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03 de setembro de 1941.

Holocausto: No campo de extermínio nazista de Auschwitz, o gás começa a ser usado para matar prisioneiros

Pilha de latas vazias de Zyklon B encontradas pelos aliados ao fim da Segunda Guerra Mundial.

Zyklon B era a marca registrada de um pesticida a base de ácido cianídrico, cloro e nitrogênio. Seu nome deriva dos substantivos alemães dos ingredientes principais e a letra B uma de suas diferentes concentrações. Este composto foi escolhido por proporcionar, com eficiência, uma morte rápida.

História

O Zyklon B foi desenvolvido em 1924 como um inseticida na Deutsche Gesellschaft für Schädlingsbekämpfung mbH (Degesch). Por ser inodoro, o produto era comercializado, por motivos de segurança, com um odorizador (um éster do ácido bromoacético), semelhante ao que acontece ao gás de cozinha.

Nos campos de concentração, Zyklon B foi inicialmente usado para desinfestar piolhos e evitar o tifo. O Zyklon B era fornecido pelas companhias alemãs Degesch (Deutsche Gesellschaft für Schädlingsbekämpfung mbH) e Tesch (Tesch und Stabenow, Internationale Gesellschaft für Schädlingsbekämpfung m.b.H.), sob licença do detentor da patente, a firma IG Farben. Posteriormente sendo utilizado nas câmaras de gás em diversos campos de concentração na Europa, com o único objetivo de exterminar em massa judeus e outros inimigos da Alemanha Nazista.

Na França, o grupo Ugine também produziu massivamente o Zyklon B na sua fábrica de Villers-Saint-Sépulcre (Oise).

O uso da palavra Zyklon (alemão para ciclone) continua a suscitar vivas reações de grupos judeus. Em 2002 a Bosch Siemens Hausgeräte e Umbro foram forçadas a recuar nas tentativas de usar ou registrar a marca para seus produtos.


Aspecto físico do Zyklon B.

Toxicologia

Os principais compostos do produto eram ácido cianídrico, cloro e nitrogênio. Ácido cianídrico é um forte veneno para os animais superiores incluindo, assim, o homem. A DL50 corresponde a 1 mg/kg e é um líquido muito volátil, que ferve aos 25.6 °C. Sua meia-vida é de 20 a 60 min. Possui forte odor de amêndoas amargas. O HCN é empregado absorvido em substâncias inertes, no caso do Zyklon B em sólidos e no Zyklon A em líquidos.

É absorvido principalmente pela via inalatória. As reações do gás no organismo, na intoxicação aguda correspondem a midríase, convulsão, rigidez muscular e paralisia respiratória.

Auschwitz I

Este era o campo original, que servia como centro administrativo de todo o complexo . A área – que abrigava dezesseis edifícios de um só andar – anteriormente havia servido de alojamento para a artilharia do exército. O Obergruppenführer-SS Erich von dem Bach-Zelewski, líder da polícia da Silésia, procurava um local para a construção de um novo campo, visto que os existentes estavam no limite de sua capacidade. Richard Glücks, chefe da Inspetoria dos Campos de Concentração (Inspektion der Konzentrationslager), enviou o ex-chefe do campo de Sachsenhausen, Walter Eisfeld, para avaliar a área. Ela foi aprovada, Himmler deu as ordens de construção e Rudolf Höss supervisionou as obras e se tornou seu primeiro comandante, com Josef Kramer como seu subcomandante.


Portão principal de Auschwitz I, onde se lê a frase "Arbeit macht frei" ("O trabalho liberta").

Os residentes no local foram despejados, incluindo 1200 pessoas que viviam em barracas ao redor dos quartéis, e foi criada uma área vazia de 40 km², que os alemães chamaram de "área de interesse no campo". Trezentos judeus residentes de Oswiecim foram requisitados e trazidos para trabalharem nas fundações. Entre 1940 e 1941, 17 mil poloneses e judeus residentes nos distritos ocidentais da cidade, adjacentes ao campo, foram despejados de suas habitações. Também foram ordenadas expulsões nas vilas de Broszkowice, Babice, Brzezinka, Rajsko, Plawy, Harmeze, Bór e Budy. A expulsão de civis poloneses cristãos era um passo na direção de estabelecer uma Zona de Exclusão ao redor dos campos, que serviria para isolá-los do mundo exterior e levar adiante o objetivo destinado a eles pela SS. Alemães e alemães étnicos nascidos fora do país ocuparam algumas das residências deixadas vazias pelos judeus, transportados para os guetos.

