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04 de novembro de 1942.

Segunda Guerra Mundial: Marechal-de-Campo Erwin Rommel desobedece ordens diretas de Adolf Hitler para resistir na linha de El-Alamein

Erwin Rommel (à esquerda) em seu carro de comando, SdKfz.250 / 3.

A Segunda Batalha de El Alamein será sempre lembrada como o início da derrota das forças do Eixo na África do Norte e um dos marcos decisivos na Segunda Guerra Mundial. A vitória britânica em El Alamein levou o primeiro-ministro Sir Winston Churchill a afirmar que "este não é o fim, não é nem o começo do fim, mas é, talvez, o fim do começo". El Alamein foi uma vitória essencialmente do Reino Unido e das tropas da Commonwealth. Após a guerra, ele escreveu: "Antes de Alamein nunca tivemos uma vitória, depois de Alamein, nunca tivemos uma derrota".

A batalha

O plano de Montgomery era bem elaborado, simples e direto, compensando com notável realismo o que carecia em imaginação. Consistia essencialmente em um ataque noturno ao norte da linha alemã, precedido por uma devastadora barragem de artilharia à moda da Primeira Guerra Mundial e por equipas de sapadores abrindo caminhos no campo minado.

Como engodo, lançou a 'Operação Bertram', visando à deixar parecer que o ataque principal cairia ao sul. Como o próprio Rommel havia feito, tanques falsos foram colocados, assim como tráfego de rádio falso e até uma tubulação falsa foi deitada, enquanto que os exércitos no norte receberam a ordem de "desaparecer". A ruse de guerre funcionou, já que os alemães realmente se convenceram de que o ataque principal seria desfechado ao sul.

O ataque mesmo seria desfechado em três fases - a de infiltração, a de desmoronamento e finalmente a de rompimento das linhas alemãs.


O general Bernard L. Montgomery, comandante das forças do Império Britânico no norte da África.

"Monty" inicialmente marcou a data para o início dos ataques na lua cheia de setembro, porém adiou tal data para dar às tropas mais tempo para se prepararem e mais tempo para acumular material. Montgomery entendia que estrategicamente a situação lhe era favorável, e que o tempo agia em seu favor.

O ataque propriamente se iniciou com a 'Operação Lightfoot' (Pés-Leves), em 23 de outubro de 1942, que tinha por objetivo abrir dois corredores nos campos minados, (denominados "January" e "February") utilizando infantaria, que, conforme se esperava, não engatilharia os mecanismos de detonação das minas anticarros.

A 'Operação Lightfoot' foi coordenada com a maior barragem de artilharia realizada pelo exército britânico desde a batalha do Somme, na Primeira Guerra Mundial. Ao todo, 882 canhões foram disparados e cerca de 125 toneladas de explosivos choveram nas posições alemãs e italianas, com uma média de 600 disparos cada um e causaram um impacto devastador; as explosões podiam ser ouvidas a dezenas de quilômetros de distância, e reputadamente fazendo sangrar os ouvidos dos artilheiros britânicos.


Posição dos dois exércitos no momento do início da batalha.

Às 10 horas da noite o 30º Corpo de Exército avançou no norte, rumo à 21ª Divisão Panzer que guarnecia aquele setor da linha. Os sapadores haviam aberto corredores nos campos minados, mas a imensa quantidade de poeira e as dificuldades normais de navegação no deserto fizeram com que grande quantidade de tanques perdessem o rumo e criaram imensos congestionamentos.

Do lado alemão, a violência da barragem de artilharia foi duramente sentida. Muitas linhas de comunicação foram cortadas. Para piorar, o General Stumme morreu, fulminado por um infarto, nas primeiras horas do ataque. No momento decisivo, a Panzerarmee Afrika ficou acéfala. O chefe de operações do General Stumme, o Major von Mellenthin, não se sentia à altura da responsabilidade e não havia comandante graduado para substituir o General Stumme. Interinamente o comando foi aceito pelo talentoso General von Thoma. Kesselring ressalta que a ausência de um comandante na frente de batalha nas primeiras horas causou enorme prejuízo para a defesa da linha.

Com o 30º Corpo britânico ainda penando para abrir caminho entre as minas, a 21ª Panzer tentou um ataque contra a 51ª Divisão Highlander, mas esse teve efeitos muito limitados.

