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27 de novembro de 1971.

Morre Aparício Fernando de Brinkerhoff Torelly, o Barão de Itararé, jornalista e articulista brasileiro

Apparício Fernando de Brinkerhoff Torelly, o Barão de Itararé

Apparício Fernando de Brinkerhoff Torelly, também conhecido por Apporelly e pelo falso título de nobreza de Barão de Itararé (Rio Grande, 29 de janeiro de 1895 — Rio de Janeiro, 27 de novembro de 1971), foi um jornalista, escritor e pioneiro no humorismo político brasileiro.

Biografia

O nascimento de Apporelly é marcado por mistérios e disputas. Conta-se que teria nascido a bordo de uma diligência, no Uruguai, enquanto seus pais rumavam para uma fazenda da família materna. Admiradores de Rio Grande (Rio Grande do Sul), onde seus pais moravam, contestam esta versão. Entretanto, na matrícula de ensino escolar, Apporelly foi registrado como nascido no Uruguai, enquanto seu título de eleitor sustentava uma naturalidade gaúcha, mas sem discriminação de cidade.

Sua mãe, Amélia, teve morte trágica, suicidou-se quando tinha 18 anos e ele 18 meses; seu pai enviou-o a um internato jesuíta em São Leopoldo (RS). Apparício Torelly iniciou-se no humorismo em 1908 no jornalzinho "Capim Seco", do colégio onde estudava, satirizando a disciplina dos padres jesuítas de São Leopoldo.

Em 1918, durante suas férias, sofre um AVC quando andava na fazenda de um tio. Abandona o curso de Medicina no quarto ano e começa a escrever. Publica sonetos e artigos em jornais e revistas, como a Revista Kodak, "A Máscara" e "Maneca".

A Manha, suplemento do jornal "A Manhã"

Em 1925 entra para O Globo de Irineu Marinho. Com a morte de Irineu, Apporelly foi convidado por Mário Rodrigues (pai de Nelson Rodrigues) a ser colaborador do jornal A Manhã. Ainda em 1925, no mês de dezembro, Apparício Torelly estreava na primeira página com seus sonetos de humor que, geralmente, tinham como tema um político da época. Sua coluna humorística fez sucesso e também na primeira página, em 1926, começou a escrever a coluna "A Manha tem mais…". Neste mesmo ano criou o semanário que viria a se tornar o maior e mais popular jornal de humor da história do Brasil. Bem ao seu estilo de paródias, o novo jornal da capital federal tinha o nome de A Manhã, e usava a mesma tipologia do jornal em que Apparício trabalhava, sem o til (A Manha), fazendo toda diferença, que era reforçada com a frase ladeando o título: "Quem não chora, não mama". Para estreia tão libertadora, Apporelly não perdeu a data de 13 de maio de 1926. A Manha logo virou independente.

"A Manha" logo virou independente, sob a batuta onisciente de "Nosso querido diretor", como Apporelly se referia a si mesmo.

O jornal circulou até fins de 1935, quando o Barão foi preso por ligações com o Partido Comunista Brasileiro, então na clandestinidade. Posto em liberdade em 1936, já ostentando a volumosa barba que cultivaria até o fim da vida, ele retomou o jornal por um curto período, até que viesse nova interrupção, ao longo de todo o Estado Novo (1937-45). Voltaria em edições espasmódicas até 1959.

"Apporelly sempre foi uma pedra no sapato do Getúlio, a quem se referia como 'G. G. Túlio Vargas'", diz Lira Neto, biógrafo do presidente. Vargas marcou a trajetória do humorista até onde menos se percebe. Se foi em Itararé (SP) que sediou seu baronato, havia aí uma piscadela para o líder gaúcho. Foi lá que aconteceu --ou deixou de acontecer-- um episódio importante na Revolução de 1930, a "batalha que nunca houve".

