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31 de agosto de 0161.

Nasce Marcus Aurelius Commodus Antoninus, Imperador Romano

Busto de Cômodo vestido como Hércules. Museus Capitolinos

Lúcio Aurélio Cômodo Antonino (em latim: Marcus Aurelius Commodus Antoninus; Lanúvio, 31 de agosto de 161 - Roma, 31 de dezembro de 192) foi um imperador romano que governou de 180 a 192.

Nascimento e família

Era filho de Marco Aurélio Antonino Augusto e de Faustina, a Jovem, nasceu no dia anterior às calendas de setembro. O último imperador da dinastia dos Antoninos, e dos últimos cinco, foi o primeiro a ascender ao cargo por linhagem sanguínea, e não por adoção. É frequentemente citado como tendo sido um dos piores imperadores romanos, tendo o seu reinado marcado o final da chamada era dos cinco bons imperadores.

Ele teve um irmão gêmeo chamado Antonino, e sua mãe tinha sonhos, quando grávida, de que daria à luz serpentes. Antonino, porém, só viveu até os quatro anos de idade.

Cômodo foi educado em literatura grega por Onesicrates, em latim por Antistius Capella e em retórica por Ateius Sanctus.

Imperador

Em 176, seu pai o nomeou co-imperador, e até a morte de Marco Aurélio os dois governaram juntos, durante a guerra contra os Marcomanos. No entanto, com a morte de Marco Aurélio, Cômodo preferiu, contra a opinião dos assessores do pai, encerrar a política de guerra total de Marco Aurélio e fazer com os germanos uma paz negociada - muito embora o exército romano estivesse envolvido, entre 180 e 182, em campanhas de "limpeza" na região danubiana.

A renúncia a conquistas de territórios, muito embora levasse em conta o fato de os recursos econômicos romanos, desde a época de Trajano, serem insuficientes para manter um número crescente de tropas permanentes sem uma grande expansão da base tributária existente, era algo que, desde a renúncia às inseguras conquistas asiáticas de Trajano por Adriano, tendia a desagradar à elite governante romana, que via com isso suas oportunidades de ocupar cargos públicos reduzidas. A renúncia a uma política ofensiva de Cômodo deveria, de saída, aliená-lo, como Adriano, dos grupos tradicionalistas muito poderosos no senado , com o qual começou desde cedo a entrar em atrito. A tradição de Cômodo como "mau" imperador (com as usuais acusações de depravações sexuais e extravagâncias, preservadas na sua biografia romanceada na História Augusta) vem, muito provavelmente, daí.

Cômodo celebrizou-se, segundo a tradição, pelo gosto dos espetáculos violentos. E esse seu gosto pela violência teria começado muito cedo: diz-se que, aos 12 anos de idade, após reclamar de um banho muito quente, exigiu que o criado responsável fosse queimado vivo. Os demais serventes lançaram o corpo de um animal ao fogo, dizendo tratar-se do responsável pelo banho. Cômodo, então, ficou de frente para o fogo, apreciando o cheiro da carne queimada. Este gosto pelos espetáculos seria transformado num instrumento político com sua ascensão ao trono.

Diante da oposição do senado, Cômodo procurou legitimar seu governo com base no carisma religioso, combinado a um carisma pessoal: fez empréstimos importantes às religiões orientais e promoveu o culto de Júpiter Summus Exsuperantissimus, como centro de um novo panteão romano, no qual estariam representados os deuses estrangeiros. Também apresentou-se como gladiador no anfiteatro, e devido à sua devoção ao culto de Hércules, um dos mitológicos filhos de Júpiter, autodenominou-se Hércules Romanus, impondo que o adorassem como a reencarnação de Hércules. Emitiu uma série de moedas em que se fazia representar como Hércules, com a clava, o arco, flechas e uma pele de leão.

