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25 de julho de 1824.

Instalam-se os primeiros colonos alemães na Feitoria do Linho Cânhamo, hoje São Leopoldo, RS

Quadro de Ernst Zeuner sobre a chegada da primeira leva de imigrantes alemães em 25/07/1824, às margens do rio dos Sinos, hoje cidade de São Leopoldo

A imigração alemã no Brasil foi o movimento migratório ocorrido nos séculos XIX e XX de alemães para várias regiões do Brasil. As causas desse processo podem ser encontradas nos frequentes problemas sociais que ocorriam na Europa e a fartura de terras no Brasil. Em 1986, Born e Dickgiesser estimaram em 3 milhões e 600 mil o número de descendentes de alemães no Brasil. Segundo outra pesquisa, de 1999, do sociólogo, ex-presidente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Simon Schwartzman, 3,6% dos brasileiros entrevistados afirmaram ter ancestralidade alemã, percentual que, numa população de cerca de 200 milhões de brasileiros, representaria 7,2 milhões de descendentes. Em 2004, o Deutsche Welle citou o número de 5 milhões de brasileiros descendentes de alemães. Segundo pesquisa de 2016 publicada pelo IPEA, em um universo de 46.801.772 nomes de brasileiros analisados, 1.525.890 ou 3,3% deles tinham o único ou o último sobrenome de origem germânica.

A imigração de alemães para o Brasil é um fenômeno antigo, que teve início antes mesmo da independência em relação a Portugal e que se manteve relativamente constante até a década de 1960. As razões dessa emigração encontram-se, de um lado, nas transformações sócio-político-econômicas por que passou a Alemanha e, do outro, nas excepcionais condições que favoreciam a atração de imigrantes europeus no Brasil. Entre 1824 e 1972, cerca de 260.000 alemães entraram no Brasil; a quinta nacionalidade que mais imigrou para o país, após os portugueses, italianos, espanhóis e japoneses.

Os alemães estavam entre as nacionalidades que mais conseguiram preservar sua cultura no Brasil. Devido ao seu isolamento em regiões de difícil acesso, sobretudo nos estados sulistas, foi possível a criação de diversas colônias predominantemente germânicas. Um dos exemplos mais significativos da manutenção cultural foi a proliferação de escolas alemãs no Brasil, bem como de uma imprensa em língua alemã. Como consequência, milhares de descendentes foram instruídos em língua alemã, sem o conhecimento do idioma português. Com o tempo, os traços de germanidade foram-se tornando mais débeis, mas as influências persistem mais ou menos até os dias atuais. Como exemplo, pode-se citar o grande número de brasileiros de origem alemã que ainda hoje falam o alemão ou outros falares germânicos como o Hunsrückisch e a língua pomerana.

O resultado da imigração alemã no Brasil foi a formação de uma população teuto-brasileira, que se integrou ao contexto brasileiro, mas sem abdicar de sua cultura. Além da influência cultural, pode-se acrescentar a contribuição alemã para a diversificação da agricultura brasileira, por meio da formação de um campesinato típico, fortemente marcado pelos traços da cultura camponesa da Europa Central. Os alemães também tiveram participação no processo de urbanização e de industrialização do Brasil, bem como na introdução e modificações na arquitetura das cidades e na paisagem físico-social brasileira.

A primeira fase da imigração (1818-1830)

A primeira colônia alemã no Brasil foi fundada ainda antes da independência de Portugal. No sul da Bahia, em 1818, o naturalista José Guilherme Freyreiss criou a colônia Leopoldina, onde foram distribuídas sesmarias para colonos alemães, porém o projeto não foi bem sucedido. Os colonos se dispersaram e a mão de obra imigrante nas sesmarias foi substituída pela escrava. As outras duas tentativas de assentamentos alemães na Bahia, de 1821 e 1822, foram também malsucedidas. Trazidos a mando do Rei Dom João VI, em 1819 o governo português assentou famílias suíças nas serras fluminenses. Estas fundaram o atual município de Nova Friburgo. A colônia também resultou infrutífera, vez que foi mal estruturada, situando-se longe do mercado consumidor, o que levou muitos dos suíços a abandonarem os assentamentos. De forma a evitar a sua extinção, em 1824 a colônia recebeu 350 alemães.


A imperatriz Leopoldina foi a incentivadora da imigração alemã no Brasil

Haja vista o malogro das colônias baianas e fluminense, elas são frequentemente ignoradas pela historiografia, que consagrou a colônia de São Leopoldo, no Rio Grande do Sul, como o marco inicial da imigração alemã no Brasil.

Em 25 de julho de 1824, os primeiros 39 alemães chegaram ao Sul, sendo assentados à margem sul do Rio dos Sinos, onde a antiga Real Feitoria do Linho Cânhamo fora adaptada para servir como sede temporária dos recém-chegados, na atual cidade de São Leopoldo.

