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Quarta-Feira, 17 de Novembro de 1558.

Morre Mary I, Rainha de Inglaterra

Mary I, Rainha da Inglaterra e Irlanda

Mary I (18 de fevereiro de 1516 – 17 de novembro de 1558) foi a Rainha da Inglaterra e Irlanda de julho de 1553 até sua morte. Sua perseguição e execução dos protestantes ingleses levou seus oponentes a lhe darem o epíteto de "Mary Sangrenta (Bloody Mary)".

Foi a filha mais velha do rei Henrique VIII da Inglaterra, sua mãe foi a primeira esposa do monarca, Catarina de Aragão. Seu meio-irmão mais novo, Edward VI, sucedeu a Henrique em 1547. Ele tentou retirar Mary da linha de sucessão por diferenças religiosas ao descobrir que estava com uma doença terminal. Após sua morte, Jane Grey, prima em segundo grau dos dois, foi inicialmente proclamada rainha. Mary reuniu uma força em Anglia do Leste e depôs Joana, que acabou sendo decapitada. Ela se casou em 1554 com Filipe II da Espanha, tornando-se rainha consorte da Espanha na ascensão dele em 1556.

Como a quarta monarca da Casa de Tudor, Mary é mais lembrada por restaurar o Catolicismo Romano depois do curto reinado protestante de seu meio-irmão. Em seus cinco anos de reinado, ela fez com que mais de 280 dissidentes religiosos fossem queimados. Seu restabelecimento do catolicismo foi revertido após sua morte por sua meia-irmã e sucessora Elizabeth I. Mary foi coroada em 1º de outubro de 1553.

Casamento

Mary, então com 37 anos de idade, voltou sua atenção para encontrar um marido e produzir um herdeiro, assim impedindo que a protestante Elizabeth (ainda sua sucessora de acordo com o testamento de Henrique VIII e o Terceiro Ato de Sucessão) ascendesse ao trono. Tanto Edward Courtenay quanto Reginald Pole foram mencionados como possíveis pretendentes, porém Carlos V sugeriu que ela se casasse com seu filho, príncipe Filipe da Espanha. Ele tinha um filho de um casamento anterior com Maria Manuela de Portugal, sendo também o herdeiro aparente de vastos territórios na Europa continental e no Novo Mundo. Como parte das negociações de casamento, um retrato de Filipe por Ticiano foi enviado a Mary em setembro de 1553.

Gardiner e a Câmara dos Comuns peticionaram sem sucesso para que ela considerasse um casamento com um inglês, temendo que a Inglaterra fosse relegada como uma dependência dos Habsburgo. O casamento era impopular entre o povo; o Lorde Chanceler e seus aliados eram contra na base do patriotismo, enquanto que os protestantes eram motivados pelo medo do catolicismo. Insurreições começaram quando Mary insistiu na união com Filipe. Thomas Wyatt, o Jovem liderou uma força de Kent para depor Mary em favor de Elizabeth, parte de uma conspiração maior conhecida como a Rebelião de Wyatt, que também envolvia Henrique Grey, 1.º Duque de Suffolk e pai de Jane Grey. A rainha declarou publicamente que convocaria um parlamento para discutir o casamento, e que se o parlamento julgasse desvantajosa a união para o reino, ela então deixaria de persegui-lo. Wyatt foi derrotado e capturado ao chegar em Londres. Ele, Henrique Grey e sua filha Jane junto com o marido Guildford Dudley foram executados. Courtenay, que foi implicado na conspiração, foi aprisionado e depois exilado. Elizabeth foi aprisionada na Torre de Londres por dois meses apesar de declarar sua inocência, depois sendo colocada em prisão domiciliar no Palácio de Woodstock.

Mary foi a primeira rainha soberana da Inglaterra. Além disso, sob o direito comum inglês do jure uxoris, as propriedades e títulos da esposa tornavam-se do marido com o casamento, assim muitos temiam que o homem que ela se casasse tornar-se-ia rei de fato e em nome. Enquanto Fernando II de Aragão e Isabel I de Castela, os avós maternos de Mary, mantiveram a soberania de seus próprios reinos durante o casamento, não havia nenhum precedente na Inglaterra. Sob os termos do Decreto de Casamento da Rainha Mary, Filipe seria chamado de "Rei da Inglaterra", todos os documentos oficiais seriam assinados com o nome de ambos e o parlamento seria convocado sob a autoridade conjunta do casal, porém apenas durante a vida de Mary. A Inglaterra não estaria obrigada a apoiar militarmente a Espanha e Filipe não poderia agir sem o consentimento da esposa ou nomear estrangeiros para cargos ingleses. O Príncipe das Astúrias não ficou satisfeito com as condições impostas, porém concordou para assegurar a união. Ele não tinha nenhum sentimento amoroso pela rainha e procurou o casamento apenas para ganhos estratégicos e políticos; seu ajudante Rui Gomes da Silva escreveu para um correspondente em Bruxelas: "o casamento foi concluído não por consideração carnal, porém a fim solucionar as desordens deste reino e preservar os Países Baixos".

