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Sábado, 14 de Novembro de 1946.

O escritor alemão Hermann Hesse ganha o Prêmio Nobel de Literatura


O grande escritor Hermann Hesse, alemão naturalizado suíço, foi nomeado para o Prêmio Nobel de Literatura no dia 14 de novembro de 1946. O Lobo da Estepe e Sidarta são suas obras mais conhecidas. Hesse é o autor alemão do século 20 mais lido em todo o mundo.

Hermann Hesse nasceu no dia 2 de julho de 1877, em Calw, na Floresta Negra, como segundo filho de Johannes e Marie Hesse, esta de origem suíça. Depois do curso primário, ele começou a estudar Teologia no mosteiro luterano de Maulbronn, que abandonou alguns meses depois.

Criado no seio de uma família religiosa, Hesse leu Nietzsche, Dostoiévski e Spengler. Após uma curta passagem pela fábrica de relógios Perrot, em sua cidade natal, resolveu dedicar-se ao estudo da profissão de livreiro em Tübingen e na Basiléia, quando também publicou suas primeiras poesias.

Em 1904, ano do seu primeiro grande sucesso, Peter Camenzind, casou-se com Maria Bernoulli e fixou residência em Gaienhofen. Seus três filhos nasceram nessa região rural, perto do Lago Constança. A vida pacata do interior inspirou-o a buscar novas culturas. Movido pela vontade de conhecer a Índia, onde seus avós e pais atuaram como missionários, viajou em 1911 para a Ásia. Dois anos depois, publicou Aus Indien (Da Índia).

Aproximação com o Oriente

Hesse conheceu vários países, encontrando o cerne da sua espiritualidade, que cruzou com o ideário romântico e uma recusa de todo e qualquer dogmatismo. O principal fruto dessa aproximação com o Oriente foi o romance Sidarta, publicado em 1922, que apresentou de forma compreensível ao Ocidente as diferentes religiões e filosofias do Oriente, do hinduísmo ao zen-budismo, passando pelo taoísmo e confucionismo.

Numa carta escrita em 1919, Hesse havia profetizado a decadência do pensamento ocidental: Desde há muitos anos, estou convencido de que a inteligência ocidental está em decadência e precisa retornar às suas fontes asiáticas. Durante muitos anos, fui devoto de Buda e me dediquei já na infância à literatura indiana.

Em 1919, publicou Demian, considerada por muitos críticos a sua principal obra. Ela mostra a influência que Hesse sofreu dos escritos de Nietzsche e a aplicação de seus conhecimentos de psicanálise na elaboração do drama ético e da enorme confusão mental de um jovem que toma consciência da fragilidade da moral da família e do Estado.

De terapia a paixão

A constante busca do equilíbrio interior havia levado Hermann Hesse a separar-se da família em 1919, quando passou a morar em Montagnola, na Suíça. Nessa época, começou a dedicar-se à pintura, aconselhado pelo psicanalista Joseph Bernhard Lang, um discípulo de Carl Gustav Jung.

Autodidata, o escritor procurou nas artes a superação de uma crise existencial. O que começou como terapia acabou virando paixão e resultou num acervo de cerca de três mil aquarelas, retratando especialmente o Tessino (região italiana da Suíça). Em 1923, casou-se com Ruth Wenger e no ano seguinte adquiriu a nacionalidade suíça.

Quando completou 50 anos, em 1927, publicou o clássico O Lobo da Estepe, sobre um indivíduo solitário e rebelde e uma feroz denúncia à sociedade burguesa.

Seu livro derradeiro foi outro clássico, O Jogo das Contas de Vidro, escrito em 1943, durante a Segunda Grande Guerra. É um romance que se passa no ano de 2200, num país imaginário chamado Castália, onde a sociedade se decide à preservação e ao culto dos maiores valores culturais e espirituais da humanidade. O jogo de avelórios, que dá nome ao livro, é uma prática dessa sociedade utópica que combina arte, ciência e religião através de uma intricada combinação de signos.

Já vivendo isolado do mundo, o autor foi contemplado com o Nobel de Literatura em 1946. Hermann Hesse faleceu em Montagnola, em 9 de agosto de 1962.

Fonte: Deutsche Welle

Tags: Literatura, Nobel, escritor, Sidarta






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