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23 de novembro de 1992.

Na cidade de Mölln, no norte da Alemanha, um atentado racista causa a morte de três turcas


A 23 de novembro de 1992, um atentado incendiário de fundo racista na cidade de Mölln, no norte da Alemanha, causou a morte de três turcas. Foi o primeiro de uma série de ataques e atentados mortais contra estrangeiros na Alemanha. Os responsáveis pelo atentado de Mölln foram condenados um ano mais tarde.

Pouco depois da meia-noite daquele 23 de novembro, o corpo de bombeiros da cidade de 17 mil habitantes perto de Lübeck, no norte da Alemanha, recebeu uma chamada incomum: quem estava do outro lado da linha anunciou o incêndio e despediu-se com uma saudação nazista. Quando os bombeiros chegaram, encontraram um quadro desolador.

Logo depois da unificação da Alemanha, em 1990, o país começou a receber uma grande onda de refugiados, ao mesmo tempo em que a economia desacelerava. Não só na cabeça dos jovens, propagou-se a idéia de que os estrangeiros tiravam o emprego dos alemães. Principalmente as pessoas que aparentavam ser de outros países (asiáticos ou africanos) tornaram-se bodes expiatórios.

Os partidos conservadores contribuíram para aquecer a polêmica, propagando lemas como nosso bote já está cheio, não queremos mais estrangeiros, sem quererem se dar conta da enorme contribuição dos trabalhadores estrangeiros para a economia do país – e de seus filhos para o futuro da Alemanha.

Os radicais de direita começaram a se multiplicar, propagando um rastro de sangue, principalmente no Leste, a antiga Alemanha de regime comunista. Indigentes, estrangeiros, deficientes começaram a ser jogados diante de trens, espancados e humilhados. A Justiça, por seu lado, era condescendente ao pronunciar as sentenças contra os criminosos.

Penas rigorosas

Os responsáveis pelo atentado com coquetéis molotov em Mölln, entretanto, receberam as penas mais duras possíveis para delitos de extrema direita. Lars Christiansen, então com 20 anos, foi condenado à pena máxima prevista para menores de idade: dez anos de prisão. Seu cúmplice, Michael Peters, de 27, recebeu prisão perpétua por homicídio.

Apesar de alguma resistência da opinião pública, as ruínas da casa foram rapidamente removidas, para ser construído outro prédio no local. Apenas uma placa na entrada lembra o incêndio de 1992.

Duas semanas depois do incêndio em Mölln, aconteceu em Munique a até então maior manifestação na Alemanha depois da Segunda Guerra, com 400 mil pessoas protestando contra o racismo.

Tags: Racismo, reunificação, neo-nazismo






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