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22 de janeiro de 1980.

O dissidente soviético Andrei Sakharov foi banido para Gorki


Andrei Dmitrievich Sakharov (Moscou, 21 de Maio de 1921 - Moscou, 14 de Setembro de 1989) foi um importante físico nuclear da extinta União Soviética. Recebeu o Prêmio Nobel da Paz em 1975 por seu projeto de defesa dos direitos humanos na União Soviética.

No dia 22 de janeiro de 1980, o cientista e dissidente soviético Andrei Sakharov foi banido para Gorki, na União Soviética. Em 1970, ele havia participado da criação do Comitê de Direitos Humanos, e seus contatos com políticos e organizações ocidentais haviam ficado muito incômodos para a liderança soviética.

Naturalmente estou muito emocionado. Este passo tornou-se possível graças à grandiosa proteção internacional. Todos esses anos, fui defendido pelos colegas cientistas, políticos e simplesmente amigos, meus filhos e minha mulher. Estas foram as primeiras palavras de Andrei Sakharov ao desembarcar na estação ferroviária de Moscou, em 1986.

Mais de 100 jornalistas esperavam o famoso dissidente soviético no seu retorno de quase sete anos de desterro em Gorki (hoje Nizhni Novgorod). A libertação do físico nuclear ocorrera por ordem do então chefe do Partido Socialista Unificado (PSU), Mikhail Gorbatchov, que lhe havia comunicado a decisão por telefone. Gorbachov queria demonstrar ao mundo que seguia uma política diferente da de seus antecessores, que haviam mandado Sakharov para o isolamento de Gorki, a 22 de janeiro de 1980.

Tiro saiu pela culatra

Gorki, situada a 400 quilômetros de Moscou, era uma cidade proibida para os estrangeiros. Ao prender Sakharov, o promotor público lhe disse que seria desterrado para que não tivesse mais contato com correspondentes estrangeiros e seu nome sumisse da imprensa internacional. Devido à sua fama, os líderes comunistas não ousavam simplesmente confiná-lo – como faziam com outros dissidentes.

O plano da KGB (serviço secreto soviético), que organizou e vigiou o desterro para calar o cientista, não deu certo. Políticos ocidentais e intelectuais de todo o mundo exigiam a libertação de Sakharov. Um deles, o dissidente Lev Kopelev, lembra que, ao receber o telefonema de Gorbatchov, Sakharov imediatamente pediu a libertação de outros presos políticos.

A partir de 1988, Sakharov integrou a direção da Academia das Ciências e, em 1989, assumiu o mandato parlamentar na ala dos reformistas radicais do Congresso dos Deputados do Povo. A 14 de dezembro do mesmo ano, faleceu, aos 68 anos de idade, vítima de uma parada cardíaca.

Luta longa por justiça e democracia

Sakharov foi símbolo da coragem civil e da consciência russa. Destemido, lutou pela justiça e a democracia com cartas abertas, greves de fome e entrevistas à imprensa. Protestou contra o tratamento forçado de presos políticos em clínicas psiquiátricas e ergueu a voz contra a invasão das tropas soviéticas no Afeganistão.

Em 1968, pouco antes de as tropas do Pacto de Varsóvia reprimirem a chamada Primavera de Praga, Sakharov publicou suas Reflexões sobre Progresso, Co-existência Pacífica e Liberdade de Pensamento. Pouco depois, perdeu o emprego de físico. Por haver atuado no programa nuclear secreto, as autoridades soviéticas o impediram de viajar ao Ocidente. Embora nunca tivesse se filiado ao PSU, a direção do partido o distinguiu com altas condecorações e lhe concedeu inúmeros privilégios, nos anos 50 e 60.

Sakharov, no entanto, nunca foi subornável. Lutou contra a tecnologia militar atômica e se engajou na defesa do meio ambiente. Em 1970, criou em Moscou o Comitê Inoficial dos Direitos Humanos, baseado nos princípios das Nações Unidas. Em 1975, recebeu o Prêmio Nobel da Paz.

Fonte: Deutsche Welle

Tags: Banimento, banido, URSS, dissidente, Gorki






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