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19 de janeiro de 2011.

Morre Ramiro Saraiva Guerreiro, diplomata brasileiro

Ramiro Elísio Saraiva Guerreiro - Diplomata e Ministro das Relações Exteriores

Ramiro Elísio Saraiva Guerreiro (Salvador, 2 de dezembro de 1918 — Rio de Janeiro, 19 de janeiro de 2011) foi um diplomata brasileiro.

Foi ministro das Relações Exteriores do Brasil entre 1979 e 1985, durante o governo João Figueiredo.

Formado em direito pela Universidade do Brasil (atual UFRJ) em 1939, fez em seguida o curso de prática consular e história da cartografia política do Brasil do Instituto Rio Branco.

Em 1946, serviu na missão brasileira junto à Organização das Nações Unidas (ONU) em Nova Iorque, como terceiro-secretário. Entre 1950 e 1952 serviu na Bolívia.

Em 1953 transferiu-se para Madri, onde permaneceu, como segundo secretário, até 1956, quando foi transferido para a embaixada do Brasil em Washington, onde permaneceu até 1960.

Em 1968 chefiou a delegação do Brasil à III Sessão do Comitê das Nações Unidas sobre o Fundo do Mar.

Em abril de 1974, pouco depois de o general Ernesto Geisel ser empossado na presidência da República, assumiu a Secretaria-Geral das Relações Exteriores, em substituição ao embaixador Jorge Carvalho e Silva, subordinado ao chanceler Azeredo da Silveira. Permaneceu no cargo até março de 1978, quando foi designado para ocupar a embaixada do Brasil na França, em substituição ao ex-ministro da Fazenda Antônio Delfim Neto.

Foi empossado como chanceler em março de 1979, juntamente com o presidente João Batista Figueiredo e o restante do ministério.

Deixou o Ministério das Relações Exteriores em 15 de março de 1985, no fim do governo Figueiredo, tendo sido substituído por Olavo Setúbal. No início de abril, assumiu a embaixada brasileira em Roma, permanecendo na Itália até janeiro de 1987.

Durante os anos 1970 e 1980, Guerreiro foi um dos defensores do chamado pragmatismo responsável nas relações exteriores, priorizando as relações sul-sul. Em 1980, fez também uma histórica viagem de contatos à África, incluindo Tanzânia, Zâmbia, Zimbábue, Angola e Moçambique, que recentemente se haviam libertado do domínio colonial.

Um dos momentos mais importantes da política "terceiro-mundista" do Itamaraty foi o pronunciamento do presidente Figueiredo na abertura da 37ª Assembleia Geral da ONU em setembro de 1982, quando o presidente leu um discurso preparado por Saraiva Guerreiro, questionando a ordem econômica mundial e preconizando o fim das barreiras comerciais impostas pelos países industrializados, a redução dos juros internacionais e a necessidade de novos investimentos nos países em desenvolvimento.

O discurso também defendia a "interdependência solidária entre a América Latina, a África e a Ásia", condenando a interferência estrangeira no Afeganistão e na América Central. Ratificando posições anteriores, o Brasil também reconheceu o direito do povo palestino a um Estado soberano e da Argentina sobre as ilhas Malvinas. Em 1983, Guerreiro foi um dos articuladores do Grupo de Cartagena, movimento de países latino-americanos que procurou estabelecer estratégias comuns nas negociações da dívida externa. A posição dos barbudinhos do Itamaraty contrariava a equipe econômica do governo, chefiada pelo então ministro do Planejamento, Delfim Neto (1979-1985).

No final de sua carreira, já no governo Sarney (1985-1990), foi nomeado embaixador extraordinário para assuntos da dívida externa - quando o Brasil já havia declarado unilateralmente a moratória, em fevereiro de 1987 - e defendeu a adequação do país às normas do Fundo Monetário Internacional - posição que acabou prevalecendo. A moratória acabou em setembro de 1988.

Saraiva Guerreiro retirou-se da vida pública em 1992, ano em que lançou o livro Lembranças de um empregado do Itamaraty. Era casado com Maria da Glória Vallim Guerreiro e tinha dois filhos - Rosa Maria e Antonio José Vallim Guerreiro, que também é diplomata.


Tags: diplomata, diplomacia, Itamaraty






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