Grande admirador das lutas entre gladiadores, Cômodo organizou, em 192, uma série de combates, com duração de duas semanas, chegando a participar pessoalmente deles, usando roupas e armas semelhantes às de Hércules. Apareceu inclusive no senado vestindo essas roupas.

Logo no início de seu reinado, teve de enfrentar uma conspiração baseada no senado e liderada por sua irmã Lucila - a qual era viúva do colega de Marco Aurélio como imperador, Lúcio Vero, e casada com um dos principais generais de Marco Aurélio, Tibério Cláudio Pompeano. Cômodo exilou - e mais tarde executou - Lucila, ao mesmo tempo que simplesmente afastou Pompeianus (com o qual Lucila jamais estivera em boas relações, por conta da idade avançada e da origem plebeia do segundo marido) da vida pública. A partir daí, apoiou-se no seu prefeito do pretório Perénio , que em 182 tornou seu cargo o posto mais elevado da hierarquia administrativa imperial. Perênio foi no entanto afastado e executado em 185, sendo substituído como favorito por Cleandro, que recebeu o título de amicus princeps e passou a dirigir o governo imperial de fato, assumindo a prefeitura em 189. Em 190, Cleandro seria derrubado por uma intriga de bastidores, e o poder real passou ao camareiro Eclectus e ao novo prefeito Laetus.

A hostilidade entre os imperadores e senado não era uma novidade na história do Império Romano, e Adriano já havia preferido governar apoiando-se num conselho de amigos pessoais e funcionários administrativos, mantendo-se através de suas viagens, longe do senado e em contato direto com as elites provinciais, com bons resultados. Diferentemente de Adriano, no entanto, Cômodo, apesar da noção exaltada e quase religiosa que possuía do seu cargo, não tinha interesse pelas tarefas quotidianas de governo - talvez devido à sua posição de "mais nobre príncipe", nobilissimus princeps, que lhe vinha de haver nascido quando o pai já tinha o poder imperial - demonstrando um profundo aborrecimento e desconsideração pelo cargo que ocupava; à medida que seu reinado avançava, passava cada vez menos tempo em Roma, preferindo manter-se isolado nas suas propriedades em Lanúvio. Chegou a nomear, em 189, sob a influência de Cleandro, 25 cônsules, sendo frequentes os julgamentos nos tribunais serem resolvidos com dinheiro, vendendo-se igualmente cargos públicos, no governo e na magistratura. Durante o seu período como imperador teve, contudo, o bom senso de escolher para as províncias e para o exército indivíduos com capacidades de administração, bem como o cuidado em atender a solicitações dos mais oprimidos, como o caso dos colonos africanos. Organizou uma frota que fazia periodicamente o transporte de trigo do Norte da África, como alternativa às importações de trigo do Egito, até então a principal base de abastecimento da plebe romana, à qual deu o nome de Alexandria Commodiana Togata(a partir da época de Constantino I, a frota do Egito seria utilizada para o abastecimento de Constantinopla, e a da África para o de Roma). Foi tolerante com os cristãos.

Morte

Diante da crise de legitimidade constante, o grupo de assessores mais próximos do imperador - que incluía o futuro imperador Septímio Severo, então governador da Panônia (e um dos 25 cônsules de 189), e seu irmão Públio Septímio Geta, governador da Dácia - resolveu-se pelo afastamento do imperador: em 31 de dezembro de 192, a pedido da favorita de Cômodo, Márcia, um campeão de lutas chamado Narciso estrangulou o imperador durante o banho. Cômodo foi então enterrado no mausoléu de Adriano. Sua morte violenta marcou o início de um período de grande instabilidade política em Roma.

Quando Septímio Severo se tornou imperador, Cômodo foi divinizado.

Representações

A tragédia de Cômodo foi recontada em dois filmes de sucesso em suas épocas (com tramas muito semelhantes):

Fonte: Wikipédia


Tags: Lúcio Aurélio Cômodo Antonino, Imperador Romano, Marcus Aurelius Commodus Antoninu






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