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21 de agosto de 1770.

O Capitão James Cook, no fim da sua viagem de descoberta da Austrália, reclama o continente em nome do Império Britânico

O Capitão James Cook foi o responsável pela reivindicação da posse da Austrália para a Inglaterra em 1770

O responsável oficial pela descoberta da Austrália pelos norte-europeus foi o Capitão James Cook, que reclamou o vasto continente para a coroa do Reino Unido no dia 21 de agosto de 1770 e lhe chamou Nova Gales do Sul. Porém, e sem contar com a colonização aborígene verificada há cerca de 40.000 anos, a viagem do Capitão Cook foi apenas o corolário de várias expedições exploratórias aos mares do Sul em busca do mítico continente do Sul.

Nestas viagens, a Austrália teria sido visitada, segundo alguns investigadores, por portugueses (em 1522, por Cristóvão de Mendonça e em 1525 por Gomes de Sequeira), sendo certas as visitas dos neerlandeses a vários pontos da costa australiana a partir do século XVII.


Carta do atlas de Nicholas Vallard (1547), um dos Mapas de Dieppe, que alguns investigadores consideram representar a costa nordeste australiana (imagem: Biblioteca Nacional da Austrália)

A descoberta oficial

O interesse pelo continente austral reavivou-se no século XVIII, através das ambições coloniais do Império Britânico. Entre 1721 e 1766, a coroa britânica financiou várias expedições ao Oceano Pacífico que falharam a Austrália por seguirem rotas muito a Norte. Porém, vários avanços científicos recentes no controlo do escorbuto e na determinação da longitude, permitiam realizar agora viagens mais longas, mais seguras e com dados cartográficos resultantes mais fiáveis. A descoberta da Austrália estava, pois, mais próxima que nunca, apesar dos falhanços britânicos iniciais.

No dia 25 de agosto de 1768, um navio de 32 metros chamado HMS Endeavour largou do porto de Plymouth. A missão, comandada pelo Capitão James Cook, tinha como objetivo oficial observar o trânsito de Vênus que seria visível no Taiti em junho de 1769. Para tal, a tripulação incluía vários cientistas civis, entre os quais o astrônomo Charles Green e o botânico Joseph Banks, seus ilustradores, assistentes e secretários. Logo que o fenômeno astronômico fosse registado na data prevista, o Capitão Cook deveria entrar na segunda parte da sua missão: seguir para sudeste e determinar de uma vez por todas se o misterioso continente austral existia ou não.


Réplica do HMS Endeavour, o navio utilizado por Cook na sua viagem de 1770.

O Endeavour levou cerca de oito meses a chegar ao Tahiti, via Rio de Janeiro e Estreito de Magalhães e conseguiu chegar ao arquipélago a tempo de observar o trânsito de Vénus. Em agosto de 1769, com meia tarefa cumprida e os cientistas satisfeitos, Cook rumou para o desconhecido. A 6 de outubro o Endeavour avistou terra e ancorou no que Cook denominou de Poverty Bay (Baía da Pobreza). A tripulação, pensando ter descoberto o continente austral, tinha apenas ancorado ao largo da Ilha do Norte da Nova Zelândia. O erro foi rapidamente descoberto e Cook passou os quatro meses seguintes cartografando cerca de 2400 milhas da linha costeira das Ilhas do Norte e do Sul, na área que hoje em dia representa o Estreito de Cook. Para além das características geográficas, a tripulação do Endeavour registou também a presença de nativos ferozes, muito organizados e agressivos – os Maori – que representavam uma ameaça constante em todas as idas a terra.

Em 31 de março de 1770, o Capitão Cook decidiu regressar ao Reino Unido, concluindo que o continente austral era apenas um mito. A rota escolhida para o regresso foi a Oeste, visto que o Inverno do Hemisfério Sul estava no início, o que tornava a passagem do Estreito de Magalhães bastante perigosa. Cerca de duas semanas depois o Endeavour avistou uma nova linha de costa e Cook decidiu seguir ao longo desta em direcção a Norte. A 29 de abril, encontraram uma baía propícia para ancorar. A tripulação dirigiu-se a terra. O local revelou-se um paraíso para os naturalistas a bordo que passaram dias a colher e desenhar centenas de novos tipos e espécies de plantas. Em honra dos seus companheiros de viagem, Cook decidiu chamar o local de Botany Bay e seguiu em frente, desconhecendo que seria nesta mesma baía que 17 anos mais tarde se daria início à colonização da Austrália pelos europeus.

A viagem prosseguiu sem que ninguém se apercebesse de um perigo iminente: a Grande Barreira de Coral, a mais de 50 km ao largo na zona de Brisbane, afunila em direção ao Norte, estando muito próxima da costa na área da atual Cairns. Depois de várias semanas de manobras perigosas para evitar os recifes, o desastre aconteceu finalmente ao largo do Cabo Tribulation (Cabo das Tribulações), onde o Endeavour abriu um rombo no casco, em resultado de uma colisão com o coral. Cook conseguiu aportar o seu navio antes deste naufragar e passou cerca de um mês e meio na área de Cooktown em reparações. No processo, perdeu grande parte das bagagens do Endeavour incluindo os canhões, lançados borda fora para aliviar peso, mas dando também a oportunidade aos naturalistas para realizarem mais observações e recolhas.

Já convencido da existência do continente austral, a que chamou Nova Gales do Sul, o Capitão Cook contornou o Cabo York no dia 21 de agosto de 1770, entrando numa área já cartografada pelos navegadores holandeses. Para assinalar a descoberta, a tripulação desembarcou numa ilhota, hoje chamada Possession Island (Ilha da Possessão), onde Cook içou a Union Jack ao som de uma salva de mosquetes, reclamando assim o novo continente para o Império Britânico.

Estava, pois, concretizado o fim do mito do continente austral e a descoberta do que seria mais tarde a Austrália.

Fonte: Wikipédia


Tags: James Cook, navegador, descobridor, Austrália






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