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Sexta-Feira, 02 de Abril de 1983.

Morre Clara Nunes, cantora popular e sambista brasileira, vítima de uma cirurgia nas varizes

Clara Nunes

Clara Francisca Nunes Gonçalves Pinheiro, conhecida como Clara Nunes, (Cedro da Cachoeira, 12 de agosto de 1943 - Rio de Janeiro, 2 de abril de 1983) foi uma cantora brasileira, considerada uma das maiores intérpretes de samba do país.

Clara Nunes nasceu no interior de Minas Gerais, no distrito de Cedro da Cachoeira, à época pertencente ao município de Paraopeba e depois emancipado com o nome de Caetanópolis.

Trabalhava numa fábrica quando participou do concurso “A Voz do Ouro ABC”. Venceu a etapa mineira, obtendo terceiro lugar na final, em São Paulo, 1960. A partir daí, conseguiu emprego numa rádio belo-horizontina, a Rádio Inconfidência, onde ganhou um programa exclusivo na TV Itacolomi durante um ano e meio. Além disso, nesta época se apresentava em boates e casas noturnas de espetáculos da cidade onde viveu até 1964, quando se mudou para o Rio de Janeiro.

O primeiro LP gravado, A voz adorável de Clara Nunes (1966), apresentou um repertório de conhecidos boleros e sambas-canções, mas foi um fracasso comercial. Só começou a cantar samba a partir do segundo, Você passa eu acho graça, em 1968, cuja faixa-título, de Ataulfo Alves, foi o primeiro grande sucesso radiofônico, firmando-se como cantora desse gênero anos depois. O primeiro espetáculo realizado foi Sabiá sabiô, paralelamente à gravação do álbum Clara Clarice Clara, que trouxe canções de compositores de escola de samba e MPB, como Caetano Veloso e Dorival Caymmi, dedicando-se posteriormente ao partido alto com As forças da natureza (1977).

Com o LP Alvorecer de 1974 obteve grande sucesso com a canção Conto de areia (Romildo/ Toninho). Bateu índices recordes de vendagem, chegando a quinhentas mil cópias - feito nunca realizado anteriormente por uma mulher no Brasil - e rompendo com o tabu de que cantora não vendia discos e estimulou outras gravadoras a investir em sambistas mulheres (formou também o trio ABC do samba - Alcione, Beth Carvalho e a própria Clara, assim como deu visibilidade a sambistas mais veteranas, casos de Dona Ivone Lara, Jovelina Pérola Negra e Clementina de Jesus). Neste mesmo ano lançou o disco Brasileiro: profissão esperança, ao lado do ator Paulo Gracindo. Os discos que se seguiram a transformaram na maior intérprete de samba do Brasil. O disco seguinte Claridade (1975) vendeu ainda mais do que o anterior.

Alguns anos depois, pode-se observar um maior ecletismo no repertório, que incluiu baiões, baladas e até valsinhas, confirmando assim a grande versatilidade de intérprete, além das canções calcadas no tema da umbanda e candomblé, a religião, e por caractertísticas dela e por suas indumentárias características: vestidos longos brancos, colares e miçangas, de origem africana. Canções que exaltam a religiosidade são: A deusa dos orixás, Guerreira, Filhos de Gandhi, e outras.

Na voz de Clara Nunes foram consagradas as seguintes interpretações: Você passa eu acho graça, Conto de areia, Canto das três raças, Ê baiana, Tristeza pé no chão, Nação, Na linha do mar, Morena de Angola, O mar serenou, Guerreira, Ilu Ayê - Terra da Vida, Coração leviano, As forças da natureza, A deusa dos orixás, Macunaíma, Alvorada, Menino Deus, Feira de Mangaio, Portela na Avenida, Serrinha, Nação, Misticismo da África ao Brasil, Lama, Sem companhia, Filhos de Gandhi, Deixa clarear, Derramando lágrimas, dentre outras.

O álbum mais vendido foi Brasil Mestiço (1980) que ultrapassou a marca de um milhão de cópias vendidas. Clara tem no acervo mais de dezoito discos de ouro e é lembrada com muito carinho pelos brasileiros.

Ela morreu na madrugada de 2 de abril de 1983, prematuramente, aos 40 anos (incompletos), depois de vinte e oito dias em coma: no princípio de março, ela se internou na Clínica São Vicente, no bairro da Gávea, no Rio de Janeiro, onde se submeteu a uma simples operação de varizes na perna esquerda, por motivo de fortes dores que sentia ao dançar. Sofreu parada cardíaca e paralisação da atividade cerebral, por falta de oxigenação, vítima de um choque anafilático ou de um erro médico.

O corpo foi velado na quadra da Escola de Samba Portela - uma de suas paixões - e sepultado no Cemitério São João Batista, em meio a muita emoção dos fãs, cantores e parentes, numa tristeza coletiva poucas vezes vista no Brasil.

A cantora Alcione lhe dedicou um disco, como grandes amigas que eram, gravando músicas de seu repertório. O álbum, lançado em 1999, foi batizado de Claridade. Foi casada com o poeta e letrista Paulo César Pinheiro a partir de 1975, de quem gravou diversas composições.

Fonte: Wikipédia


Tags: Cantora, música, sambista, Clara Nunes






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