Carlos V abriu mão da coroa de Nápoles além de sua reivindicação ao Reino de Jerusalém para deixar o filho na mesma posição de Mary como monarca. Assim, com a união, ela se tornou Rainha de Nápoles e a titular Rainha de Jerusalém. O casamento ocorreu na Catedral de Winchester em 25 de julho de 1554, dois dias após se conhecerem pela primeira vez. Filipe não falava inglês, assim os dois conversaram em uma mistura espanhol, francês e latim.


Filipe e Mary por Hans Eworth.

Falsa gravidez

Mary parou de menstruar em setembro de 1554. Ela ganhou peso e sentia-se nauseada pelas manhãs. Por esses motivos, praticamente toda a corte, inclusive seus médicos, acreditaram que ela estava grávida. O parlamento aprovou um decreto que fazia de Filipe o regente da Inglaterra caso Mary morresse durante o parto. Elizabeth foi solta de sua prisão domiciliar na última semana de abril de 1555 e chamada para a corte a fim de testemunhar o nascimento, que era esperado a qualquer momento. De acordo com o embaixador veneziano Giovanni Michieli, Filipe pode ter planejado se casar com Elizabeth caso Mary morresse no parto. Porém, em uma carta para seu cunhado Maximiliano da Áustria, ele expressou dúvidas se a esposa realmente estava grávida.

Os serviços de ação de graças na Diocese de Londres foram realizados no final de abril depois de rumores falsos se espalharem pela Europa dizendo que Mary havia dado à luz um filho. Durante maio e junho, o atraso no parto criou fofocas que a rainha não estava grávida. A dama-de-companhia de Mary revelou suas dúvidas ao embaixador francês Antônio, 1.º Conde de Noailles. Mary continuou a exibir sinais de gravidez até julho, quando sua barriga começou a diminuir. Não houve bebê. Michieli ridicularizou a gravidez com desdém dizendo que ela "terminará em vento ao invés de qualquer outra coisa". É mais provável que tenha sido uma gravidez psicológica, talvez induzida pelo enorme desejo da rainha de ter um filho. Filipe deixou a Inglaterra em agosto para comandar seu exército em Flandres contra os franceses, logo depois da desgraça da falsa gravidez que Mary considerou como "punição divina" por ter "tolerado hereges" em seu reino. Ela ficou arrasada e entrou em grande depressão. Michieli ficou comovido pela dor da rainha; ele escreveu que Mary estava "extraordinariamente apaixonada" pelo marido, tendo ficado inconsolável com sua partida.

Elizabeth ficou na corte até outubro, aparentemente tendo feito as pazes com a irmã. Na falta de filhos, Filipe ficou preocupado que depois de Mary e Elizabeth, a próxima reivindicante ao trono inglês era a rainha Mary da Escócia, que estava prometida a Francisco, Delfim da França. Ele persuadiu a esposa que Elizabeth deveria se casar com seu primo Emanuel Feliberto, Duque de Saboia, a fim de garantir uma sucessão católica e preservar o interesse Habsburgo na Inglaterra, porém Elizabeth se recusou e não era provável que o parlamento emitisse seu consentimento.

Política religiosa

Mary emitiu uma proclamação um mês após sua ascensão dizendo que não iria forçar seus súditos a seguirem sua religião, porém ela aprisionou reformistas proeminentes no final de setembro, como John Bradford, John Rogers, John Hooper, Hugo Latimer e Thomas Cranmer. Seu primeiro parlamento, que se reuniu em outubro, declarou como válido o casamento de seus pais e aboliu as leis religiosas de Edward VI. A doutrina religiosa foi restaurada na forma que havia tomado em 1539 com os Seis Artigos, que restabeleciam o celibato do clero dentre outras coisas. Padres casados foram privados de seus benefícios.

Mary sempre rejeitou a ruptura com Roma instituída por Henrique VIII de Inglaterra e o estabelecimento do protestantismo por Edward. Ela e Filipe queriam que a Inglaterra se reconciliasse com a Igreja Católica Romana. Ele persuadiu o parlamento a revogar as leis religiosas protestantes aprovadas por Henrique, assim devolvendo a Igreja Anglicana para a jurisdição de Roma. Demorou meses para os dois lados chegarem a um acordo, e Mary e o Papa Júlio III tiveram de fazer uma grande concessão: as terras confiscadas durante a Dissolução dos Mosteiros no reinado de Henrique não foram devolvidas e permaneceram nas mãos de seus novos donos, que eram muito influentes. O papa aprovou o acordo no final de 1554 e os Decretos de Heresia foram reinstituídos.


Mary I em 1554 por Hans Eworth.

