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Segunda-Feira, 27 de Maio de 1941.

Navios de guerra britânicos afundam o encouraçado alemão Bismarck

Bismark

O Bismarck foi o primeiro couraçado da Classe Bismarck construído pela Kriegsmarine. Batizado em homenagem ao chanceler Otto von Bismarck, um dos grandes responsáveis pela unificação da Alemanha em 1871, a construção do navio teve início nos estaleiros da Blohm & Voss em 1º de julho de 1936, sendo lançado dois anos e meio depois em 14 de fevereiro de 1939. Sua construção foi finalizada em 24 de agosto de 1940, quando foi comissionado para a frota alemã. O Bismarck e seu irmão Tirpitz foram os maiores navios de guerra construídos pela Alemanha Nazista, e dois dos maiores navios construídos por uma potência europeia.

Durante sua carreira de oito meses sob o comando de seu único capitão, Ernst Lindemann, o Bismarck participou de apenas uma operação ofensiva, a Operação Rheinübung ocorrida entre 18 e 27 de maio de 1941. O navio, junto com o cruzador pesado Prinz Eugen, deveria seguir para o Atlântico Norte e atacar navios mercantes aliados que se dirigiam para o Reino Unido.

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Mapa mostrando os movimentos do Bismarck e o Prinz Eugen em vermelho durante a Operação "Rheinübung", e os navios da Marinha Real Britânica em amarelo.

As duas embarcações foram detectadas várias vezes perto da Escandinávia, com unidades navais britânicas sendo enviadas para bloqueá-las. O Bismarck enfrentou e destruiu o HMS Hood, o grande orgulho da Marinha Real Britânica, e forçou a retirada do HMS Prince of Wales em 24 de maio de 1941 durante a Batalha do Estreito da Dinamarca. Entretanto, o Bismarck foi atingido três vezes e sofreu uma avaria na proa, perfurando um dos tanques de combustível.

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Bismarck deixando Hamburgo, 15 de setembro de 1940

A destruição do Hood iniciou uma perseguição implacável pela Marinha Real, que envolveu dúzias de navios. Dois dias depois, enquanto navegava para um porto na França Ocupada, o Bismarck foi atacado por aviões torpedeiros Fairey Swordfish que decolaram do porta-aviões HMS Ark Royal; um dos torpedos atingiu a popa do navio, destruindo um dos lemes e seu mecanismo, tornando-o inoperável.

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Vários Swordfish sobrevoam o Ark Royal.

Operação Rheinübung

A Operação Rheinübung ("Exercício Rhine") ocorrida entre 18 e 27 de maio de 1941 foi a operação ofensiva do Bismark que ocorreu no Atlântico Norte juntamente como o cruzador pesado Prinz Eugen. O objetivo da operação era bloquear os transportes aliados que se dirigiam ao Reino Unido.

Controvérsias históricas

O Bismarck teria sido destruído na manhã de 27 de maio de 1941 por navios britânicos. A causa de seu naufrágio é controversa: por muitos anos a Marinha Real Britânica afirmou que os torpedos disparados pelo HMS Dorsetshire foram fatais, enquanto que os sobreviventes alemães afirmam terem recebido ordens para afundá-lo. Robert Ballard descobriu os destroços em junho de 1989, sendo seguido por várias outras expedições que pesquisaram os restos do Bismarck para documentar sua condição e determinar a verdadeira causa de seu naufrágio.

Descoberta por Robert Ballard

Os destroços do Bismarck foram descobertos em 8 de junho de 1989 pelo dr. Robert Ballard, o oceanógrafo responsável por encontrar o RMS Titanic. O Bismarck foi encontrado a aproximadamente 4791 m de profundidade por volta de 650 km ao oeste de Brest. O navio atingiu um vulcão submarino adormecido, que se elevava 1 km em relação a planície abissal, desencadeando um deslizamento de terra de 2 km. O Bismarck escorregou pela montanha, parando dois terços abaixo.

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Pintura de Ken Marshall mostrando o robô Argo explorando os destroços.

A pesquisa de Ballard não encontrou penetrações submarinas na cidadela blindada da embarcação. Oito buracos foram encontrados no casco, um no lado estibordo e sete no lado bombordo, todos acima da linha d'água. Um dos buracos está no convés no lado estibordo da proa. O ângulo e a forma indicam que a bala foi disparada do lado bombordo do Bismarck e acertou a corrente da âncora do lado estibordo. A corrente desapareceu dentro do buraco. Seis buracos estão à meia-nau, três fragmentos de balas perfuraram o cinturão superior e outro abriu um buraco no cinturão principal de blindagem. Mais atrás um enorme buraco é visível no convés, paralelo a catapulta do navio. Não fica claro se esse estrago foi causado pela explosão interna da munição devido a penetração da bala na blindagem. Os submarinos não gravaram nenhum sinal de penetração no cinturão de blindagem principal e lateral que poderiam ter ocasionado isso; é provável que a bala penetrou apenas a blindagem do convés. Vários amassados mostram que muitas das balas de 356 mm disparadas pelo King George V ricochetearam na blindagem alemã.

