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15 de maio de 1989.

Gorbachev chega em Beijing para primeira reunião de cúpula entre União Soviética e China em 30 anos

O presidente soviético Mikhail Gorbachev e o presidente chinês, Deng Xiaoping

Por Ruptura Sino-Soviética designa-se a crise nas relações entre a República Popular da China e a União Soviética que começou em finais da década de 1950 e se intensificaria durante a década de 1960.

Origens

As raízes do conflito entre os comunistas chineses e a União Soviética remontavam à época em que Mao Tse-tung tinha tomado o poder no Partido Comunista Chinês contra as preferências soviéticas. Até esse momento, o Partido Comunista Chinês esteve sob a tutela da União Soviética através do Komintern ou Terceira Internacional, a organização financiada por Moscou para promover o comunismo no mundo. Mao tinha marcado distâncias com o comunismo soviético, desenvolvendo uma ideologia comunista própria, baseada mais nos camponeses do que nos operários urbanos, contra a ortodoxia ideológica soviética. Na luta pelo poder que teve lugar durante a Grande Marcha, Mao Tse-tung converter-se-ia num líder indiscutível do partido, frente aos dirigentes de formação russa apoiados por Moscou, Bo Gu e Wang Ming. Apesar destas diferenças e da antipatia pessoal entre os dois líderes, Mao e Stalin, a vitória comunista na Guerra Civil Chinesa em 1949 tinha feito necessária a aliança entre os dois regimes por conveniência mútua. A República Popular da China, especialmente depois da Guerra da Coreia, não podia recorrer à ajuda do Ocidente, e a União Soviética era a referência internacional do movimento comunista que, sob Stalin, tinha conseguido converter-se numa das maiores superpotências do mundo. Por sua vez, a União Soviética, no seu papel de líder do movimento comunista, via a subida ao poder de um partido comunista, no país mais populoso do mundo, como um passo de suma importância na expansão do seu sistema político e da sua influência global.

Disputas territoriais e confronto armado

A estas desavenças ideológicas uniram-se outras de tipo nacionalista. Embora no Tratado de Amizade, Aliança e Assistência Mútua assinado em 14 de fevereiro de 1950, a República Popular tinha aceito reconhecer a independência da Mongólia Exterior, antigo território chinês, os dirigentes chineses tentariam reabrir a questão depois da morte de Stalin. Também se colocaram outras reivindicações territoriais chinesas ao longo da fronteira entre os dois países. Nikita Khrushchov recusou logo as pretensões chinesas de rever a fronteira sino-soviética. Estas disputas territoriais alcançariam o seu momento de tensão máxima no incidente da ilha de Zhenbao ("Damanski" em russo) no rio Ussuri, onde houve uma batalha entre tropas chinesas e soviéticas pelo controlo da ilha. Este confronto armado iria ser o pior momento nas relações entre os dois países, e chegou-se a temer a possibilidade de uma grande guerra entre as duas potências comunistas.

Melhoria das relações no final do período soviético

Durante a década de 1970, a República Popular da China iniciou uma política de aproximação aos Estados Unidos da América e às potências ocidentais. Isto permitiu-lhe arrebatar à República da China, o regime de Taiwan, o lugar da China nas Nações Unidas e conseguir por fim o reconhecimento diplomático da maioria dos países ocidentais que continuavam a reconhecer no regime de Chiang Kai-shek em Taiwan o governo legítimo da China.

Face a esta abertura de relações com os países ocidentais, as relações entre China e União Soviética mantiveram-se distantes até finais da década de 1980, quando o líder soviético Mikhail Gorbachov iniciou um processo de abertura que o levaria a visitar a China em 1989.

Esta aproximação produziu-se num momento de grandes problemas para os dois países. A visita de Gorbachov a Pequim em 15 de maio de 1989 coincidiu com os enormes protestos que ocorreram em toda a China, em particular os protestos da Praça de Tian'anmen. A crise que passava o regime chinês, uniu-se a crise do sistema soviético, finalmente muito mais grave, que provocaria a dissolução da União Soviética no final de 1991, dividida em quinze novas repúblicas independentes. Desde aí, o principal estado sucessor da União Soviética, a Federação Russa, mantém relações muito mais cordiais com a República Popular da China, ao desaparecer a antiga rivalidade ideológica.

Para muitos historiadores e analistas políticos internacionais o dia 15 de maio de 1989 marcou uma forte mudança no curso da história mundial, quando o presidente soviético Mikhail Gorbachev se encontrou com o presidente chinês, Deng Xiaoping em Pequim.

Qian Qichen, o ex-ministro das Relações Exteriores da China, escreve em seu livro "dez episódios em Diplomacia da China", publicado em 2006, que levou dez anos para preparar a reunião dos dois líderes. Em 1982, a China formulou vários princípios para a normalização das relações bilaterais, que estavam congeladas desde o confronto entre as duas potências comunistas entre 1969-1979.

Consultas sino-soviéticas sobre as propostas de Pequim começou em outubro de 1982. Leonid Brejnev morreu três semanas mais tarde, e os líderes soviéticos seguintes, Yury Andropov e Konstantin Chernenko, não sobreviveram por muito tempo. Enquanto isso, as consultas continuavam, às vezes muito lentamente e em outras vezes assemelhando-se uma conversa entre surdos e mudos.

Mas o fato histórico é que o confronto entre as duas superpotências foi finalmente encerrado com a visita de Gorbachev à China entre 15 e 18 de maio de 1989. Isso fortaleceu muito a sua posição internacional e permitiu que cada país iniciasse reformas econômicas, sendo que a reforma da China provou ser mais bem-sucedida do que a da União Soviética.

Os dois países se livraram de suas ilusões sobre a possibilidade de uma união ideológica e passaram a trabalhar como parceiros, promovendo relações baseadas na proximidade geográfica.

A China conseguiu o que queria: O problema cambojano foi resolvido, e as tropas soviéticas retiradas da Mongólia e da fronteira soviético-chinesa. Tropas chinesas na fronteira mútua também mudaram de posição.

Foi um pouco de sorte histórica o sucesso do encontro. Se não fosse pelos eventos na Praça de Tian'anmen, as relações entre a União Soviética e a China, que ainda refletiam o conflito fronteiriço de 1969, poderiam ter tomado um rumo diferente.

Enquanto os Estados Unidos e a Europa pressionavam e colocaram no ostracismo a China, Gorbachev absteve-se de seguir o mesmo rumo, mas em vez disso usou a situação para fortalecer as relações com a China e até mesmo ajudou a rearmar o exército chinês, que já não ameaçava a União Soviética.

Fonte: Wikipédia


Tags: Mikhail Gorbachev, Beijing, União Soviética, China, Ruptura Sino-Soviética






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