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Sexta-Feira, 13 de Outubro de 1884.

Os cientistas determinaram o meridiano de Greenwich (linha imaginária que corta os pólos) como ponto de referência para determinação dos fusos horários

 A linha vermelha vertical do meio é o Meridiano de Greenwich.

O Meridiano de Greenwich ou Meridiano Principal é o meridiano que passa sobre a localidade de Greenwich (no Observatório Real, nos arredores de Londres, Reino Unido) e que, por convenção, divide o globo terrestre em ocidente e oriente, permitindo medir a longitude. Foi estabelecido por Sir George Biddell Airy em 1851. Definido por acordo internacional em 13 de outubro de 1884, enfrentou uma concorrência com a França (seria denominado "meridiano de Paris"), Espanha, (seria denominado "meridiano de Cádis") e com Portugal, (seria denominado "meridiano de Coimbra"), antes de ser definido como o primeiro meridiano.

Assim foi definido graças ao poder da grande potência da época, a Inglaterra. Serve de referência para calcular distâncias em longitudes e estabelecer os fusos horários. Cada fuso horário corresponde a uma faixa de quinze graus de longitude de largura, sendo a hora de Greenwich chamada de Greenwich Mean Time (GMT).

O Meridiano de Greenwich atravessa dois continentes e sete países. (na Europa: Reino Unido, França e Espanha; e na África: Argélia, Mali, Burkina Faso e Gana).

Seu antimeridiano é o meridiano 180, que coincide fugazmente com a irregular Linha Internacional de Data, cruza uma parte da Rússia no Estreito de Bering e uma das ilhas do arquipélago de Fiji, no oceano Pacífico.


Meridiano 0, marcado no observatório de Greenwich, a leste de Londres.

História
Antes de Greenwich

Nem sempre o meridiano de Greenwich foi utilizado para a contagem dos graus de longitude. Balbi assim historiou o assunto, no seu Tratado de Geographia Universal, Physica, Historica e Política (1858):

… não assim os graus de longitude, por isso que contando-se de um meridiano de convenção, a que chamam primeiro meridiano há dois modos de os contar, a saber : ou até 360º começando do primeiro meridiano para a parte oriental até o encontrar pela parte ocidental, ou até 180º para a parte oriental, e até outros 180º para a ocidental, e em caso tal é mister que se declare expressamente se a longitude é oriental ou ocidental.

Os geógrafos antigos, e ainda hoje os alemães, seguiram sempre o primeiro modo de os contar; o segundo foi geralmente adaptado pelos modernos, e em particular pelos franceses e ingleses.

Quanto ao meridiano de convenção ou primeiro meridiano, convém saber, que Ptolomeu adaptou o das ilhas Afortunadas ou Ilhas Canárias, por se acharem no limite ocidental dos países naquele tempo conhecidos; que Luís XIII, rei de França, determinou por decreto aos geógrafos franceses de referirem as longitudes ao meridiano da Ilha de Ferro, que é a mais ocidental daquele arquipélago; que os holandeses adaptaram o do Pico de Tenerife; que Gerardo Mercator, célebre geógrafo, escolheu o da Ilha do Corvo no arquipélago dos Açores, porque nele no seu tempo a agulha de marear não sofria nenhuma declinação; que porém, ultimamente, quase todas as nações adaptaram os meridianos de seus respectivos observatórios. Os franceses reportam-se ao meridiano do observatório de Paris, os ingleses ao de Greenwich, os espanhóis ao de Cádis, os portugueses ao de Coimbra ou ao de Lisboa.

Em Portugal, no início do século XIX, adotou-se o Tempo Solar Médio (dias sempre de 24 horas, quando na realidade apresentam variações entre mais 16 ou menos 14 minutos ao longo do ano), simplificando a determinação da Hora Legal.

Posteriormente, a partir de 1878, o Observatório Astronômico de Lisboa (OAL) passou a funcionar como único meridiano zero para todo o território nacional. Em 1912, com a adesão do país ao sistema de fusos horários, a hora legal de Portugal Continental passou a ser a do meridiano de Greenwich e os relógios tiveram que ser adiantados em 36m e 44,68s, ou seja, a diferença entre os meridianos do OAL e o de Greenwich.