Ballard afirmou que não encontrou nenhuma evidência de implosões internas que ocorrem quando um casco que não está totalmente inundado afunda. A água ao redor, que possui mais pressão que o ar de dentro, esmagaria o navio. Ao invés disso, ele disse que o casco está relativamente em boas condições; Ballard afirma simplesmente que o "Bismarck não implodiu". Isso sugere que os compartimentos da embarcação já estavam inundados quando ela naufragou, apoiando a teoria de que os alemães afundaram seu próprio navio. Ele completou, "encontramos um casco que aparenta estar completo e relativamente intacto pela descida e impacto". Concluiu-se que a causa direta do naufrágio foi a ação de sua própria tripulação: sabotagem das válvulas da sala da engenharia como sobreviventes alemães afirmaram. Ballard manteve em segredo a localização exata dos destroços para impedir que outros mergulhadores retirassem artefatos do navio, uma prática que ele considera uma espécie de roubo de túmulos.

A popa não está junto com o casco principal e até hoje nunca foi encontrada. Presume-se que isso não ocorreu no impacto com o fundo oceânico. A parte faltante soltou-se mais ou menos no local de um impacto de torpedo, levantando questões sobre uma possível falha estrutural. A área da popa também foi atingida várias vezes, aumentando o dano do torpedo. Isso, aliado ao fato do navio ter afundado "pela popa" e não tinha nenhum ponto estrutural para segurá-la, sugere que essa seção se separou ainda na superfície. Em 1942, o Prinz Eugen também foi torpedeado na popa, que acabou desmoronando. Isso levou a construção de um reforço em todos os navios alemães.

Outras expedições

Em junho de 2001, a Deep Ocean Expeditions, em parceria com o Instituto Oceanográfico de Woods Hole, conduziu outra investigação nos destroços usando mini-submarinos russos. William N. Lange, especialista da Woods Hole, afirmou, "Pode-se ver vários buracos de balas na superestrutura e no convés, porém não muitos no casco, e nenhum abaixo da linha d'água". A expedição não encontrou penetrações no cinturão principal de blindagem, acima ou abaixo da linha d'água. Os especialistas encontraram vários rasgos no casco, porém atribuíram isso ao impacto com o chão oceânico.

Um canal de televisão britânico patrocinou uma expedição anglo-americana em julho de 2001. A equipe usou o vulcão, o único da área, para encontrar os destroços. Usando veículos submarinos operados remotamente, eles concluíram que o navio afundou devido a danos de combate. David Mearns, o líder da expedição, afirmou que os rasgos no casco "provavelmente cresceram pelo deslizamento [no vulcão], porém foram criados por torpedos".

O documentário Expedition: Bismarck, dirigido por James Cameron e filmado entre maio e junho de 2002 com submarinos Mir menores e mais ágeis, reconstruiu os eventos do naufrágio. Essa expedição trouxe as primeiras imagens do interior da embarcação. As descobertas apontam que não houve danos suficientes abaixo da linha d'água para confirmar que o Bismarck afundou pelos danos infligidos pelos britânicos. Inspeções mais cuidadosas dos destroços confirmaram que nenhum dos torpedos penetraram a segunda camada do casco interior. Usando pequenos robôs para examinar o interior, Cameron descobriu que as explosões dos torpedos não avariaram as anteparas.

Apesar de seus pontos de vista diferentes, eles concordam que o Bismarck eventualmente naufragaria se os alemães não tivessem agido. Ballard estima que o navio ainda flutuaria por pelo menos mais um dia após as embarcações britânicas terem cessado fogo, e poderia ter sido facilmente capturado pela Marinha Real, uma opinião apoiada pelo historiador Ludovic Kennedy. Kennedy afirma, "Não há dúvidas de que ele eventualmente teria naufragado; porém a ação alemã assegurou que isso ocorresse cedo ao invés de tarde". Ao ser perguntado se o Bismarck teria afundado caso os alemães não tivessem tentando naufragá-lo antes, Cameron respondeu "Claro. Mas poderia ter demorado meio dia". Em seu livro Hood and Bismarck, Mearns reconheceu que a tentativa alemã de afundar seu próprio navio "pode ter acelerado o inevitável, porém apenas em uma questão de minutos". Ballard concluiu que "Do meu ponto de vista, os britânicos afundaram a embarcação independentemente de quem deu o golpe final".

Fonte: Wikipédia





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