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16 de novembro de 1940.

Segunda Guerra Mundial: Inglaterra inicia o primeiro grande bombardeio a Hamburgo na Alemanha

Hamburgo em ruínas após bombardeio dos Aliados, durante a Segunda Guerra Mundial.

Os bombardeios dos aliados contra Hamburgo, na Alemanha, durante a Segunda Guerra Mundial, incluiu numerosas missões de bombardeios estratégicos e de desvio / ataques falsos.

Como um grande porto e centro industrial, estaleiros de Hamburgo, ancoradouros de submarinos U-boats, e as refinarias de petróleo da área de Hamburgo, foram duramente atacados durante a guerra.

A primeira missão sobre Hamburgo aconteceu na noite de 10 para 11 de setembro de 1939 quando 10 aeronaves da RAF soltaram panfletos de propaganda sobre a cidade alemã.

O primeiro grande bombardeio à Hamburgo aconteceu na noite de 16 de novembro de 1940. Foram mais de 200 aeronaves da RAF que participaram do raid aéreo causado danos ao estaleiro Blohm & Voss e mais de 60 incêndios. Na segunda noite, a 17 de novembro de 1940, apenas 60 aeronaves encontraram seus alvos e os danos foram menores.

Operação Gomorra

A operação aliada contra Hamburgo foi a primeira grande operação coordenada de bombardeio e tinha como objetivo principal debilitar a indústria alemã, que vinha sendo atacada desde o inicio de 1943, com a destruição de várias fábricas de armamento na região de Essen juntamente com um fortíssimo ataque contra as fábricas de combustíveis sintéticos que os alemães utilizavam para suprir o seu déficit de combustíveis.

Em Hamburgo estavam os estratégicos estaleiros navais, que poderiam produzir navios que afetariam a ligação atlântica, vital para o abastecimento da Grã Bretanha, em preparação para o desembarque na França, o Dia D.

A Batalha de Hamburgo, codinome Operação Gomorra, foi uma campanha de ataques aéreos iniciados a partir 24 de julho de 1943 por. Durou 8 dias e 7 noites. Foi o maior ataque na história da guerra aérea e foi mais tarde chamado de Hiroshima da Alemanha por oficiais britânicos.

A Batalha de Hamburgo sobrepôs-se à Batalha do Ruhr, uma campanha de bombardeios estratégicos contra o Vale do Ruhr que iniciou em 5 de março e terminou em 31 de julho de 1943.

A Operação Gomorra matou 50 mil pessoas, deixou 37 mil feridos e levou cerca de um milhão de civis alemães a fugir da cidade.

O primeiro ataque teve inicio na madrugada de 24 de julho de 1943, seguindo o já tradicional padrão de bombardeios noturnos efetuados pelos britânicos e bombardeios diurnos pelos norte-americanos.

O que tornou este ataque contra Hamburgo diferente de todos os outros, foi o fato de os aliados terem organizado os ataques de forma a que a cidade estivesse quase continuamente sob a ameaça das bombas. Não era dada oportunidade aos alemães para se recuperar, pois quando estes estavam apagando os incêndios do bombardeio anterior, um novo bombardeio forçava a população e os bombeiros a voltar para os abrigos.

Na madrugada do dia 27 de julho, um total de 739 bombardeiros pesados ingleses abateu-se sobre a cidade. Era uma noite quente de verão, e os incêndios multiplicaram-se de forma descontrolada.

O ataque provocou um fenômeno conhecido como tempestade de fogo, em que um aumento descontrolado da temperatura do ar provoca alterações na pressão atmosférica que resultam em ventos fortíssimos.

Os ventos sobre a cidade de Hamburgo, chegaram a atingir os 240km/h com temperaturas ao redor dos 800º Celsius.

Os bombardeios continuaram, dia e noite, com uma nova concentração em 29 de julho de 1943 com um bombardeio em que tomaram parte mais 700 bombardeiros pesados.


Aspecto geral de Hamburgo, após o bombardeio.

Pânico entre os alemães

A dimensão do ataque deixou as autoridades civis e militares alemãs em pânico. Diversos documentos encontrados depois da guerra e os depoimentos dos alemães comprovam isto.

A população atingida ficou em estado de choque. Mais de 250.000 habitações foram destruídas e 1.200.000 pessoas fugiram de Hamburgo (dois terços da população da cidade). Calcula-se que morreram até 50.000 pessoas durante a operação Gomorra. Todas as estruturas civis da cidade foram danificadas ou destruídas.

A fuga da população, aumentou ainda mais os problemas de mão de obra que afetavam a indústria de armamento alemã.

As instalações portuárias, os canais e fábricas de armamento e especialmente os estaleiros navais da Blohm + Voss , foram destruídos ou afetados.

O ministro do armamento, Albert Speer, afirmou que a Alemanha não teria capacidade para sobreviver a mais dois ataques como aqueles.


Albert Speer, o arquiteto-chefe e ministro do Armamento do Terceiro Reich,  conhecido como ‘O bom nazista’.

Mas na verdade o esforço por parte de britânicos e norte-americanos foi enorme e nem a força aérea americana nem a britânica estavam, após o esforço realizado, em condições de efetuar um novo ataque daquela dimensão.

Guerra de terror

Mas os bombardeios e o terrível efeito desmoralizador que eles tiveram sobre a população civil alemã, serviram como primeiro aviso para o que viria depois.

Entre as suas consequências diretas, e como resultado dos problemas causados pelos bombardeios, está a transferência para a frente ocidental, de 75% da aviação de caça alemã, que abandonou por isso os céus na Frente Leste.

A Grã Bretanha (a maioria das aeronaves eram de fato da RAF) conseguiu levar até à Alemanha o conceito de guerra de terror, em que a violência contra a população civil se transforma numa arma de guerra, tentando desmoralizar a população e assim reduzir as possibilidades de vitória do inimigo.

Como se verificou mais tarde, este tipo de operações demonstrou não ser eficiente. Atacada, a população civil acaba por se unir mais aos seus líderes.

Quanto aos líderes alemães, tendo Speer avisado que a Alemanha não poderia aguentar mais bombardeios como aqueles, Hitler convenceu-se ainda mais da necessidade de investir pesadamente nas chamadas armas de vingança, as bombas V-1 e V-2.

Estas armas acabaram por consumir recursos que de outra forma poderiam ser utilizados para construir mais aeronaves e carros de combate, sem os quais a Alemanha não podia vencer a guerra.

A vingança dos britânicos

A Operação Gomorra, como ficou conhecida pelos britânicos, foi apresentada na Grã Bretanha como perfeitamente justificada perante as necessidades da guerra. A operação foi a primeira em que o Comando de Bombardeiros da RAF fez aquilo para o qual tinha sido criado.

No entanto, a dimensão do bombardeio não é comparável à dimensão dos ataques alemães contra o sul de Inglaterra em 1940.

A título de comparação, o bombardeio de Coventry em 14 de novembro de 1940 - o mais demolidor bombardeio alemão sobre as ilhas britânicas - provocou ‘apenas’ 568 mortos.

Como explicação para este fato, está a grande prioridade que os britânicos deram à produção de bombardeiros pesados, como forma de ganhar a guerra da Alemanha destruindo a sua indústria. Este plano tinha sido secretamente defendido pelo próprio Winston Churchill, quando a Grã Bretanha ainda se encontrava na defensiva.


Catedral de Coventry em ruínas após o ataque aéreo da Luftwaffe.

 


Tags: Segunda Guerra Mundial, nazismo, bombardeios, napalm, Hiroshima, Nagasaki, Hamburgo, Gomorra






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