O desenvolvimento do Vale do Rio dos Sinos, na região metropolitana de Porto Alegre, Rio Grande do Sul, iniciou-se com os alemães que chegaram à região em 25 de julho de 1824, data em que se comemora a fundação da cidade de São Leopoldo.

Esses imigrantes foram trazidos por Georg Anton von Schäffer, alemão radicado no Brasil e major do exército brasileiro. Schäffer, amigo da imperatriz Leopoldina, foi incumbido pelo governo brasileiro de ir à Áustria, terra natal da imperatriz, e trazer soldados para formarem o Batalhão de Estrangeiros, necessário para reforçar a defesa dos territórios do Sul; porém o major não conseguiu recrutar soldados na Áustria, uma vez que a recrutação de soldados estava proibida na Europa pós-napoleônica.

Assim, ele rumou para Baviera, Hesse, Hanôver e Hamburgo, onde angariou apoio de grão-duques e de condes, desejosos de exportar marginais e criminosos para fora da Alemanha, seguindo uma prática de higiene social. Os governantes exigiram um acordo legal que os imigrantes não poderiam voltar à Alemanha para reivindicar proteção social. Para isso, Schäffer forjou documentos que garantiam a naturalização dos imigrantes.

Um dos primeiros navios a trazer imigrantes para o Rio Grande do Sul foi o Germânia, que partiu de Hamburgo em junho de 1824. Schäffer conseguiu recrutar 277 soldados para serem incorporados ao Corpo de Estrangeiros e 124 colonos para serem enviados para a colônia de São Leopoldo, que recebeu esse nome em homenagem à imperatriz Leopoldina.

Como recebia dinheiro de acordo com a quantidade de pessoas que trouxesse, Schäffer se esforçou em atrair grande número de indivíduos, dentre os quais muitos de origem duvidosa. Os documentos atestam o recrutamento de centenas de presidiários alemães em cadeias e casas de correção de Mecklenburg para serem mandados para São Leopoldo. Contudo, milhares de alemães indigentes, ao saberem que o Brasil estava oferecendo terras, foram para Bremen e Hamburgo em busca de uma passagem, mas se recusaram a assinar contrato de serviço militar. Schäffer recebeu autorização do Rio de Janeiro para permitir a vinda deles mesmo assim. O naturalista Theodor Bösche fez parte de uma dessas viagens organizadas por Schäffer, na qual havia 90 ex-prisioneiros de Macklenburgo. O naturalista observou: "O nosso navio tomou várias centenas de pessoas. Tremi ao avistar aquela gentalha rota, de que muitos malogram encobrir a nudez e cuja atitude trazia o cunho da rudeza e da bestialidade".

A primeira viagem do Germânia foi conturbada: no dia 2 de julho de 1824, em alto mar, oito recrutas rebelaram-se, queixando-se da comida, do tratamento severo a que eram submetidos e queriam seguir o caminho dos colonos. A revolta foi contida e os recrutas foram chicoteados e feitos prisioneiros. De madrugada, os prisioneiros tentaram escapar, mas foram impedidos e levados a um tribunal improvisado, que os condenou à morte por fuzilamento. Dois dos executados eram prussianos, o que desencadeou uma contenda diplomática entre os governos da Prússia e de Hamburgo.

Os passageiros do Germânia foram recebidos pelo imperador Dom Pedro I e pela imperatriz Leopoldina. Um dos imigrantes revelara à imperatriz que imigrara da Alemanha devido à grande repressão religiosa, e a imperatriz lhe garantiu que no Brasil eles teriam garantida a liberdade de culto. Esse imigrante era Libório Mentz, que viria a ser o avô de Jacobina Mentz Maurer, líder messiânica que encabeçou a revolta dos muckers.

Em 1829, as primeiras colônias alemãs foram criadas em Santa Catarina e no Paraná, sendo elas São Pedro de Alcântara, Mafra e Rio Negro. A primeira fase da imigração se encerrou em 1830, em decorrência da falta de recursos financeiros e da dificuldade de trazer imigrantes, agravada pela eclosão da Guerra dos Farrapos. Nesse período, Schäffer trouxe para o Brasil mais de cinco mil alemães, entre soldados e imigrantes destinados à produção agrícola. No Sul, desenvolveram um sistema produtivo baseado na pequena propriedade com mão de obra familiar, em lotes que mediam cerca de 75 hectares cada. Os alemães iniciaram um processo de ocupação das terras de floresta desprezada pelos latifundiários gaúchos, resultando na ocupação de extensa área relativamente próxima a Porto Alegre. O mesmo se deu em Santa Catarina, onde a primeira colônia estava próxima da capital, Desterro (hoje Florianópolis).

Fonte: Wikipédia


Tags: Imigração Alemã, São Leopoldo, Alemanha, imigrantes






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