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Domingo, 26 de Janeiro de 1500.

Vicente Yáñez Pinzón, um navegador e explorador espanhol, teria descoberto a costa norte do Brasil , três meses antes da chegada de Pedro Álvares Cabral.

Vicente Yáñez Pinzón (Retrato de Julio Condoy)

Vicente Yáñez Pinzón (Palos de la Frontera, 1462 — 1514) foi um navegador e explorador espanhol, primo do também navegador Diego de Lepe. Foi co-descobridor da América em 1492 como capitão da caravela La Niña, na primeira expedição de Cristóvão Colombo. Há quem defenda que descobriu a costa norte do Brasil em 26 de janeiro de 1500, três meses antes da chegada de Pedro Álvares Cabral.

Viagem ao Brasil, Venezuela e Caribe (1499-1500)

Em 1498 a Coroa Espanhola decide permitir que particulares realizassem viagens de descobrimento. Depois de compactuarem em Sevilha com o bispo Fonseca em nome dos Reis Católicos, em 19 de novembro de 1499, Yáñez saiu do porto de Palos de la Frontera com quatro pequenas caravelas, por iniciativa própria e com seus próprios recursos - advindos como recompensa pela descoberta de 1492. Grande quantidade de parentes e amigos o acompanharam, entre eles, como escrivão, Garcí Fernández, o famoso médico de Palos que apoiou Colombo quando ninguém o apoiava. Estavam a bordo seus sobrinhos e capitães Arias Pérez e Diego Fernández Colmenero, filhos de Martín Alonso; seu tio Diego Martín Pinzón com seus primos Juan, Francisco y Bartolomeu; os prestigiosos pilotos Alonso Núñez, Juan Quintero Príncipe, Juan de Umbría e Juan de Jerez, estes últimos três veteranos das três primeiras viagens de Colombo (Bueno, 2006); assim como os marinheiros Cristóbal de Vega, García Alonso, Diego de Alfaro, Rodrigo Álvarez, Diego Prieto, Antón Fernández Colmenero, Juan Calvo, Juan de Palencia, Manuel Valdobinos, Pedro Ramírez, García Hernández e, supõe-se, seu irmão Francisco Martín Pinzón.

Eduardo Bueno conta como foi a travessia do Atlântico:

Antes do Natal de 1499, as quatro caravelas já aportavam em Santiago, uma das ilhas do arquipélago de Cabo Verde, na qual permaneceriam ancoradas por cerca de três semanas. No dia 13 de janeiro de 1500, Pinzón partiu então no rumo do sudoeste, em direção às novas terras que o próprio Colombo e Alonso de Hojeda tinham descoberto havia pouco mais de um ano, e que ficavam ao sul das ilhas do Caribe, achadas em 1492. Como seus dois antecessores, Pinzón esperava chegar às porções continentais da Ásia. Nos oito dias seguintes à partida de Santiago, tudo correu bem e os ventos alísios empurraram os navios de Pinzón no rumo desejado. Mas a 21 de janeiro, assim que a frota cruzou o equador e a estrela Polar - um símbolo universal de localização para os navegantes - "afogou-se" no horizonte norte, "nasceu uma terrível tempestade de ondas e turbilhões de ventos". Por uma semana, vagalhões enormes e os ventos uivantes que os acompanhavam quase fizeram naufragar as caravelas. Elas só conseguiram "seguir seu caminho com grande perigo".

Ironicamente, o mau tempo acabaria permitindo a Pinzón realizar umas das mais rápidas travessias entre o Cabo Verde e o Brasil. Suas caravelas gastaram apenas 13 dias para cobrir uma distância de 1.400 milhas náuticas (ou cerca de 2.390 km) - trajeto que custaria cerca de um mês de viagem a quase todas as expedições subsequentes, entre as quais a comandada pelo português Pedro Álvares Cabral. E então, na manhã de 26 de janeiro de 1500, vencidos todos os perigos do mar, Pinzón e seus homens desembarcaram em um cabo. Eles o chamaram de "Santa Maria de la Consolación".

O local avistado por Pinzón sempre foi cercado de controvérsias. Para alguns pesquisadores portugueses, como Duarte Leite, os espanhóis teriam desembarcado ao norte do cabo Orange. Mas para seus rivais castelhanos - que se basearam no depoimento do próprio Pinzón, que no entanto não pode ser considerada parte desinteressada na questão -, o desembarque se deu no Cabo de Santo Agostinho, litoral sul de Pernambuco. Uma polêmica judicial se seguiu à viagem de Pinzón, chamada Probanzas del Fiscal - um pleito movido por Diego Colombo, filho de Cristóvão Colombo, contra a Coroa de Castela para assegurar os direitos do pai. Todos os navegadores que participaram da primeira viagem de Colombo foram ouvidos em audiências que se realizaram entre 1512 e 1515 na ilha de São Domingos e em Sevilha. No seu depoimento, Pinzón afirmou ter aportado no Cabo de Santo Agostinho, mas para Eduardo Bueno (2006), ele "provavelmente se equivocou, ou mentiu". Bueno acompanha a tese do capitão-de-mar-e-guerra Max Justo Guedes, que defendeu, no artigo "As Primeiras Expedições de Reconhecimento da Costa Brasileira" (1975), que o local seria a atual Ponta do Mucuripe, 10 km ao sul da cidade brasileira de Fortaleza, apoiando-se também no importante mapa de Juan de la Cosa, de 1501. Outras possibilidades também já foram aventadas, como o Cabo de São Roque, no Rio Grande do Norte e Ponta do Seixas na Paraíba.

Durante a noite após o desembarque, perceberam grandes fogueiras queimando à distância, na linha da costa que se estendia à noroeste. Na manhã seguinte zarparam naquela direção até chegarem a um belo rio, batizado por Pinzón de "rio Formoso" - considerando o desembarque na Ponta do Mucuripe, possivelmente seria o rio Curu. Na praia, às margens do rio, registrou-se um violento combate com os índios locais, pertencentes à tribo dos potiguaras.

Infletindo para o Norte, Pinzón atingiu, em fevereiro, a foz do Rio Amazonas, a qual denominou de Mar Dulce, de onde prosseguiu para as Guianas e, daí, para o Mar do Caribe. Na costa do Brasil, Pinzón teria capturado 36 indígenas.

Sobre as fontes

O relato desta viagem aparece em várias crônicas do século XVI. O principal relato é o que aparece na obra De Orbe Novo Decades Octo (As Oito Décadas do Novo Mundo), obra escrita em 1501 (publicada em 1511 e ampliada em 1516) pelo milanês Pietro Martire d'Anghiera (1459-1526), o mais próximo dos fatos, e baseado em relatos de testemunhas oculares, entre eles o próprio Vicente Yáñez. Outro "entrevistado" foi seu primo Diego de Lepe, capitão que realizou uma viagem "gêmea" à de Pinzóz, saindo de Palos um mês e meio depois seguindo Pinzón e chegando antes dele ao rio Amazonas. Outro relato importante é o de Gonzalo Fernández de Oviedo na sua Historia General y Natural de las Indias, pois "conheceu e esteve com" Pinzón, que lhe proporcionou muitos dos fatos narrados na sua obra. Já as crônicas de Bartolomeu de las Casas e Antonio de Herrera, se baseiam no depoimento de Anghiera.

Fonte: Wikipédia


Tags: Cabral, Pedro Álvares Cabral, Calecute, Índia, Calicute, Pero Vaz de Caminha, Descobrimento do Brasil, descobrimento, Brasil, Era dos Descobrimentos, Vera Cruz






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