Figueiredo avalia a relação dos dois como "tortuosa". Eles se conheceram nos tempos de colégio, em Porto Alegre, quando Apporelly vivia na mesma pensão que Benjamin, irmão de Getúlio. Opositor fervoroso do ditador, o que lhe custou prisão e silêncio, em 1969, em entrevista ao jornalista e tradutor Remy Gorga, Filho, o Barão disse sobre Getúlio: "Vivo, inteligente, tinha um porte de estadista raro. Ele era povo, não latifundiário. Getúlio sempre foi o pai da pátria".

A batalha de Itararé

Durante a Revolução de 1930, quando Getúlio Vargas partiu de trem rumo à capital federal, então o Rio de Janeiro, propagou-se pela imprensa que haveria uma batalha sangrenta em Itararé. Isto, foi vastamente divulgado na imprensa. Apporelly não ficou de fora desta tendência. Esta batalha ocorreria entre as tropas fiéis a Washington Luís e as da Aliança Liberal que, sob o comando de Getúlio Vargas, vinham do Rio Grande do Sul em direção ao Rio de Janeiro para tomar o poder. A cidade de Itararé fica na divisa de São Paulo com o Paraná, mas antes que houvesse a batalha "mais sangrenta da América do Sul", fizeram acordos. Uma junta governativa assumia o poder no Rio de Janeiro e não aconteceu nenhum conflito. O Barão de Itararé comentaria este fato mais tarde da seguinte maneira:

“Fizeram acordos. O Bergamini pulou em cima da prefeitura do Rio, outro companheiro que nem revolucionário era ficou com os Correios e Telégrafos, outros patriotas menores foram exercer o seu patriotismo a tantos por mês em cargos de mando e desmando… e eu fiquei chupando o dedo. Foi então que resolvi conceder a mim mesmo uma carta de nobreza. Se eu fosse esperar que alguém me reconhecesse o mérito, não arranjava nada. Então passei a Barão de Itararé, em homenagem à batalha que não houve”.

Na verdade, em outubro de 1930, Apparício se autodeclarara Duque nas páginas de A Manha:

“O Brasil é muito grande para tão poucos duques. Nós temos o quê por aqui? O Duque Amorim, que é o duque dançarino, que dança muito bem mas não briga e o Duque de Caxias que briga muito bem, mas não dança. E agora eu, que brigo e danço conforme a música”.

Mas como ele próprio anunciara semanas depois, "como prova de modéstia, passei a Barão."

O jornal circulou até fins de 1935, quando o Barão foi preso por ligações com o Partido Comunista Brasileiro, então clandestino. Foi libertado em dezembro de 1936, já ostentando a volumosa barba que cultivaria por boa parte de sua vida. Retomou o jornal por um curto período, até que viesse nova interrupção, ao longo de todo o Estado Novo e voltando em edições espasmódicas até 1959.

Unido a Bastos Tigre e Juó Bananére, conseguiu exprimir o hibridismo linguístico com a utilização do soneto-piada, que consistia na contraposição rápida de dois contextos associativos.

Política

Foi candidato em 1947 a vereador do Distrito Federal, com o lema "Mais leite! Mais água! Mas menos água no leite!", sendo eleito com 3669 votos, o oitavo mais votado do PCB, que conquistou 18 das 50 cadeiras. Porém, em janeiro de 1948, seus vereadores foram cassados: "Um dia é da caça... os outros da cassação", anunciou A Manha.

Últimos anos

No final dos anos 1950, foi deixando o humor de lado e passou a se interessar pela ciência, e pelo esoterismo, estudou filosofia hermética, as pirâmides do Antigo Egito e a astrologia, campo no qual desenvolveu o "horóscopo biônico". Faleceu, dormindo, em seu apartamento no bairro carioca de Laranjeiras.

Foi opositor ferrenho de Getúlio Vargas, a quem conheceu nos tempos de colégio, em Porto Alegre, quando vivia na mesma pensão em que se hospedava Benjamin, irmão de Getúlio.