Sob os Decretos de Heresia, vários protestantes foram executados nas perseguições Marinas. Muitos protestantes ricos, como John Foxe, escolheram o exílio, com por volta de oitocentos deixando o país. As primeiras execuções ocorreram no início de fevereiro de 1555 por um período de cinco dias: John Rogers no dia 4, Lourenço Saunders no dia 8, e Rolando Taylor e John Hooper no dia 9. Thomas Cranmer, o aprisionado Arcebispo da Cantuária, foi forçado a assistir as mortes dos bispos Nicolau Ridley e Hugo Latimer na fogueira. Cranmer se retratou, rejeitou a teologia protestante e voltou para a fé católica. Ele deveria ter sido absolvido como arrependido sob os processos normais da lei, porém Mary se recusou a perdoá-lo. Ele retirou sua retratação no dia de sua execução. No total, 283 pessoas foram executados, a maioria na fogueira. As execuções na fogueira foram tão impopulares que até mesmo Alfonso de Castro, um dos membros da equipe eclesiástica de Filipe, as condenou, com o conselheiro Simão Renard avisando-o que tais "imposições cruéis" poderiam "causar revoltas". Mary insistiu com a política, que continuou até sua morte e exacerbou o sentimento anticatólico e antiespanhol presente dentre o povo inglês.

Reginald Pole, filho da governanta de Mary e certa vez um possível pretendente para sua mão, chegou como legado papal em novembro de 1554. Ele foi ordenado padre e nomeado Arcebispo da Cantuária em março de 1556 imediatamente após a morte de Cranmer.

Morte

Depois da visita de Filipe II da Espanha em 1557, Mary achou que estava grávida novamente e daria à luz por volta de março de 1558. Ela decretou em seu testamento que seu marido fosse o regente durante a minoridade de seu filho. Entretanto, novamente não houve criança e Mary foi forçada a aceitar que Elizabeth era sua legítima sucessora.

Mary ficou doente e fraca em maio de 1558 e acabou morrendo no dia 17 de novembro de 1558 aos 42 anos de idade no Palácio de St. James, vítima de uma epidemia de gripe que algumas horas depois também tirou a vida de Reginald Pole. Ela morreu provavelmente de um cisto ovariano ou de cancro do útero. Mary foi sucedida por Elizabeth. Filipe, que estava em Bruxelas, escreveu a sua irmã Joana que "Eu senti um arrependimento razoável pela morte dela".

Apesar de afirmar em seu testamento que desejava ser enterrada ao lado da mãe na Catedral de Peterborough, ela foi enterrada na Abadia de Westminster do dia 14 de dezembro de 1558 em uma tumba que eventualmente dividiria com sua meia-irmã Elizabeth. A inscrição em latim da tumba, Regno consortes et urna, hic obdormimus Elizabetha et Mary sorores, in spe resurrectionis (colocada por Jaime VI & I ao suceder Elizabeth em 1603), se traduz para: "Consortes em reino e tumba, aqui dormimos, Elizabeth e Mary, irmãs, na esperança de ressurreição".

Legado

John White, Bispo de Winchester, elogiou Mary em seu funeral: "Ela era uma filha de rei; era uma irmã de rei; era uma esposa de rei. Ela era uma Rainha, e pelo mesmo título um Rei também". Ela foi a primeira mulher a reivindicar com sucesso o trono inglês, mesmo com reivindicações rivais e grande oposição, e gozou de apoio popular e simpatia durante o início de seu reinado, especialmente dos católicos ingleses. Historiadores católicos como John Lingard acharam que as políticas de Mary falharam não por serem erradas, más sim porque ela teve um reinado muito curto para estabelecê-las e por conta de desastres naturais além de seu controle. As perdas militares na França, clima ruim e colheitas ruins aumentaram o descontentamento público. Filipe passou a maior parte de seu tempo no exterior enquanto mantinha a esposa na Inglaterra, deixando-a depressiva pela ausência e minada por sua incapacidade de conceber filhos. Ele tentou se casar com Elizabeth após a morte de Mary, porém ela recusou.

Por volta do século XVII, a perseguição dos protestantes realizada por Mary levou ao seu epíteto de "Mary Sangrenta (Bloody Mary)”. John Knox a atacou em seu The First Blast of the Trumpet Against the Monstruous Regiment of Women de 1558 e ela apareceu proeminentemente vilanizada nos Atos e Monumentos publicado por Fox em 1563. Edições subsequentes do livro permaneceram populares com protestantes pelos séculos seguintes e ajudaram a moldar as duradouras percepções de Mary como uma tirana sedenta por sangue. H. F. M. Prescott tentou no século XX reparar a tradição que Mary era intolerante e autoritária ao escrever mais objetivamente, e acadêmicos posteriores passaram a ver as avaliações antigas e partidárias de Mary com maior ceticismo. Apesar de no final seu reinado ter sido ineficiente e impopular, políticas de reforma fiscal, expansão naval e exploração colonial que foram depois atribuídas como realizações de Elizabeth, começaram na verdade no reinado de Mary.

Fonte: Wikipédia


Tags: Rainha, catolicismo, Bloody Mary, Inglaterra, Espanha, Filipe II, Igreja Anglicana, protestante, sanguinária






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