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07.05.2012 | Opinião

De olho neLLes

De olho neLLes

Nós, brasileiros, somos um povo que leva muita coisa séria na brincadeira. Assuntos que em qualquer outro lugar do mundo são considerados graves e causam crises e punições severas aos envolvidos, por aqui são desconsiderados ou viram chacota.

Indignamo-nos com atos de corrupção ou abuso de poder cometidos por agentes públicos, mas acabamos coniventes com a falta de punição aos envolvidos nestes descalabros e geralmente varremos estes escândalos para baixo do tapete e acusando a imprensa de sensacionalista e mentirosa. Aliás, uma especialidade dos detentores do poder.

Vamos a um pouco de história para comprovar a necessidade da imprensa livre estar de olho neLLes, os detentores do poder.

O “Caso Watergate” consta, sem dúvida alguma, entre os maiores escândalos da história da política mundial. Para quem não lembra, este episódio levou a renúncia do 37° presidente dos Estados Unidos da América, Richard Milhous Nixon.

O caso teve origem, quando no sábado, 17 de junho de 1972, a sede do Partido Democrata, localizada no edifício Watergate, em Washington, foi invadida por cinco homens que tentavam fotografar documentos e colocar microfones e outros equipamentos de espionagem no local.

No dia seguinte, em 18 de junho de 1972, o conceituadíssimo jornal The Washington Post estampava na primeira página um assalto ocorrido no dia anterior na sede do Comitê Nacional do Partido Democrata,  no Complexo Watergate, na capital dos Estados Unidos.

Começava assim a que é considerada a maior investigação jornalística do século XX protagonizada por Bob Woodward e Carl Bernstein, repórteres do Washington Post, que lançaram-se numa minuciosa investigação no já chamado Caso Watergate. Durante muitos meses, os dois repórteres estabeleceram as ligações entre a Casa Branca e o assalto ao edifício de Watergate.

Bob e Carl tiveram como informante uma pessoa conhecida apenas por “Garganta Profunda” (Deep Throat) que revelou que o presidente sabia das operações ilegais. Ele se chamava William Mark Felt, que chegou a ser o segundo em comando no FBI. É de sua autoria a frase “Follow the Money”, “sigam o dinheiro”, que levaram as investigações ao “Salão Oval” da Casa Branca.

Nixon teve um governo marcante que entrou para a história pela negociação da retirada das forças dos Estados Unidos durante a Guerra do Vietnã, por ter aproximado seu país da República Popular da China, e por sua viagem a Moscou, onde deu impulso às negociações com a União Soviética sobre a redução de armamentos no planeta.

Mas este presidente norte-americano será mais lembrado por seu envolvimento num dos maiores escândalos políticos da história e sua renúncia pouco antes da votação da cassação de seu mandato.

Na noite de 8 de agosto de 1974, ele dirigiu um discurso pela televisão revelando sua intenção de renunciar no dia seguinte para evitar o impeachment. 

O trauma político causado por este episódio foi enorme, levando os norte-americanos a eleger posteriormente um candidato religioso e muito apegado a valores morais: Jimmy Earl Carter.

O resultado final do escândalo é conhecido por todos. No dia 9 de agosto de 1974, quando várias provas já ligavam os atos de espionagem e escutas ao Partido Republicano, Richard Nixon renunciou à presidência da nação mais poderosa do mundo.


O escândalo que derrubou Nixon também foi retratado no filme Todos os Homens do Presidente dirigido por Alan J. Pakula, que obteve 4 Oscars. Os atores Robert Redford e Dustin Hoffman representaram os jornalistas do Post Bob Woodward e Carl Bernstein respectivamente.

Lembro estes fatos para demonstrar o quão vigilantes devemos estar em relação aos abusos do poder e lembrar a importância de uma imprensa livre que transformou o Caso Watergate num símbolo contra os abusos do poder.

Em 7 de maio de 1973, o jornal The Washington Post  recebeu o Prêmio Pulitzer por sua investigação no escândalo Watergate.

Criado em 1917 e administrado pela Universidade de Colúmbia em Nova Iorque, o “Pulitzer” é outorgado a pessoas que realizem trabalhos de excelência na área do jornalismo, literatura e música. 





Opinião do internauta

  • Claudia (07.05.2012 | 09.51)
    Não tenho esperanças em um povo que só se reune para protestar na marcha da maconha e na passeata gay.

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