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16 de maio de 1920.

Santa Joana d'Arc é canonizada pelo Papa Bento XV em Roma

Pintura romântica de Joana D'Arc na Batalha de Orleans.

Joana d'Arc (em francês: Jeanne d'Arc, IPA: [ʒan daʁk]; em italiano: Giovanna D'Arco; ca. 1412 – 30 de maio de 1431), cognominada "A Donzela de Orléans" (em francês: La Pucelle d'Orléans) e também conhecida como Joana d'Arc, a ruiva (em francês: Jeanne d'Arc, la rousse) é uma heroína francesa e santa da Igreja Católica. É a santa padroeira da França e foi uma chefe militar da Guerra dos Cem Anos, durante a qual tomou partido pelos armagnacs, na longa luta contra os borguinhões e seus aliados ingleses. Foi executada pelos borguinhões em 1431. Camponesa, modesta e analfabeta, foi uma mártir francesa e também heroína de seu povo, canonizada em 16 de maio de 1920, quase cinco séculos depois de ter sido queimada viva em um auto de fé.

Segundo a escritora Irène Kuhn, Joana d'Arc foi esquecida pela história até o século XIX, conhecido como o século do nacionalismo, o que pode confirmar as teorias de Ernest Gellner. Irène Kuhn escreveu que foi apenas no século XIX que a França redescobriu esta personagem trágica. François Villon, nascido em 1431, no ano de sua morte, evoca sua lembrança na Ballade des dames du temps jadis ou seja, Balada das damas do tempo passado:

 Et Jeanne, la bonne Lorraine

 Qu'Anglais brûlèrent à Rouen;

 Où sont-ils, où, Vierge souvraine? 

 Mais où sont les neiges d'antan?

 E Joana, a boa Lorena

 Que os ingleses queimaram em Rouen;

 Onde eles estão, onde, Virgem soberana?

 Mas onde estão as neves de antanho?

Shakespeare retratou-a como uma bruxa; Voltaire escreveu um poema satírico, ou pseudo-ensaio histórico, em que a ridicularizava, intitulado La Pucelle d´Orléans ou "A Donzela de Orléans".

Depois da Revolução Francesa, o partido monárquico reavivou a lembrança da boa lorena, que jamais desistiu do seu rei. Joana foi recuperada pelos profetas da "França eterna", em primeiro lugar pelo grande historiador romântico Jules Michelet. Com o romantismo, o alemão Schiller fez dela a heroína da sua peça de teatro Die Jungfrau von Orléans, publicada em 1801. Em 1870, quando a França foi derrotada pela Alemanha, evento que leva à ocupação da Alsácia e da Lorena pelas tropas alemãs, "Jeanne, a pequena pastora de Domrémy, um pouco ingênua", tornou-se a heroína do sentimento patriótico francês. Republicanos e nacionalistas exaltaram aquela que deu a sua vida pela pátria. Durante a primeira fase da Terceira República, no entanto, o culto a Joana d'Arc esteve associado à direita monarquista, da qual era um dos símbolos, como o rei Henrique IV, sendo todavia mal vista pelos republicanos.

A Igreja Católica francesa propôs ao Papa Pio X a sua beatificação, que se realizou em 1909, num período dominado pela exaltação do nacionalismo e pelo repúdio ao não nacional, principalmente ao que provinha de Inglaterra ou da Alemanha. O gesto do Papa teve como propósito político fazer a Igreja de França entrar em sintonia política com os dirigentes anticlericais da III República, e só com a Primeira Guerra Mundial, de 1914 a 1918, Joana deixa de ser uma heroína exclusiva da direita. Segundo Irène Kuhn, a partir desse período os "postais patrióticos" mostram Jeanne à cabeça dos exércitos e monumentos seus aparecem como cogumelos por toda a França. O Parlamento francês estabelece uma festa nacional em sua honra no 2º domingo de maio.

Em 16 de maio de 1920, cerca de 500 anos depois de sua morte, Joana d'Arc foi definitivamente reabilitada, sendo canonizada pelo Papa Bento XV, como Santa Joana d'Arc. A canonização traduzia o desejo da Santa Sé de estabelecer laços com a França republicana, laica e nacionalista. Em 1922 foi declarada padroeira de França.