Os primeiros prisioneiros (30 criminosos alemães trazidos de Sachsenhausen) chegaram em maio de 1940. Foram trazidos com a intenção de destiná-los a atuar como funcionários dentro do sistema prisional. O primeiro transporte de prisioneiros poloneses para o campo, 728 deles, incluindo 20 judeus, chegou em 14 de junho, vindo da prisão de Tarnów, no sudeste da Polônia. Eles foram internados no antigo edifício da Polish Tobacco Monopoly, vizinho à área, até que o campo estivesse pronto. A população foi crescendo rapidamente, à medida que o complexo recebia dissidentes, intelectuais e membros da resistência polonesa presos. Em março de 1941, ele tinha 10.900 prisioneiros, a maioria dos quais poloneses.

A SS selecionava alguns prisioneiros, geralmente criminosos alemães, como supervisores com privilégios (os chamados kapos) sobre outros internos. Apesar de envolvidos em várias atrocidades em Auschwitz, apenas dois deles foram julgados no pós-guerra por seus comportamentos individuais, a maioria sendo considerada como não tendo outra escolha senão agir como agiram. As categorias de prisioneiros eram distinguidas por marcas especiais em suas roupas: verde para os criminosos comuns, vermelha para os presos políticos e amarela para os judeus. Judeus e prisioneiros soviéticos eram geralmente os tratados da pior maneira. Todos os prisioneiros tinham que trabalhar nas fábricas de armas associadas ao complexo, à exceção dos domingos, reservado para limpeza e banho. As duras condições do trabalho, combinadas com a pouca alimentação e falta de higiene, levaram a um crescimento considerável da taxa de mortalidade entre os presos. Dos primeiros 10 mil prisioneiros de guerra soviéticos internados, apenas algumas centenas deles sobreviveram aos cinco primeiros meses.


Um corredor do Bloco 11 de Auschwitz I.

O Bloco 11 de Auschwitz I era considerado "a prisão dentro da prisão", onde aqueles que quebravam as regras, tentavam escapar ou eram suspeitos de sabotagem eram punidos. Alguns prisioneiros eram obrigados a passar noites seguidas nas "celas verticais", pequenas celas de 1,5 m², onde quatro deles eram colocados ao mesmo tempo, não tendo outra alternativa que passarem a noite toda em pé, saindo no dia seguinte novamente para os trabalhos forçados nas fábricas.

No porão do bloco ficavam as "celas da fome", onde os aprisionados ali ficavam sem receber comida ou água até que morressem. Lá também ficavam as "celas escuras", que tinham apenas um pequeno espaço na parede para respirar e portas sólidas; os prisioneiros colocados nestas celas permanentemente na escuridão iam gradualmente sufocando à medida que o oxigênio ia rareando dentro delas; às vezes, os guardas SS acendiam velas para fazer o oxigênio acabar mais depressa; muitos dos ali aprisionados eram suspensos com as mãos amarradas para trás por horas ou mesmo dias, o que fazia com que, ao passar do tempo, suas clavículas fossem deslocadas.


O subcomandante SS-Hauptsturmführer Karl Fritzsch, desaparecido a 2 de maio de 1945.

Em 3 de setembro de 1941, o subcomandante SS-Hauptsturmführer Karl Fritzsch fez uma primeira experiência bem sucedida com seiscentos prisioneiros de guerra soviéticos e 150 poloneses, trancando-os dentro de um dos porões do bloco 11 e gaseificando-os com Zyklon-B, um pesticida altamente letal à base de cianureto.

Isto abriu o caminho para o uso do Zyklon-B como instrumento de extermínio em massa em Auschwitz, e uma câmara de gás e um crematório foram construídos, adaptando-se um bunker para isso.

Esta câmara de gás operou entre 1941 e 1942 e cerca de 60 mil pessoas morreram ali; ela foi depois convertida num abrigo antiaéreo para uso da SS. A câmara existe ainda hoje, assim como o crematório, que foi reconstruído após a guerra usando os componentes originais, que permaneceram na área após a libertação.

Fonte: Wikipédia


Tags: Nazismo, câmara de gás, judeus, holocausto, Zyklon B, Auschwitz






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