra.

Enquanto rainha, Ana Bolena procurou introduzir muitos aspectos da cultura francesa na Corte de Inglaterra. Continuou influente junto do rei e diz-se que foi por sua indicação que a maioria dos bispos da nova Igreja Anglicana conseguiram o seu posto. Henrique VIII parecia satisfeito com ela em tudo, menos na falta de um herdeiro. As gestações subsequentes acabaram em abortos espontâneos e em nascimento de natimortos, o que resultou no desapontamento do rei. Em 7 de janeiro de 1536, Catarina de Aragão morreu de doença prolongada, provavelmente cancro, e Ana teve o mau gosto de celebrar o evento vestida de amarelo quando o resto da corte, incluindo o rei, se encontrava de luto pela Princesa de Gales. A partir de então Henrique começou a afastar-se da mulher, que consequentemente se tornou vulnerável a intrigas. A gota d'água teria sido a ascensão de Joana Seymour, aia de Ana Bolena, ao estatuto de amante.

Em 2 de maio de 1536, após cerca de 1000 dias como rainha consorte da Inglaterra, Ana foi presa na Torre de Londres, acusada, juntamente ao seu irmão Jorge, de adultério, incesto e alta traição. Além de, no desespero para gerar um herdeiro ao trono, ser acusada de ter tido relações sexuais com seu irmão, Jorge Bolena, dando à luz um 'monstro'. Cinco homens, incluindo o seu irmão, foram também presos e interrogados sob tortura. Baseado nas confissões resultantes, o Parlamento condenou Ana Bolena por traição a 15 de maio de 1536. O casamento com Henrique VIII foi anulado dois dias depois, a 17 de maio de 1536, por razões desconhecidas, uma vez que os registos foram destruídos.


Ana Bolena na Torre por Édouard Cibot.

Execução

Na manhã de sexta-feira, 19 de maio de 1536, Ana Bolena foi executada, não na Torre Verde, mas sim num andaime erigido sobre o lado norte da Torre Branca, em frente do que é hoje as Casernas de Waterloo. Ela usava um saiote vermelho sob um avulso, um vestido de tordilha de damasco aparado na pele e um manto de arminho. Acompanhada por duas assistentes do sexo feminino, Ana fez seu último passeio da Casa da Rainha à Torre Verde e ela olhou "como se ela não fosse morrer". Ana subiu o cadafalso e fez um breve discurso para a multidão:

“Bom povo cristão, vim aqui para morrer, de acordo com a lei, e pela lei fui julgada para morrer, e por isso não vou falar nada contra ela. Não vim aqui para acusar ninguém, nem para falar de algo de que sou acusada e condenada a morrer, mas rezo a Deus para que salve o rei e que ele tenha um longo reinado sobre vós, pois nunca um príncipe tão misericordioso esteve lá: e para mim ele será sempre um bom, gentil e soberano Senhor. E se qualquer pessoa ponha isso em causa, obrigá-la-ei a julgar os melhores. E assim deixo o mundo e todos vós, e sinceramente desejo que todos rezem por mim. Ó Senhor, tem misericórdia de mim, eu louvo a Deus a minha alma”.

Ana obteve o que requisitava, mostrando que até nos seus últimos momentos, ainda era capaz de impressionar o rei. Ela foi decapitada por um carrasco francês, tal como pedira. Henrique não providenciou um sepulcro para Ana, e assim o seu corpo e a cabeça foram enterrados num túmulo desmarcado na Capela Real de São Pedro ad Vincula. O seu esqueleto foi identificado durante a renovação da capela, durante o reinado da Rainha Vitória, e o local de repouso de Ana está marcado no chão em mármore.

Fonte: Wikipédia


Tags: Ana Bolena, amante, Maria Bolena, Rainha Consorte, Rainha da Inglaterra, Henrique VIII, Catarina de Aragão, Papa Clemente VII, Igreja Anglicana, Thomas Cranmer, Elizabeth I






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