Após Greenwich

Apesar da confusão em relação ao meridiano principal, já no ano de 1884 mais de dois terços dos navios usavam o Meridiano de Greenwich como referência de longitude.

No mês de outubro daquele ano, sob os auspícios de Chester A. Arthur, então presidente dos Estados Unidos, 41 delegados de 25 nações se encontraram em Washington, DC para a Conferência Internacional do Meridiano.

A 13 de outubro de 1884, esta Conferência aprovou a escolha do Meridiano de Greenwich como meridiano principal devido à sua popularidade. Votaram em favor do Meridiano de Greenwich o Império Austro-Húngaro, o Chile, a Colômbia, a Costa Rica, a Alemanha, o Reino Unido, a Guatemala, o Hawaii, a Itália, o Japão, a Libéria, o México, os Países Baixos, o Paraguai, a Rússia, a Espanha, a Suécia, a Suíça e a Turquia.

O Brasil e a França, todavia, abstiveram-se do voto (por várias décadas ainda, os mapas franceses permaneceram usando o Meridiano de Paris como meridiano zero) e a República Dominicana votou contra. Os representantes dos Estados Unidos, da Venezuela e de El Salvador faltaram à votação.

Resoluções

Em 22 de outubro 1884, as seguintes resoluções foram aprovadas pela conferência. (a votação ocorreu em 13 de outubro de 1884):

  1. É a opinião deste Congresso que é desejável adotar um único meridiano para todas as nações, no lugar da multiplicidade de meridianos iniciais que agora existem. (Esta resolução foi aprovada por unanimidade.)
  2. Que a Conferência propõe aos governos aqui representados a adoção do meridiano que passa pelo centro do Observatório de Greenwich como o meridiano inicial de longitude. (Sim, 22; não, 1; abstenção, 2.)
  3. Que a partir deste meridiano a longitude será contada em duas direções até 180 graus de longitude leste, sendo mais e menos de longitude oeste. (Sim, 14; não, 5; abstenção, 6.)
  4. Que a Conferência propõe a adoção de um dia universal para todos os fins para os quais podem ser convenientes, e que não deve interferir com o uso do tempo local ou padrão onde desejável. (Sim, 23; abstenção, 2.)
  5. Que este dia universal é para ser um dia solar médio; e começar para todo o mundo no momento da média da meia-noite do meridiano inicial, coincidindo com o início do dia civil e data desse meridiano; e é para ser contado de zero até vinte e quatro horas. (Sim, 14; nãos, 3; abstenção, 7.)
  6. Que a Conferência exprime a esperança de que, assim que for possível, os dias astronômicos e náuticos serão organizadas em todos os lugares para começar à meia-noite.
  7. Que a Conferência exprime a esperança de que os estudos técnicos com vista a regulamentar e alargar a aplicação do sistema decimal para a divisão do espaço angular e do tempo deve ser retomado, de modo a permitir a extensão desta aplicação a todos os casos em que se apresentarem vantagens reais. (Sim, 21; abstenção, 3.)


A seguinte resolução não foi adotada:

13/10/1884: “Fica resolvido, que o meridiano inicial deve ter um caráter de neutralidade absoluta. Deve ser escolhido exclusivamente de modo a assegurar a ciência e para o comércio internacional de todas as vantagens possíveis e, especialmente, não deve cortar nenhum continente grande, nem a Europa, nem a América”. Somente França, Brasil, San Domingo votaram a favor, sendo 21 votos contrários a esta proposição.

Representou o Brasil nessa conferência o astrônomo Louis Ferdinand Cruls, mais conhecido como Luís Cruls. Ele era diretor do Observatório Astronômico do Rio de Janeiro, na época conhecido como Observatório Imperial do Rio de Janeiro.

Fonte: Wikipédia


Tags: Meridiano de Greenwich, Meridiano Principal, meridiano, hora, horário, fuso, fuso horário






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