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Sexta-Feira, 13 de Fevereiro de 1883.

Morre Richard Wagner, compositor alemão

Richard Wagner em Munique, 1871.

Wilhelm Richard Wagner (Leipzig, 22 de maio de 1813 — Veneza, 13 de fevereiro de 1883) foi um maestro, compositor, diretor de teatro e ensaísta alemão, primeiramente conhecido por suas óperas (ou "dramas musicais", como ele posteriormente chamou). As composições de Wagner, particularmente essas do fim do período, são notáveis por suas texturas complexas, harmonias ricas e orquestração, e o elaborado uso de Leitmotiv: temas musicais associados com caráter individual, lugares, ideias ou outros elementos. Por não gostar da maioria das outras óperas de compositores, Wagner escreveu simultaneamente a música e libreto, para todos os seus trabalhos.

Inicialmente estabeleceu sua reputação como um compositor de trabalhos como Der fliegende Holländer e Tannhäuser, transformando assim as tradições românticas de Carl Maria von Weber e Giacomo Meyerbeer em um pensamento operístico de seu conceito de Gesamtkunstwerk. Isso permitiu atingir a síntese de todas as artes poéticas, visuais, musicais e dramáticas e foi anunciada uma série de ensaios entre 1849 e 1852. Wagner percebeu esse conceito mais plenamente na primeira parte do monumental ciclo de quarto partes da ópera Der Ring des Nibelungen. Entretanto, seus pensamentos sobre a importância da música e drama mudaram novamente e ele reintroduziu algumas formas tradicionais da ópera em seu último estágio de trabalhos, incluindo Die Meistersinger von Nürnberg.

Wagner foi o pioneiro em avanços da linguagem musical, tais como o cromatismo extremo e a rápida mudança dos centros tonais, que muito influenciou no desenvolvimento da música erudita europeia.


Tristão e Isolda, por Herbert Draper.

Sua ópera Tristan und Isolde é algumas vezes descrita como um marco do início da música moderna. A influência de Wagner vai além da música, é também sentida na filosofia, literatura, artes visuais e teatro. Ele teve sua própria casa de ópera, o Bayreuth Festspielhaus. Foi nessa casa que Ring e Parsifal tiveram suas premières mundiais e onde suas obras mais importantes continuam a ser produzidas até hoje, em um festival anual dirigido por seus descendentes. Sua extensa obra sobre música, drama e política tem atraído extensos comentários, em recentes décadas, especialmente onde existe o conteúdo antissemita.

Wagner conquistou tudo isso, apesar de viver até suas últimas décadas em exílio político, amores turbulentos, pobreza e fuga de seus credores. O impacto de suas ideias pode ser sentido em muitas artes do longo de todo o século XX.

Controvérsias

Richard Wagner escreveu alguns ensaios antissemitas e por essa razão, e pelo aspecto nacionalista de sua obra, sua imagem foi empanada no século XX pelo fato do nazismo tê-lo tomado como exemplo da superioridade da música e do intelecto alemães, contrapondo-o a músicos também românticos como Felix Mendelssohn, que era judeu. O ensaio mais polêmico foi Das Judentum in der Musik, publicado em 1850, no qual ele atacava a influência de judeus na cultura alemã em geral e na música em particular. Nesta obra descreve os judeus como: "ex-canibais, agora treinados para ser agentes de negócios da sociedade".


Página de título da segunda edição de Das Judentum in der Musik, publicada em 1869.

Segundo Wagner, os judeus corromperam a língua do país onde vivem desde há gerações. A sua natureza, continua Wagner, torna-os incapazes de penetrar a essência das coisas. A crítica era dirigida particularmente aos compositores judeus Giacomo Meyerbeer e Felix Mendelssohn, que eram seus rivais. Wagner insistia em defender que os judeus que viviam na Alemanha deveriam abandonar a prática do judaísmo e se integrar totalmente à cultura alemã. Apesar de, por essas razões, ser geralmente tachado de antissemita, Wagner sempre teve amigos e colaboradores judeus durante sua vida inteira.

Influência e legado

Wagner contribuiu significativamente para a arte e a cultura. Durante sua vida, o compositor inspirou devoção entre seus seguidores, gerando também um grupo de opositores. Entre os seguidores estão Anton Bruckner e Hugo Wolf, além de César Franck, Henri Duparc, Ernest Chausson, Jules Massenet, Alexander von Zemlinsky, Hans Pfitzner, entre outros. Gustav Mahler chegou a citar que "…existiu somente Beethoven e Wagner". A revolução harmônica do século XX de Claude Debussy e Arnold Schoenberg (Modernismo tonal e atonal, respectivamente) já foram associadas a Tristan.

O compositor também contribuiu para os princípios e a prática da regência. Seu ensaio Über Das Dirigiren (1869) evoluiu o trabalho de Hector Berlioz e propôs que a regência era uma forma de reinterpretação do trabalho musical, ao invés de um simples mecanismo de sincronia da orquestra. A tradição da regência que seguiu as ideias de Wagner incluiu artistas como Hans von Bulow, Arthur Nikisch, Wilhelm Furtwängler e Herbert von Karajan. Na área de óperas, Wagner realizou significativas mudanças nas condições de apresentação. Ele foi o primeiro a idealizar a diminuição das luzes do palco durante cenas dramáticas, e foi em seu teatro de ópera de Bayreuth onde se fez o uso da orquestra rebaixada pela primeira vez.

O compositor influenciou significativamente também a literatura e a filosofia. Friedrich Nietzsche faz parte do seu círculo de contatos durante a década de 1870, e seu primeiro trabalho publicado O Nascimento da Tragédia no Espírito da Música propôs a música wagneriana como o renascimento intuição e intoxicação na cultura europeia em oposição à decadência do racionalismo (usando como referência Dioniso e Apolo). No século XX, W. H. Auden considerou Wagner como talvez um dos maiores gênios, enquanto Thomas Mann e Marcel Proust receberam grande influência, e discutiam o autor em suas novelas. Entretanto, nem toda reação a Wagner foi positiva. Por um tempo, a música da Alemanha foi dividida entre os admiradores de Wagner e os de Johannes Brahms; este, com o auxílio do crítico Eduard Hanslick, adotava formas tradicionais e liderava um movimento conservador, contra as inovações de Wagner.

O conceito wagneriano do Leitmotiv teve grande influência em diversas trilhas sonoras do século XX, incluindo exemplos célebres como a música de John Williams para a série de filmes Star Wars. Na música popular, o heavy metal é considerado como tendo influência em diversos compositores, incluindo Wagner. A banda estadunidense de heavy metal Manowar dedicou a canção "The March" (sétima faixa de Warriors of the World) ao compositor. Já o alemão Klaus Schulze dedicou seu álbum Timewind (1975) à morte de Wagner. Ele também utilizou o apelido Richard Wahnfried em parte de sua discografia.

No cinema, versões adaptadas da Cavalgada das Valquírias foram usadas nos filmes Apocalypse Now, de Francis Ford Coppola, e Il mio nome è Nessuno, de Ennio Morricone. Esse trecho de Die Walküre é frequentemente usado como estereótipo da Grand Ópera. Foi lançado em 1983 um filme sobre a vida do compositor, Wagner.

Fonte: Wikipédia


Tags: Compositor, música clássica, Richard Wagner






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