Joana d'Arc: a guerreira

Munida de uma bandeira branca, Joana chega a Orleans em 29 de abril de 1429. O nível de participação dela nas campanhas ou decisões de comando é motivo de debate entre os historiadores. Segundo relatos de oficiais franceses da época, Joana não teria lutado pessoalmente mas havia ficado muito próximo de onde a batalha acontecia, encorajando os homens. Ela também participava dos conselhos de guerra dos generais, que frequentemente ouviam o que ela tinha a dizer (possivelmente acreditando que suas instruções tinham origem divina). Sob seu estandarte, o exército de 4 000 homens derrotaram os ingleses em batalha e romperam o cerco a Orleans a 8 de maio de 1429. A presença de Joana é creditada como fundamental para a vitória, dando coragem e força aos soldados. Os franceses estavam cercando Orleans havia quase oito meses e não conseguiam superar as defesas inglesas. Porém, com Joana ao seu lado, o fervor religioso e patriótico reascendeu nas tropas e os conduziu a vitória.


Pintura romântica de Joana D'Arc na Batalha de Orleães.

Existem histórias paralelas a esta que informam que a figura de Joana era diferente. Ela teria chegado para a batalha em um cavalo branco, armadura de aço, e segurando um estandarte com a cruz de Cristo, circunscrita com o nome de Jesus e Maria. Segundo esta outra versão, Joana teria sido apenas arrastada pelo fascínio sobrenatural de seus sonhos e proposta de missão a cumprir segundo a vontade divina e sem saber nada sobre arte de guerra comandou os soldados rudes, com ar angelical, e em sua presença ninguém se atrevia a dizer ou praticar inconveniências. Ela apresentava-se extremamente disciplinada.

Após a vitória em Orleans, os ingleses pensaram que os franceses iriam tentar reconquistar Paris ou a Normandia, mas ao invés disto, Joana convenceu o Delfim a iniciar uma campanha sobre o rio Loire. Isso já era uma estratégia de Joana para conduzir o Delfim a cidade de Rouen.

Joana dirigiu-se a vários pontos fortificados sobre pontes do rio Loire. Em 11 e 12 de junho de 1429 participou da vitória francesa na Batalha de Jargeau. No dia 15 de junho de 1429 foi a vez da Batalha de Meung-sur-Loire. A terceira vitória foi na Batalha de Beaugency, nos dias 16 e 17 de junho de 1429. Um dia após sua última vitória se dirigiu a Patay, onde sua participação foi pouca. A luta na região, única batalha em campo aberto, já se desenrolava sem a presença de Joana d'Arc.

A morte de Joana d'Arc
A captura

Na primavera de 1430, Joana d'Arc retomou a campanha militar e passou a tentar libertar a cidade de Compiègne, onde acabou sendo dominada e capturada pelos borguinhões, aliados dos ingleses.

Durante um ataque ao campo de Margny, controlado pelos borguinhões, Joana acabou sendo presa em 23 de maio de 1430. Entre os dias 23 e 27 foi conduzida ao castelo de Beaulieu-lès-Fontaines. Joana foi entrevistada entre os dias 27 e 28 pelo próprio Duque de Borgonha, Filipe III. Naquele momento Joana era propriedade do Duque de Luxemburgo. Ela foi levada ao Castelo de Beaurevoir, onde permaneceu todo o verão, enquanto o duque de Luxemburgo negociava sua venda. Ao vendê-la aos ingleses, Joana foi transferida a Rouen.


Estátua de Joana d'Arc na Catedral de Notre-Dame de Paris.

Duas mulheres, duas personalidades em guerra

A infanta D. Isabel, filha de D. João I e duquesa de Borgonha (e em cuja honra foi criada por Filipe, o Bom a Ordem do Tosão de Ouro, em janeiro de 1430, por ocasião da chegada de Isabel ao ducado), poderia ter sido a impulsionadora da perseguição a Joana D'Arc. Não só como Infanta de Portugal, aliada da Inglaterra e de Borgonha, mas porque Joana D'Arc a submetera a cerco quando chegara a Borgonha para se casar com Filipe, o Bom. Implacável (como se vê pela sua atitude perante o seu irmão D. Henrique, o "traidor" da Alfarrobeira), não desistiu enquanto Joana D'Arc não pagou pela insolência com a própria vida.

