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Sexta-Feira, 30 de Setembro de 1968.

Morre Sérgio Marcus Rangel Porto o “Stanislaw Ponte Preta”, escritor brasileiro


Sérgio Marcus Rangel Porto (Rio de Janeiro, 11 de janeiro de 1923 - Rio de Janeiro, 30 de setembro de 1968) foi um cronista, escritor, radialista e compositor brasileiro. Era mais conhecido por seu pseudônimo “Stanislaw Ponte Preta”.

Sérgio começou sua carreira jornalística no final dos anos 40, atuando em publicações como as revistas Sombra e Manchete e os jornais Última Hora, Tribuna da Imprensa e Diário Carioca. Foi aí que surgiu Stanislaw (inspirado no personagem Serafim Ponte Grande de Oswald de Andrade) e suas crônicas satíricas e críticas. Porto também contribuiu com publicações sobre música e escreveu shows musicais para boates, além de compor a música Samba do Crioulo Doido para o Quarteto em Cy.

Conhecedor de Música Popular Brasileira e jazz, ele definia a verdadeira MPB pela sigla MPBB - Música Popular Bem Brasileira. Era boêmio, de um admirável senso de humor e sua aparência de homem sisudo escondia um intelectual peculiar capaz de fazer piadas corrosivas contra a ditadura militar e o moralismo social vigente, que fazem parte do FEBEAPÁ - Festival de Besteiras que Assola o País, uma de suas maiores criações.

FEBEAPÁ – “Festival de Besteiras que Assola o País” tinha como característica simular as notas jornalísticas, parecendo noticiário sério. Era uma forma de criticar a repressão militar já presente nos primeiros Atos Institucionais (que tinham a sugestiva sigla de AI). Um deles noticiou a decisão da ditadura militar de mandar prender o autor grego Sófocles, que morreu há séculos, por causa do conteúdo subversivo de uma peça encenada na ocasião (anos 60).

Satirizando o colunista Jacinto de Thormes (pseudônimo de Maneco Muller), Porto, na pele de Stanislaw, criou uma seção chamada As Certinhas do Lalau, onde cada edição falava de uma musa da temporada, e muitas vedetes e atrizes foram eleitas certinhas pela pena admirável do jornalista.

Alcançou a fama por seu senso de humor refinado e a crítica mordaz aos costumes nos livros Tia Zulmira e Eu e FEBEAPÁ. Sua jornada diária nunca era inferior a 15 horas de trabalho. Escrevia para o rádio, para a TV, onde chegou a apresentar programas, e também para revistas e jornais, além de idealizar seus livros. O excesso de obrigações seria demais para o cardíaco Sérgio, que morreu de infarto aos 45 anos de idade.

Porto não viveu para presenciar o Ato Institucional Número Cinco, mas em sua memória um grupo de jornalistas e intelectuais fundou o semanário “O Pasquim”, em 1969.

Tags: cronista, escritor, radialista, compositor






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