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03 de agosto de 1829.

Estreia de "Guilherme Tell", de Rossini, na Ópera de Paris

Detalhe da estátua de Guilherme Tell em Altdorf, Suíça.

Guilherme Tell (em alemão Wilhelm Tell, em francês Guillaume Tell, em italiano Guglielmo Tell, em romanche Guglielm Tell) foi um herói lendário do início do século XIV, de disputada autenticidade histórica, que se pensa ter vivido no cantão de Uri, na Suíça.

O nome Guilherme Tell surge tipicamente associado à guerra de libertação nacional da Suíça face ao império Habsburgo da Áustria.

A lenda

Guilherme era conhecido como um especialista no manejo da besta. Na época, os imperadores Habsburgos lutavam pelos domínios de Uri e, para testar a lealdade do povo aos imperadores, Hermann Gessler, um governador austríaco tirano, pendurou num poste um chapéu com as cores da Áustria, numa praça de Altdorf. Todos que por lá passassem teriam de fazer uma saudação respeitosa como prova do seu respeito. O chapéu era guardado por soldados que se certificariam que as ordens do governador fossem cumpridas.

Um dia, Guilherme e seu filho passaram pela praça e não saudaram o chapéu. Prenderam-no imediatamente e levaram-no à presença do governador que, reconhecendo-o, o fez, como castigo, disparar a besta a uma maçã na cabeça do filho. Tell tentou demover Gessler, sem sucesso; o governador ameaçaria ainda matar ambos, caso não o fizesse.

Tell foi assim trazido para a praça de Altdorf, escoltado por Gessler e os seus soldados. Era o dia 18 de novembro de 1307 e a população amontoava-se na expectativa de assistir ao castigo (e, sobretudo, ao seu culminar). O filho de Guilherme foi atado a uma árvore, e a maçã foi colocada na sua cabeça. Contaram-se 50 passos. Tell carregou a besta, fez pontaria calmamente e disparou. A seta atravessou a maçã sem tocar no rapaz, o que levaria a população a aplaudir os dotes do corajoso arqueiro.

Não obstante, Guilherme trazia uma segunda seta. Gessler, ao vê-la, perguntou por que ele a trazia. Tell hesitou. Gessler, apressando a resposta, assegurou-lhe que se dissesse a verdade, a sua vida seria poupada. Guilherme respondeu: "Seria para atravessar o seu coração, caso a primeira seta matasse o meu filho".

Indignado, Gessler mandou o rebelde para a prisão alegando que dignaria a sua promessa deixando-o viver — mas preso, no castelo de Küsnacht. Guilherme foi levado acorrentado de imediato para um barco em Flüelen, onde esperou que Gessler e seus soldados embarcassem. Não muito distante do porto, deu-se uma tempestade. O Föhn, um vento do Sul, causava ondas tão altas que dificultou a viagem, praticamente arremessando o barco contra as rochas. Os que lá viajavam, assustados, gritaram: "Só Guilherme Tell nos pode salvar!". Gessler libertou Tell, que conduziu barco em segurança ao sopé da Montanha Axenberg, perto de uma rocha chamada Tellsplatte.

Quando amarrou, Tell tirou uma lança a um soldado, saltou do barco e, empurrando-o com os pés, fugiu pelo cantão de Schwyz. Gessler conseguiu sobreviver à tempestade e chegou ao castelo de Küsnacht nessa mesma noite. Tell se escondeu em arbustos num beco que levaria à residência do governador. Assim que Gessler e os seus soldados apareceram, Tell matou-o com uma seta da sua besta, libertando o país da tirania do governador. Segundo a lenda, este evento marcou o início a revolta que ocorreu a 1º de janeiro de 1308.

História sobre a lenda

A lenda de Guilherme Tell aparece inicialmente no século XV, em duas versões diferentes. A primeira, encontrada, por exemplo, numa balada popular da década de 1470 e mais tarde nas crônicas de Melchior Russ de Lucerna (1482-1488), retrata Tell como o ator principal das lutas independentistas dos cantões da fundação da Antiga Confederação Suíça; a segunda, encontrada em Weisse Buch von Sarnen de 1470, retrata Tell como uma personagem menor num complô contra a casa dos Habsburgos dirigido por outros. Aegidius Tschudi, um historiador católico conservador, fundiu estas duas perspectivas no mito sumarizado acima, em 1570.

A história de um herói bem sucedido no tiro contra um pequeno objecto na cabeça de uma criança e posterior assassinato do tirano que o obrigou a fazê-lo, contudo, é um arquétipo presente em vários mitos germânicos. O tema aparece também em outras histórias da mitologia nórdica, em particular na história de Egil, na saga de Thidreks (de Teodorico de Verona, possivelmente com inspirações realistas em Teodorico, o Grande), bem como na de Inglaterra e Holstein.

Na cultura popular, Guilherme Tell subsiste como um verdadeiro herói. Permanece uma importante figura com quem os suíços se identificam e, de acordo com uma pesquisa recente, 60% da população acredita mesmo que ele tenha existido.


Estátua de Guilherme Tell em Altdorf, Suíça.

A ópera “Guilherme Tell” de Gioacchino Rossini

Guilherme Tell (Francês: Guillaume Tell; Alemão: Wilhelm Tell; Inglês: William Tell; Italiano: Guglielmo Tell) é uma ópera em quatro atos do compositor italiano Gioachino Rossini, com um libreto em francês de Etienne de Jouy e Hippolyte Bis feito a partir da peça Wilhelm Tell, do dramaturgo alemão Friedrich Schiller. Baseada na lenda de Guilherme Tell, esta ópera foi a última do compositor, embora ele tenha vivido mais quarenta anos depois de sua apresentação. A Abertura de Guilherme Tell, com seu célebre finale, é uma obra importante no repertório de concertos e gravações operísticas.

Embora tenha sido encenada pela primeira vez pela Ópera de Paris, na Salle Le Peletier, em 3 de agosto de 1829, a duração da obra, cerca de quatro horas de música, bem como suas exigências impostas ao elenco, como o registro alto exigido para o tenor, contribuíram para a dificuldade de produzi-la. Costuma sofrer grandes cortes quando é encenada, e suas apresentações já foram feitas tanto em francês quanto ao italiano.

Histórico de apresentações

Na Itália foi muito visada pelos censores, por glorifica uma figura revolucionária que combate as autoridades, e o número de suas apresentações no país era limitado. O Teatro San Carlo produziu a ópera em 1833, porém não a encenou novamente por cerca de 50 anos. A primeira produção de Veneza, no Teatro La Fenice, só ocorreu em 1856. Por outro lado, em Viena, apesar dos problemas de censura existentes, a Ópera da Corte de Viena a encenou 422 vezes entre os anos de 1830 e 1907 Com o nome de Hofer, ou o Tell do Tyrol, a ópera foi encenada pela primeira vez em Londres em 1º de maio de 1830. Em Nova York sua primeira apresentação foi realizada em 19 de setembro de 1831.

Fonte: Wikipédia


Tags: Guilherme Tell, lenda, ópera, Rossini, Uri, besta, arco e flecha, Independência da Suíça






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