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19 de setembro de 1783.

Os irmãos Montgolfier lançaram o primeiro balão com criaturas vivas a bordo: uma ovelha, um galo e um pato

O voo do Aérostat Réveillon em 19 de setembro de 1783.

Os Irmãos Montgolfier; Joseph-Michel (✰ Annonay, 26 de agosto de 1740; ✝ Balaruc-les-Bains, 26 de junho de 1810) e Jacques-Étienne (✰ Annonay, 6 de janeiro de 1745; ✝ Neuchâtel, 2 de agosto de 1799), foram dois irmãos inventores franceses, que construíram o primeiro balão tripulado do mundo, que elevou Étienne aos céus em 4 de junho de 1783.

Devido a esse feito, em dezembro de 1783, o pai deles, Pierre, foi elevado à nobreza com brasão próprio e o sobrenome de Montgolfier passou a ser hereditário, por decreto do Rei Luís XVI.


Primeiro voo de demonstração pública em Annonay, 4 de junho de 1783.

Histórico

Os irmãos eram filhos de um fabricante de papel (a fábrica é a Canson, que até hoje é uma das companhias mais tradicionais e modernas do mundo) de Annonay, sul de Lyon, França. Segundo consta, quando os irmãos brincavam com um saco de papel aberto invertido sobre o fogo, eles repararam que o saco flutuava. Em 1777 eles iniciaram a construção de modelos, que foram evoluindo até o ano de 1782, quando Joseph fez um experimento definitivo, quando residia na cidade de Avignon e enquanto contemplava uma fogueira, imaginou um assalto à fortaleza de Gibraltar (até então inexpugnável por terra e pelo mar), com tropas erguidas pela mesma força que erguia as brasas da fogueira. Todos aqueles experimentos e observações reforçaram a ideia de que eles poderiam finalmente realizar o grande sonho da humanidade, o de voar. Passaram então a fazer diversos experimentos com diversos materiais até construírem um balão prático.

Como resultado dessas pesquisas iniciais, Joseph iniciou a construção de uma câmara em formato de caixa com estrutura de madeira bem fina recoberta de Tafetá, medindo: 1 × 1 × 1,3 m. Ele amassou e queimou alguns papéis sob o modelo, que imediatamente alçou voo e chegou ao teto. Depois disso, Joseph e Jacques iniciaram o projeto de construção de um modelo bem maior (27 vezes maior em termos de volume). No primeiro voo desse modelo maior, realizado em 14 de dezembro de 1782, a força de sustentação foi tão grande que eles perderam o controle do dispositivo, que voou por cerca de dois quilômetros e foi destruído depois do pouso.


Os irmãos Joseph Michel Montgolfier e Jacques-Étienne Montgolfier

Decididos a fazer uma demonstração pública para reivindicar a autoria do invento, os irmãos Montgolfier construíram um balão em forma de esfera feito de serapilheira com três camadas de papel no interior, com capacidade de 790 m³ de ar pesando 225 kg, constituído de quatro partes (o topo e mais três laterais) seguras por 1.800 botões e uma rede de pesca reforçada. No dia 4 de junho de 1783, eles fizeram a sua demonstração pública desse balão em Annonay na presença de um grupo de dignatários do États particuliers. O seu voo se estendeu por 2 km, durou cerca de 10 minutos e atingiu uma altitude estimada de 1.600 a 2.000 m. As notícias desse sucesso chegaram rapidamente à Paris. Étienne foi para a capital para fazer mais demonstrações e solidificar a reivindicação da "invenção do voo".

Em colaboração com o fabricante de papel de parede, Jean-Baptiste Réveillon, Étienne construiu um balão ainda maior, com 1.060 m³ de capacidade de ar, feito de tafetá envernizado com alume (que tem propriedades antichamas). O balão era azul, decorado com flores douradas, signos do zodíaco e Sóis. O teste seguinte ocorreu em 11 de setembro de 1783 em terras próximas à casa de Réveillon. Na semana seguinte, em 19 de setembro de 1783, em frente ao Palácio de Versalhes perante um público que incluiu o Rei Luis XVI e a Rainha Maria Antonieta, o Aérostat Réveillon voou com os primeiros seres vivos a bordo: uma ovelha, um pato e um galo (apesar de o Rei ter proposto enviar dois criminosos). Este voo durou cerca de 8 minutos, se estendeu por 3 km chegando a cerca de 460 m de altitude e pousando em segurança.