Adolf Hitler, sendo informado que afinal o ataque britânico na África tinha sido desfechado, telegrafou a Rommel, perguntando se este sentia-se disposto para retornar ao comando do Afrika Korps. Rommel partiu imediatamente para a África, assumindo o lugar de Von Thoma, que havia substituído o General Stumme.

No dia 26, Rommel chegou, e a volta do 'Feldmarschall' também deu aos seus homens algum alento na situação precária em que se encontravam. Os blindados ingleses investiram com renovado vigor contra o setor norte das linhas do eixo. Porém, as defesas alemãs se revelaram formidáveis, e nenhuma penetração foi conseguida. Agora, os blindados do 8º Exército avançavam numa frente estreita, flanqueados em ambos os lados por mortífero fogo antitanque. Rommel percebera que o peso principal do ataque caía mesmo no norte, e arriscou-se a deslocar para aquele setor a 21ª Divisão Panzer e a divisão blindada italiana Ariete, mesmo sabendo que estas não dispunham de gasolina suficiente para voltar caso fosse necessário. Lançou também um ataque à "Kidney Ridge", no centro da linha, mas este se mostrou inoportuno, com vários tanques varridos pelo fogo cuspido dos Spitfires, Hurricanes e demais aviões da R.A.F.

Montgomery, vendo o seu avanço perder ímpeto diante dos campos minados e do fogo dos magníficos canhões Krupp antiaéreos de 88 mm que as tropas na África aprenderam a usar contra tanques, enviou como reforço a famosa 7ª Divisão Blindada Britânica, os "Ratos do Deserto", jovens veteranos de incontáveis combates com o Afrika Korps.

Com ambos os lados concentrando os seus blindados numa frente estreita ao norte da linha, os britânicos superavam as forças do Eixo em 11-1 em número de tanques. Era apenas uma questão de tempo até que as linhas alemãs e italianas fossem rompidas.


Tanques M4 Sherman lutando no deserto.

Operação Supercharge

Bernard Montgomery agora queria isolar as tropas alemãs que defendiam a costa. Na Operação Supercharge, enviou a 9ª Divisão Australiana para o norte, com este objetivo. Rommel, agora limitado a uma estratégia passiva, "apagando incêndios" onde estes apareciam, e já sem qualquer esperança de retomar a iniciativa, arremessou para a costa a 90ª Divisão Leve África, a sua última reserva.

Em vista disso, Montgomery novamente muda mais uma vez o centro de gravidade do seu ataque um pouco mais ao sul da costa, na linha original ao norte. Esperava valer-se da maior mobilidade de que dispunham as suas forças, e sabia que os alemães não tinham nada com que reforçar as suas castigadas linhas.

Novo ataque

Após dois dias de reagrupamento, Monty se lança novamente ao ataque, dessa vez liderado pela a 1ª Divisão Blindada, em 1º de novembro. Contudo, de novo a carga britânica é detida pelas defesas de Rommel, e os tanques britânicos se vêem atacando frontalmente tais defesas, sendo flanqueados após qualquer penetração. As perdas sustentadas pela 1ª Divisão Blindada são enormes, quase dois terços dos seus tanques são destruídos em frente das posições da 15ª e 21ª Divisões Panzer. Mesmo assim, os ingleses mostram-se muito aguerridos, sustentando as suas posições para permitir que mais tanques sejam enviados à brecha. A guerra de atrito lhes convém, e a estratégia de "sangrar" o inimigo logo daria resultados. Contudo, o dia passa sem que qualquer rompimento da linha seja conseguido.

Percebendo que atacava a linha justamente no seu ponto mais forte, onde se concentrava o grosso das tropas alemãs, Monty mais uma vez flexibiliza o seu planejamento, e desfere um violento golpe mais ao sul, próximo ao centro da linha, nas posições defendidas pela Divisão Littorio blindada italiana. Estes não resistem ao ímpeto do ataque e batem em retirada, expondo o ala direita da 21ª Divisão Panzer e deixando Rommel com uma inferioridade em tanques agora da ordem de 20-1.

