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06 de setembro de 1976.

Guerra Fria: Viktor Ivanovich Belenko, um piloto da Força Aérea Soviética, aterrissa um caça MiG-25 em Hakodate, na ilha de Hokkaido, no Japão, e pede asilo político aos Estados Unidos

O piloto soviético Viktor Ivanovich Belenko, com 29 anos de idade.

O Mikoyan-Gurevich MiG-25 (Foxbat) é uma aeronave interceptadora e de reconhecimento supersônica que esteve entre os mais rápidos aviões militares a entrarem em serviço. Projetado na extinta União Soviética pela Mikoyan-Gurevich, o primeiro protótipo fez seu primeiro voo em 1964, entrando em serviço apenas em 1970. Possui uma velocidade máxima de Mach 2.85+ (alcançando até Mach 3.2, mas com risco de dano significante aos motores), e incorpora um poderoso radar e quatro Mísseis ar-ar.

Quando visto pela primeira vez em uma fotografia de reconhecimento, a grande asa sugeriu um caça enorme e com alta capacidade de manobrabilidade. Isto ocorreu durante o período em que os Estados Unidos também estavam desenvolvendo caças de maior manobrabilidade devido a performance de combate na Guerra do Vietnã.

O aparecimento do MiG-25 despertou uma séria preocupação nos países do Oeste, e motivaram um aumento dramático de desempenho para o McDonnell Douglas F-15 Eagle no final dos anos 60. Os recursos do MiG-25 foram melhor entendidos em 1976 quando o piloto soviético Viktor Ivanovich Belenko desertou em um MiG-25 para os Estados Unidos. A grande asa do avião deve-se ao enorme peso do mesmo.

O incidente Belenko

Em 6 de setembro de 1976, um incidente extraordinário modificou todo o pensamento ocidental a respeito do MiG 25: um jovem piloto soviético, o tenente Viktor Ivanovich Belenko, então com 29 anos de idade, resolveu desertar, em seu novíssimo MiG-25.

Belenko decolou da sua base em Sakharovka, na Sibéria, onde fazia parte do 513º Regimento de Caças do Comando de Defesa Aérea Soviético. Ingressou tranquilamente no espaço aéreo japonês, na ilha de Hokkaido, humilhando as poderosas forças de caças F-104 Starfighter encarregadas de defender o Japão, e pousou sem qualquer oposição no aeroporto civil de Hakodate. O pouso foi algo desastrado, pois a aeronave ultrapassou os limites da pista, quebrando o trem de pouso do nariz e impossibilitando-a de voar novamente, por ora.


O MiG-25 de Viktor Belenko, logo após o pouso no aeroporto civil de Hakodate, na Ilha Hokkaido, no Japão. Observar o detalhe da aeronave já coberta por uma lona / Foto: United States Department of Defense

O empolgante acontecimento colocou em polvorosa todos os militares norte-americanos. O avião teria que ser devolvido à União Soviética, mas os americanos não permitiriam que tal máquina deixasse o Japão sem ser cuidadosamente examinada. Imediatamente, um grupo de engenheiros e técnicos americanos, baseados em Wright Field, Ohio, embarcou para o Japão, a convite das autoridades civis e militares japonesas, para examinar o avião.


Preparativos para a desmontagem do MiG-25 de Viktor Belenko, dentro da barreira de proteção. Observar que a aeronave já estava sem as lonas usadas anteriormente / Foto: United States Department of Defense

Após o incidente, o avião foi recolhido a um hangar na Base Aérea de Hyakuri, onde os japoneses permitiram aos americanos desmontar cuidadosamente o aparelho e acionar seus motores Tumansky, assim como seus sistemas de radar. Os manuais de operação foram imediatamente traduzidos e examinados. Os mitos a respeito do avião foram então revelados, e os militares e engenheiros ficaram nitidamente perplexos com a aeronave que tinham, temporariamente, nas mãos.

Para começar, verificou-se que a estrutura do avião era muito mais convencional do que se supunha, na verdade análoga à dos primeiros McDonnell-Douglas F-4 Phanton. Nenhuma liga metálica avançada foi empregada extensivamente. Para superar o calor gerado em altas velocidades, o MiG 25 era construído simplesmente em liga de aço-níquel. Esse material era bem mais barato e fácil de trabalhar que as ligas de titãnio empregadas no SR-71, mas tinha o sério inconveniente do peso, resolvido pelos russos pela simples adição de mais potência no motor. Cerca de 80 por cento do peso do MiG 25 constituía-se de liga aço-níquel, 11 por cento de alumínio e apenas 9 por cento de titânio. Isso explica a facilidade e o baixo custo da construção do MiG 25, em evidente contraste com os caríssimos SR-71.