Obras e representação na cultura

Em 1985, a Editora Record publica em livro, sob o título de Máximas e Mínimas do Barão de Itararé, uma seleção de textos de humor extraídos de A Manha, em coletânea organizada por Afonso Félix de Sousa e com prefácio de Jorge Amado. No mesmo ano, Máximas e Mínimas alcançou rapidamente quatro edições.

Em 14 de agosto de 2011, o programa De lá pra cá, da TV Brasil relembrou a vida e a obra do Barão de Itararé.

Mais recentemente, seu espírito crítico influenciou a criação do Centro de Estudos da Mídia Alternativa "Barão de Itararé", que reúne diversos ativistas e movimentos sociais comprometidos com a democratização da mídia no Brasil.

Em 2014, o segundo episódio da série "Resistir é Preciso", exibida pela TV Brasil, teve como assunto a trajetória de Barão de Itararé.

Frases impagáveis do Barão de Itararé

  • O que se leva desta vida é a vida que a gente leva.
  • A criança diz o que faz, o velho diz o que fez e o idiota o que vai fazer.
  • Os homens nascem iguais, mas no dia seguinte já são diferentes.
  • Dizes-me com quem andas e eu te direi se vou contigo.
  • A forca é o mais desagradável dos instrumentos de corda.
  • Sábio é o homem que chega a ter consciência da sua ignorância.
  • Não é triste mudar de ideias, triste é não ter ideias para mudar.
  • Mantenha a cabeça fria, se quiser ideias frescas.
  • O tambor faz muito barulho, mas é vazio por dentro.
  • Genro é um homem casado com uma mulher cuja mãe se mete em tudo.
  • Neurastenia é doença de gente rica. Pobre neurastênico é malcriado.
  • De onde menos se espera, daí é que não sai nada.
  • Quem empresta, adeus.
  • Pobre, quando mete a mão no bolso, só tira os cinco dedos.
  • O banco é uma instituição que empresta dinheiro à gente se a gente apresentar provas suficientes de que não precisa de dinheiro.
  • Tudo seria fácil se não fossem as dificuldades.
  • A televisão é a maior maravilha da ciência a serviço da imbecilidade humana.
  • O português é uma língua muito difícil. Tanto que calça é uma coisa que se bota, e bota é uma coisa que se calça.
  • Este mundo é redondo, mas está ficando muito chato.
  • Precisa-se de uma boa datilógrafa. Se for boa mesmo, não precisa ser datilógrafa.
  • O fígado faz muito mal à bebida.
  • O casamento é uma tragédia em dois atos: um civil e um religioso.
  • A alma humana, como os bolsos da batina de padre, tem mistérios insondáveis.
  • Eu Cavo, Tu Cavas, Ele Cava, Nós Cavamos, Vós Cavais, Eles Cavam. Não é bonito, nem rima, mas é profundo…
  • Tudo é relativo: o tempo que dura um minuto depende de que lado da porta do banheiro você está.
  • Nunca desista do seu sonho. Se acabou numa padaria, procure em outra!
  • Devo tanto que, se eu chamar alguém de “meu bem”, o banco toma!
  • Viva cada dia como se fosse o último. Um dia você acerta…
  • Tempo é dinheiro. Paguemos, portanto, as nossas dívidas com o tempo.
  • As duas cobras que estão no anel do médico significam que o médico cobra duas vezes, isto é, se cura, cobra, e se mata, cobra.
  • O voto deve ser rigorosamente secreto. Só assim, afinal, o eleitor não terá vergonha de votar no seu candidato.
  • Em todas as famílias há sempre um imbecil. É horrível, portanto, a situação do filho único.
  • Negociata é um bom negócio para o qual não fomos convidados.
  • Quem não muda de caminho é trem.
  • A moral dos políticos é como elevador: sobe e desce. Mas em geral enguiça por falta de energia, ou então não funciona definitivamente, deixando desesperados os infelizes que confiam nele.


Fonte: Wikipédia


Tags: Jornalista, jornalismo, articulista, humorismo, humorista, Barão de Itararé, A Manha






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