Rompimento das linhas do Eixo

Montgomery expusera a brecha, procurando de todo o modo romper a linha no dia 3 de novembro de 1942. Dois ataques vigorosos são detidos. Contudo, à noite, elementos da 51ª Divisão Highland e da 4ª Divisão Indiana irrompem as linhas do Eixo, no ponto de junção entre a Littorio e a 21ª Divisão Panzer. Ao mesmo tempo, em Tobruk, a Marinha Real afundava o petroleiro Proserpina, a última chance para Rommel de abastecer os seus sedentos veículos.

Até a morte

Então, no dia 3 de novembro de 1942, o marechal-de-campo, tão acostumado às vitórias, dando-se conta de que não havia mais sentido em prosseguir na luta, começa o processo de retirada do seu exército até uma outra linha em Daba, 90 quilômetros a oeste. Envia à Alemanha o Tenente Dr. Berndt, pedindo-lhe que esclarecesse a real situação ao Führer e obtivesse sua permissão para retirar-se da linha de El-Alamein.

No entanto, para a sua incredulidade e amargura, o Führer, intervindo pessoalmente pela primeira vez na campanha africana, se nega a admitir tal possibilidade, numa posição que se tornaria característica sua, e ordena Rommel a defender as linhas até a morte, com o torpe argumento que não seria a primeira vez na história da guerra que maiores batalhões cederiam ante à força de vontade. Esta foi a mensagem de Hitler:

Ao Marechal Rommel

É com a maior confiança no seu comando e na coragem das tropas germano-italianas sob o seu comando, que o povo alemão e eu seguimos a luta heróica no Egito. Na situação em que se encontra não pode pensar senão em manter-se, não ceder nem um metro de terreno e lançar todos os canhões e homens que possa para a batalha. Estão a ser enviados consideráveis reforços aéreos para o Comandante Chefe no sul. O Duce e o Comando Supremo Italiano desenvolvem também os maiores esforços para lhe enviar os meios para poder continuar a luta. O inimigo, apesar da sua superioridade, deve também encontrar-se com as forças esgotadas. Não seria a primeira vez na história que se dava o caso de uma vontade forte triunfar sobre os maiores batalhões. Quanto às suas tropas, não lhes pode mostrar outro caminho que não seja aquele que conduz à vitória ou à morte

Adolf Hitler

Rommel hesita. Conforme ele mesmo escreveu "Esta ordem pedia o impossível. Uma bomba mata o mais corajoso soldado. Apesar dos nossos francos comunicados sobre a situação, no Quartel-General do Führer ainda não se compreendia qual era a real situação na África. Em vez de armas, gasolina e aviões, mandavam-nos ordens. E ordens não serviam para nada. Ficamos absolutamente aturdidos, e, pela primeira vez na campanha africana, vi-me sem saber o que devia fazer".

Não pode condenar à morte tão futilmente aqueles homens com os quais lutou durante tanto tempo sob o sol do deserto, os mesmos que fizeram por ele os maiores sacrifícios possíveis, os que lhe deram as glórias das quais se cobria. Por outro lado, é um soldado, e ordens são ordens, até mesmo para ele. Neste dia 3, von Thoma chega ao quartel general do Afrika Korps para informar que a 21ª Divisão Panzer tem apenas 14 tanques, a 15ª dez, e a Littorio dezessete. Rommel mostrou-lhe a mensagem de Hitler e mandou-o ocupar o seu lugar na linha. Cento e cinquenta tanques britânicos foram à caça do que restava dos blindados de von Thoma. Este ficou com os seus homens até que o último tanque fosse destruído. Então, no seu carro de comando, acelerou sozinho rumo às linhas britânicas, onde subsequentemente foi capturado. Após a sua captura, von Thoma foi levado para conhecer Montgomery, e os dois discutiram a batalha durante um jantar. Segundo relatou o próprio general alemão "Ao invés de me perguntar por informações, ele disse que me descreveria o estado das nossas forças, seus suprimentos e sua disposição. Fiquei aturdido com a exatidão do seu conhecimento, particularmente em relação às nossas deficiências e às perdas de navios. Ele parecia saber tanto quanto eu mesmo". Um tributo ao talento dos decifradores britânicos, que fizeram do Ultra uma arma poderosíssima nesta guerra.