O MiG-25 de Viktor Belenko, já desmontado, sendo embarcado em C-5A Galaxy da USAF, para ser transportado até a Base Aérea de Hyakuri (parte central do Japão), onde o interceptador seria detalhadamente examinado / Foto: United States Department of Defense

Evidentemente, o peso do aço e o empuxo adicional necessário influíram decisivamente no raio de alcance de combate do avião, reduzido a ridículos 300 Km, e do alcance em translado subsônico, de pouco mais de 1.200 Km. Isso eliminava o risco de um MiG 25, equipado eventualmente com um artefato nuclear, atacasse Tokyo, por exemplo, a partir da Sibéria, um dos temores mais frequentes dos estrategistas japoneses e americanos.

Os engenheiros também perceberam que a preocupação com o peso obrigou o MiG 25 a limitar o fator carga máximo a que o avião pudesse atingir. De fato, com tanques cheios, o MiG 25 estava limitado a apenas 2,2 G positivos, e o limite absoluto ficava em meros 4,5 G positivos. Isso, é claro, tornava o MiG 25 bem pouco manobrável e incapaz de fazer combates aproximados, os dogfights. Toda a capacidade de combate do avião residia no poder de fogo BVR (Beyond Visual Range - além do alcance visual), justamente o contrário do que se pensava até então.

Os engenheiros americanos logo perceberam que soviéticos fizeram a estrutura primária do MiG 25 do modo mais simples possível, fazendo uso extensivo de solda manual de arco voltaico e rebites convencionais ("cabeçudos"), uma característica quase impensável para os americanos para um avião tão veloz, mas que facilitava enormemente a construção e a manutenção da estrutura. Mas o uso do aço fez com que o avião pesasse impressionantes 29 toneladas, desarmado.

Mesmo a capacidade do avião de voar a Mach 3 foi, na prática, desmentida: os velocímetros possuíam uma linha radial vermelha em Mach 2,8. Embora tivesse empuxo suficiente para voar mais rápido, pelo menos até Mach 3,2, os soviéticos limitaram a velocidade para evitar overspeed e superaquecimento dos motores acima de Mach 2,8.

Mas o grande mistério do avião era realmente o sistema de radar. Como o MiG 25 podia ser praticamente imune às contramedidas eletrônicas americanas? A resposta a essa questão foi simples, simples até demais: pela força bruta: o radar do MiG 25 tinha a formidável potência de 600 kW. Poderia resistir até mesmo aos pulsos eletromagnéticos de uma explosão nuclear. Tecnologicamente falando, usavam antigas válvulas de vácuo ao invés de componentes transistorizados, obsoletas, mas muito resistentes ao aquecimento das altas velocidades e às contramedidas eletrônicas. Foi uma interessante e surpreendente opção dos soviéticos (foto acima).

O que impressionou os técnicos foi o computador de bordo, um equipamento muito avançado de navegação e de rastreamento de alvos no solo, além de ter capacidade de rastrear alvos aéreos a uma distância de 500 Km, uma fantástica capacidade BVR na época.

A desmistificação do avião foi um grande trunfo para os americanos, e influenciaram em todos os projetos posteriores de aeronaves de combate, particularmente em relação à capacidade de combate BVR. No fim das contas, a velocidade do avião tornou-se apenas um mero detalhe do MiG 25, e todos os desenvolvimentos posteriores de caças procuraram melhorar a capacidade de atingir alvos à distância e o poder de fogo. Chegava ao fim a busca por mais velocidade nos aviões de caça.


O MiG-25 de Viktor Belenko, logo após o pouso no aeroporto civil de Hakodate, sendo coberto com uma lona. Observar o detalhe das insígnias soviéticas já cobertas / Foto: United States Department of Defense

Depois de 67 dias no Japão, o MiG 25 foi devolvido aos soviéticos por via marítima, parcialmente desmontado em cerca de 30 subconjuntos. Belenko pediu asilo político aos Estados Unidos, prontamente concedido pelo Presidente Gerald Ford. Estabeleceu residência em North Dakota.

Belenko foi extensamente interrogado pelos militares americanos durante os cinco meses seguintes à sua deserção, fornecendo importantes informações acerca do poderio soviético na Sibéria Oriental e na Ilha Sacalina, além de detalhes acerca dos novos desenvolvimentos do MiG 25. O governo lhe concedeu uma generosa ajuda financeira para que sobrevivesse nos Estados Unidos, e empregou-o como consultor militar.

Produção

A produção da série dos MiG-25 encerraram-se em 1984 após um total de 1.190 aeronaves construídas. Um símbolo da Guerra Fria, o MiG-25 voou com um grande número de aliados da União Soviética e em antigas Repúblicas Soviéticas, permanecendo ainda em serviço na Rússia e várias outras nações. Continua até hoje sendo o avião de combate mais rápido.

Fonte: Wikipédia


Tags: Guerra fria, MiG, caça à jato, MiG-25, deserção, Viktor Ivanovich Belenko, Balenko






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