O processo em Rouen

Joana foi presa em uma cela escura e vigiada por cinco homens. Em contraste ao bom tratamento que recebera em sua primeira prisão, Joana agora vivia seus piores tempos.

O processo contra Joana teve início no dia 9 de janeiro de 1431, sendo chefiado pelo bispo de Beauvais, Pierre Cauchon. Foi um processo que passaria à posteridade e que converteria Joana em heroína nacional, pelo modo como se desenvolveu e trouxe o final da jovem, e da lenda que ainda nos dias de hoje mescla realidade com fantasia.


Pintura histórica por Paul Delaroche mostrando o Cardeal Henrique Beaufort interrogando Joana d'Arc na prisão.

Dez sessões foram feitas sem a presença da acusada, apenas com a apresentação de provas, que resultaram na acusação de heresia e assassinato.

No dia 21 de fevereiro de 1431, Joana foi ouvida pela primeira vez. A princípio ela se negou a fazer o juramento da verdade, mas logo o fez. Joana foi interrogada sobre as vozes que ouvia, sobre a igreja militante, sobre seus trajes masculinos. No dia 27 e 28 de março, Thomas de Courcelles fez a leitura dos 70 artigos da acusação de Joana, e que depois foram resumidos a 12, mais precisamente no dia 5 de abril. Estes artigos sustentavam a acusação formal para a Donzela buscando sua condenação.

No mesmo dia 5, Joana começou a perder saúde por causa de ingestão de alimentos venenosos que a fez vomitar. Isto alertou Cauchon e os ingleses, que lhe trouxeram um médico. Queriam mantê-la viva, principalmente os ingleses, porque planejavam executá-la.

Durante a visita do médico, Jean d’Estivet acusou Joana de ter ingerido os alimentos envenenados conscientemente para cometer suicídio. No dia 18 de abril, quando finalmente ela se viu em perigo de morte, pediu para se confessar.

Os ingleses impacientaram-se com a demora do julgamento. O conde de Warwick disse a Cauchon que o processo estava demorando muito. Até o primeiro proprietário de Joana, Jean de Luxemburgo, apresentou-se a Joana fazendo-lhe a proposta de pagar por sua liberdade se ela prometesse não atacar mais os ingleses. A partir do dia 23 de maio, as coisas se aceleraram, e no dia 29 de maio, ela foi condenada por heresia.


Joana d'Arc sendo queimada viva.

A morte

Joana foi queimada viva em 30 de maio de 1431, com apenas dezenove anos. A cerimônia de execução aconteceu na Praça do Velho Mercado (Place du Vieux Marché), às 9 horas, em Rouen.

Antes da execução ela se confessou com Jean Totmouille e Martin Ladvenu, que lhe administraram os sacramentos da Comunhão. Entrou, vestida de branco, na praça cheia de gente, e foi colocada na plataforma montada para sua execução. Após lerem o seu veredito, Joana foi queimada viva. Suas cinzas foram jogadas no rio Sena, para que não se tornassem objeto de veneração pública. Era o fim da heroína francesa.

Após a morte de Joana d'Arc

A revisão do seu processo começou a partir de 1456, quando foi considerada inocente pelo Papa Calisto III, e o processo que a condenou foi considerado inválido, e em 18 de abril de 1909 a Igreja Católica autoriza sua beatificação. Em 16 de maio de 1920, Joana d'Arc é canonizada pelo Papa Bento XV. Sua Festa litúrgica é comemorada a 30 de maio.

Temos uma outra versão que informa que vinte anos após a sua condenação à fogueira, os pais de Joana d'Arc pediram que o Papa da época, Calisto III, autorizasse uma comissão que, numa pesquisa serena e profunda, reconheceu a nulidade do processo por vício de forma e de conteúdo. Joana d´Arc desta maneira teve sua honra reabilitada, e o nome feiticeira, e bruxa foi apagado para que ela fosse reconhecida por suas virtudes heroicas, provenientes de uma missão divina.

Joana também enquanto morria era chamada de bruxa, mentirosa, blasfema.

Ela foi proclamada Mártir pela Pátria e da Fé.

Fonte: Wikipédia


Tags: Joana d'Arc, Guerra dos Cem Anos, santa, canonizada, canonização






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