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Domingo, 09 de Abril de 1948.

“Massacre de Deir Yassin”: cerca de 254 civis palestinos, grande parte constituída por crianças, mulheres e idosos são assassinados por um grupo paramilitar judeu num vilarejo a oeste de Jerusalém


Quem visita Israel hoje precisa procurar muito para encontrar vestígios de antigos povoados árabes. Em geral, trata-se de ruínas já cobertas por capim. Na guerra de 1948, 400 povoados palestinos foram destruídos e seus moradores expulsos. Lugarejos que existem apenas em mapas antigos.

Cerca de 700 mil palestinos foram expulsos de suas casas, algo atualmente reconhecido por historiadores israelenses como um processo sistemático de banimento ou deportação, com inegável uso de violência e terror.

Um dos símbolos deste processo foi Deir Yassin, uma localidade a oeste de Jerusalém. O vilarejo de 610 habitantes também serviu de refúgio para outras centenas de pessoas que tentavam escapar dos conflitos entre judeus e árabes. Como ficasse no território do futuro Estado Palestino, havia selado um acordo de boa vizinhança com os vizinhos judeus.

Fim do sonho de dois Estados

Em 29 de novembro de 1947, as Nações Unidas haviam decidido criar um Estado palestino e um israelense, sendo que Jerusalém seria internacionalizada. O Reino Unido anunciou a disposição de desistir de seu mandato sobre a Palestina. Mas o mundo árabe rejeitou a divisão. Também círculos nacionalistas radicais judeus não concordavam, por temer o avanço árabe.

À medida em que se aproximava a data da retirada definitiva dos britânicos da Palestina, em 15 de maio de 1948, a situação ficou cada vez mais tensa e as manifestações se ampliaram, muitas vezes seguidas de conflitos armados.

Dois grupos judeus clandestinos arquitetaram um plano insidioso. O Irgun, do posterior primeiro-ministro Menachem Begin, e o Lehi: expulsar os palestinos que morassem no futuro território israelense.

O primeiro povoado escolhido foi Deir Yassin, invadido por 120 terroristas na madrugada de 9 de abril de 1948. Testemunhas oculares relatam que eles dispararam as armas imediatamente. Viaturas com alto-falantes, a convocarem a população à retirada, nem chegaram a circular.

Às 11 horas da manhã, o lugarejo estava tomado. Os terroristas começaram a ir de casa em casa para assassinar seus moradores, fossem crianças, mulheres ou idosos. A maioria dos homens a esta altura já tinha fugido.

Somente à tarde, quando os moradores judeus ortodoxos começaram a retornar do trabalho e a contar que os demais habitantes sempre foram pacíficos, o massacre teve um fim. 250 sobreviventes foram transportados de caminhão e descarregados no lado árabe de Jerusalém.

Deir Yassin simplesmente deixou de existir. Embora as lideranças do movimento clandestino judeu Hagana tenham condenado o massacre, nada aconteceu com os responsáveis.

Fonte: Deutsche Welle



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