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Sexta-Feira, 02 de Agosto de 1943.

Revolta no campo de concentração de Treblinka, na Polônia: 600 fogem


Treblinka foi o primeiro campo de concentração onde os judeus foram exterminados em câmaras de gás alimentadas por motores à explosão. Também foi o primeiro campo onde ocorreu a cremação dos cadáveres a fim de ocultar o número de pessoas mortas. Neste campo foi criado um sistema de trabalho onde os judeus eram incumbidos de receber os comboios que chegavam, conduzir os deportados para as câmaras de gás, retirar os cadáveres, extrair os dentes de ouro, e proceder à cremação.

Foi em Treblinka que ocorreu uma revolta dos prisioneiros onde sobreviveram aproximadamente 15 pessoas.

A revolta em Treblinka é mais um, entre tantos outros atos de coragem, que desmentem a versão de que os judeus foram para as câmaras de gás como gado para o matadouro e se soma à história da luta no Gueto de Varsóvia, à revolta e fuga dos campos de extermínio de Sobibor, Auschwitz, Minsk, Mazowiecki, Kruszaya, Krychow e outros.

Às 15h35 do dia 2 de agosto de 1943, começou o levante em Treblinka. A data foi marcada para coincidir com a chegada do trem que traria quatro mil judeus ao campo. O plano foi colocado em prática na noite anterior, quando Eliahu Grinsbach roubou do depósito de armas três pistolas e dez granadas que seriam utilizadas para dar início à revolta. Essas eram poucas armas para enfrentar os nazistas, mas se um número maior delas desaparecesse do depósito poderia chamar a atenção dos guardas. Foi combinado, então, que assim que a ação começasse, um grupo de rebelados obteria mais armamentos. Os responsáveis pela revolta dividiram-se em vários grupos, cada um encarregado de uma missão específica. Todos tentariam envolver o maior número de judeus na luta.

No dia seguinte, com a chegada do trem na plataforma de Treblinka, eclodiu o levante. O sinal foi dado quando o prisioneiro judeu Josef Gross lançou uma granada de mão sobre os guardas de uma das torres de vigilância. Simultaneamente à explosão, Gross atirou num oficial da SS, o vice-comandante do campo Kurt Hubert Franz, um dos mais odiados, que escapou e ordenou ao seu cão que atacasse o detento. O cão estraçalhou Gross. Antes mesmo que Kurt Franz pudesse perceber o que estava acontecendo e dar o alarme para os guardas ucranianos, os judeus começaram a atirar e incendiaram algumas construções. A desproporção entre as partes era inegável: de um lado, homens pobremente armados, enfraquecidos por maus-tratos, subnutridos e totalmente destruídos psicologicamente, e, do outro, soldados do Reich, bem alimentados, treinados e armados. Mesmo assim, os judeus atacaram seus carrascos sem hesitar. Esperar por sucesso seria muito mais que um delírio, mas poderiam tentar matar o maior número de nazistas e, quem sabe, alguns deles poderiam sobreviver para contar ao mundo como um pequeno grupo de judeus enfrentara seus carrascos.

O portão principal foi derrubado por uma explosão. Outras explosões atingiram as torres de observação. As portas do depósito de armas foram arrombadas pelos revoltosos, que distribuíram as armas aos seus companheiros. Centenas de pessoas tentaram derrubar a cerca e fugir, mas a maioria foi morta pelos guardas que começaram a atirar para todos os lados e pelos cães que dilaceravam os fugitivos. Às 15h46, a revolta terminou. Ela durou apenas onze minutos e deixou um saldo negro: 1.100 judeus mortos. Somente 180 prisioneiros conseguiram fugir. Entre os membros da SS e os guardas ucranianos foram 117 os mortos e feridos. No chão, imóveis sob a mira dos nazistas, deitados em meio ao sangue de seus irmãos, estavam os judeus que sobreviveram. Os fugitivos foram impiedosamente caçados pelos nazistas e seus asseclas e brutalmente assassinados quando encontrados.

Dezoito, no entanto, foram resgatados, famintos e no fim de suas forças, por um grupo de resistentes judeus que havia sobrevivido à revolta do Gueto de Varsóvia e que se escondera na floresta.

Esses sobreviventes foram a memória viva dos fatos ocorridos no dia 2 de agosto de 1943 em Treblinka. Eles mostraram ao mundo a nova face de um judeu que, mesmo diante das piores adversidades, não se entrega e luta, se necessário, até a morte. Essa verdade, gravada no coração de cada judeu, conseguiu ser traduzida em palavras por Menachem Begin em seu famoso livro A Grande Revolta: Foi do sangue, do fogo, das lágrimas e das cinzas que um novo tipo de ser humano nasceu, um gênero absolutamente desconhecido pelo mundo por mais de mil e oitocentos anos, o judeu combatente.



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