O Marechal Kesselring, detido em Creta por falhas mecânicas em sua aeronave, chega ao Norte da África em 4 de novembro de 1942, e segundo ele próprio, imediatamente chancela a retirada, recusando-se a cumprir a ordem de Hitler, que classificava como "loucura". A retirada era agora a única manobra que poderia salvar o exército alemão na África da extinção.

Retirada

No dia 4 de novembro de 1942, a torrente britânica irrompeu de vez. Não havia nada mais que as forças despedaçadas do Eixo pudessem fazer. Rommel não podia mais ver a carnificina e ordenou a retirada, com ou sem a permissão do Führer. Para piorar o desgosto que sentia pelo alto comando, algumas horas depois vinha a permissão para o desengajamento das suas forças. Já então sabia que os americanos haviam desembarcado em massa na Tunísia, para onde se dirigia. Escrevendo tempos depois sobre a batalha de El-Alamein, Rommel lamenta amargamente não ter descumprido a ordem de Hitler 24 horas antes, quando poderia ter salvado muito mais de seus homens e equipamentos.


Prisioneiros italianos e alemães após a batalha.

A situação agora era extremamente crítica para ele. Com forças inglesas agora por toda a parte ao seu redor, via-se no sério risco de ser totalmente cercado e aniquilado. Neste dia, Montgomery perdeu uma chance preciosa de destruir de vez o Afrika Korps. Ao invés disso, ordenou uma manobra de ambição limitada, mandando suas forças para ocuparem a costa em Gazala, apenas 16 km atrás das linhas de frente. Com isso, foi possível aos alemães empreender uma retirada quase impensável, com a 90ª Divisão Leve África destacando-se na luta na retaguarda para garantir a evacuação do grosso das tropas.

Após a batalha

O que se seguiu só pode ser classificado como um dos maiores feitos militares de toda a guerra, constituindo um notável exemplo da disciplina dos homens do Afrika Korps. Rommel, quase sem combustível, vendo-se obrigado a todo momento abandonar veículos e rebocar muitos deles, sendo incessantemente fustigado pelo ar, e tendo todos os seus planos nas mãos de Montgomery, conseguiu levar os restos do 'Panzerarmee', razoavelmente intactos, por mais de 1000 quilômetros, passando por Matruh, Agheila, Tobruk, que haviam conquistado com tanto sangue, até Trípoli, onde havia começado a sua jornada africana, evitando ser cercado pelo deserto e aniquilado ou capturado.

O que encontrou lá encheu os seus homens de um sentimento agridoce. Chegara à África o 5º Exército Panzer, no comando do General Hans-Jürgen von Arnim. Essa formação contava com tropas descansadas e equipamentos novos, incluindo um batalhão dos magníficos tanques Tigre. Os veteranos do Afrikakorps pensavam com desolação que uma fração dessa força poderia tê-los levado ao Suez alguns meses antes, com os britânicos desequilibrados. Agora tudo o que poderiam fazer era agarrar-se ao solo africano por mais alguns meses.

O general Bernard Montgomery, pela sua atuação em El Alamein, foi elevado à nobreza, recebendo o título de Visconde Montgomery de Alamein. Continuaria a ser o principal comandante de forças terrestres britânicas (e aliadas) por toda a guerra. Ressalvadas as críticas que recaem sobre o seu comando, dele foi o mérito de ter batido a Afrika Korps. Talvez o veredito final possa ser sintetizado nas palavras de von Thoma, que, comentando sobre o comando do seu colega britânico disse "Eu acho que ele foi muito cauteloso, considerando a sua força imensamente superior, mas ele é o único Marechal de Campo desta guerra que venceu todas as suas batalhas".

Finalmente os britânicos, e Churchill, após todo o enorme esforço, após sustentarem sozinhos a luta contra o império nazista por mais de um ano, tiveram a sua vitória.

Talvez imperceptivelmente à época, El Alamein foi um marco na história do desenvolvimento do pensamento militar. Era o início da guerra total, o ponto culminante inevitável da doutrina introduzida pelo General Lee oitenta anos antes, na Guerra da Secessão.

Fonte: Wikipédia


Tags: Segunda Guerra Mundial, batallha, Erwin Rommel, El Alamein, Segunda Batalha de El Alamein






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