O voo do Aérostat Réveillon em 19 de setembro de 1783.

Depois da demonstração bem-sucedida em Versailles, e novamente com a ajuda de Réveillon, Étienne iniciou a construção de outro balão, desta vez com 1.700 m³ de capacidade de ar, com o objetivo de transportar seres humanos. Este novo balão tinha cerca de 23 m de altura e 15 m de diâmetro, e era ricamente decorado com temas e cores fornecidos por Réveillon, que incluíam o rosto de Luis XVI entrelaçado com o monograma real. Ao que se sabe, Étienne Montgolfier foi o primeiro ser humano a levantar voo do solo, fazendo no mínimo um voo seguro por cordas do pátio da oficina de Réveillon no subúrbio de Paris conhecido como Faubourg Saint-Antoine, provavelmente a 15 de outubro de 1783. Mais tarde naquele mesmo dia, Pilâtre de Rozier tornou-se o segundo ser humano a voar num balão atingindo cerca de 24 m de altitude, que era o comprimento da corda.

Em 21 de novembro de 1783, ocorreu o primeiro voo livre de seres humanos num balão, executado por Pilâtre juntamente com o oficial do exército, marquês d'Arlandes. O voo partiu das terras do castelo de la Muette (perto do parque Bois de Boulogne), lado Oeste de Paris. Eles voaram por 9 km a cerca de 910 m acima de Paris, depois de 25 minutos, o aparelho pousou entre os moinhos de Butte-aux-Cailles, tendo o voo sido abreviado por um princípio de incêndio no tecido que recobria o balão.

Esses primeiros voos foram muito comemorados, e vários trabalhos de gravura, escultura e outros tipos de artesanato foram feitos retratando os balões.

No início de 1784, um balão, então batizado em Flesselles, em homenagem à Jacques de Flesselles fez um pouso forçado com sua tripulação. Em junho de 1784, o balão batizado de La Gustave levou como passageira a aeronauta cantora, Élisabeth Thible.


Modelo do Balão Montgolfier no museu de Bruxelas.

Controvérsia

Boa parte da comunidade lusófona, atribui a invenção do balão ao Padre Jesuíta português Bartolomeu de Gusmão, a quase oitenta anos antes, em 1709, o padre nascido no Brasil colônia, teria conseguido a ascensão de um balão cheio de ar quente o qual chamou de "passarola".

Alguns dos seus desenhos da aeronave foram impressos no periódico Wienerische Diarium, nesse mesmo ano no princípio do século XVIII, e que inclusive houve uma demonstração pública da experiência frente à corte portuguesa na presença do futuro papa.

As "provas" de que o invento dos Montgolfier teria sido apenas a aplicação prática do aeróstato inventado por Gusmão, ficam por conta de que após a fuga dele para a Espanha (devido à "Inquisição"), ele deixou seus planos inventivos com seu irmão e notável cientista Alexandre de Gusmão. Fontes alegam que quando Alexandre esteve em Paris, manteve estreitas relações de amizade com o cientista José de Barros, o qual por sua vez era amigo pessoal dos Montgolfier e lhes teria passado essas informações. Ainda segundo algumas fontes, a originalidade do trabalho de Gusmão ficou demonstrada com as publicações das revistas francesas Nouvelle Europe e L'Aeron do início do século XX, especificamente, referindo-se à descoberta da petição que Bartolomeu de Gusmão fez a D. João V de Portugal, para a sua construção e demonstração pública, que tinha sido encontrada no Vaticano. No entanto, essa reivindicação não é reconhecida pelos historiadores de aviação não lusófonos, em particular a Fédération Aéronautique Internationale.

Fonte: Wikipédia


Tags: Aviação, balão, balonismo, passarola, irmão Montgolfier, Bartolomeu de Gusmão






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