Últimas notícias

Comentários

RSS
14.05.2012 | Opinião

A imprensa acende a luz

A imprensa acende a luz

A reportagem-bomba da revista Veja (edição 2269) que chegou às bancas neste sábado (12/05/2012), faz uma devassa nos bastidores do PT, partido que quando na oposição tinha um comportamento completamente diverso do que preconiza hoje.

Aos brados de “Fora FMI”, “Fora FHC” e “Chega de Corrupção”, defendia a criação de CPI’s para tudo e contra todos. As provas não precisavam existir. Bastava a “simples” suspeita ou a criação de algum boato para servir de arma contra o governo.

Na oposição, o Partido dos Trabalhadores era mestre neste tipo de artimanha, conseguindo que permaneçam até hoje “como verdades” muitas de suas “invenções”. Invenções estas que atingiram até mesmo seus grandes aliados do presente, tais como José Sarney, Fernando Collor e Renan Calheiros.

Este título da edição desta semana da Revista Veja, não poderia ser melhor: A Imprensa Acende a Luz!

A revista lembra o art. 220 da Constituição Federal do Brasil, que é extremamente importante, pois preconiza sem meias palavras:

Art. 220 - A manifestação do pensamento, a criação, a expressão e a informação, sob qualquer forma, processo ou veículo, não sofrerão qualquer restrição. Nenhuma lei conterá dispositivo que possa constituir embaraço à plena liberdade de informação jornalística em qualquer veículo de comunicação social. É vedada toda e qualquer censura de natureza, política, ideológica e artística.

Mas a Revista do Grupo Abril, que é dirigido por Roberto Civita, não é a única a sofrer ameaças e pressões, nem tampouco está só nesta luta pela defesa do direito à informação.

O jornal O Globo publicou, na terça-feira (8/5), um editorial defendendo Roberto Civita das acusações que envolvem o nome do empresário aos escândalos de Carlos Cachoeira. Intitulado "Roberto Civita não é Rupert Murdoch", o texto fala, entre outras coisas, que veículos de comunicação que "atuam como linha auxiliar de setores radicais do PT desfecharam uma campanha organizada contra a revista Veja".

Ricardo Noblat, colunista do Jornal “O Globo”, publicou em seu Blog, também no dia 8 de maio passado, o seguinte:

Blogs e veículos de imprensa chapa branca que atuam como linha auxiliar de setores radicais do PT desfecharam uma campanha organizada contra a revista "Veja", na esteira do escândalo Cachoeira/Demóstenes/Delta.

A operação tem todas as características de retaliação pelas várias reportagens da revista das quais biografias de figuras estreladas do partido saíram manchadas, e de denúncias de esquemas de corrupção urdidos em Brasília por partidos da base aliada do governo.

É indisfarçável, ainda, a tentativa de atemorização da imprensa profissional como um todo, algo que esses mesmos setores radicais do PT têm tentado transformar em rotina nos últimos nove anos, sem sucesso, graças ao compromisso, antes do presidente Lula e agora da presidente Dilma Roussef, com a liberdade de expressão.

A manobra se baseia em fragmentos de grampos legais feitos pela Polícia Federal na investigação das atividades do bicheiro Carlinhos Cachoeira, pela qual se descobriu a verdadeira face do senador Demóstenes Torres, outrora bastião da moralidade, e, entre outros achados, ligações espúrias de Cachoeira com a construtora Delta.

As gravações registraram vários contatos entre o diretor da Sucursal de "Veja" em Brasília, Policarpo Jr, e Cachoeira. O bicheiro municiou a reportagem da revista com informações e material de vídeo/gravações sobre o baixo mundo da política, de que alguns políticos petistas e aliados fazem parte.

A constatação animou alas radicais do partido a dar o troco. O presidente petista, Rui Falcão, chegou a declarar formalmente que a CPI do Cachoeira iria "desmascarar o mensalão".

Aos poucos, os tais blogs começaram a soltar notas sobre uma suposta conspiração de "Veja" com o bicheiro. E, no fim de semana, reportagens de TV e na mídia impressa chapas brancas, devidamente replicados na internet, compararam Roberto Civita, da Abril, editora da revista, a Rupert Murdoch, o australiano-americano sob cerrada pressão na Inglaterra, devido aos crimes cometidos pelo seu jornal "News of the World", fechado pelo próprio Murdoch.

Comparar Civita a Murdoch é tosco exercício de má-fé, pois o jornal inglês invadiu, ele próprio, a privacidade alheia.

Quer-se produzir um escândalo de imprensa sobre um contato repórter-fonte. Cada organização jornalística tem códigos, em que as regras sobre este relacionamento — sem o qual não existe notícia — têm destaque, pela sua importância.

Como inexiste notícia passada de forma desinteressada, é preciso extremo cuidado principalmente no tratamento de informações vazadas por fontes no anonimato.

Até aqui, nenhuma das gravações divulgadas indica que o diretor de “Veja” estivesse a serviço do bicheiro, como afirmam os blogs, ou com ele trocasse favores espúrios. Ao contrário, numa das gravações, o bicheiro se irrita com o fato de municiar o jornalista com informações e dele nada receber em troca.

Estabelecem as Organizações Globo em um dos itens de seus Princípios Editoriais: "(...) é altamente recomendável que a relação com a fonte, por mais próxima que seja, não se transforme em relação de amizade. A lealdade do jornalista é com a notícia".

E em busca da notícia o repórter não pode escolher fontes. Mas as informações que vêm delas devem ser analisadas e confirmadas, antes da publicação. E nada pode ser oferecido em troca, com a óbvia exceção do anonimato, quando necessário.

O próprio braço sindical do PT, durante a CPI de PC/Collor, abasteceu a imprensa com informações vazadas ilegalmente, a partir da quebra do sigilo bancário e fiscal de PC e outros.

O "Washington Post" só pôde elucidar a invasão de um escritório democrata no conjunto Watergate porque um alto funcionário do FBI, o "Garganta Profunda", repassou a seus jornalistas, ilegalmente, informações sigilosas.

Só alguém de dentro do esquema do mensalão poderia denunciá-lo. Coube a Roberto Jefferson esta tarefa.

A questão é como processar as informações obtidas da fonte, a partir do interesse público que elas tenham. E não houve desmentidos das reportagens de "Veja" que irritaram alas do PT.

Ao contrário, a maior parte delas resultou em atitudes firmes da presidente Dilma Roussef, que demitiu ministros e funcionários, no que ficou conhecido no início do governo como uma faxina ética.

Este editorial de O Globo foi ao ponto crucial: "É indisfarçável a tentativa de atemorização da imprensa" por parte de algumas alas governistas que se sentem acuadas com a fiscalização por parte dos órgãos de imprensa.

Aliás, é bom lembrar que este tipo de atitude não é criação dos “hoje detentores do poder”. Desqualificar e atemorizar a imprensa possui uma escola histórica que passa pelas ditaduras e até mesmo pelas tão propaladas democracias.

Na semana passada, em minha coluna intitulada “De olho neLLes”, lembrei o “Caso Watergate”, denunciado pelo jornal norte-americano Washington Post, que foi perseguido pelo governo de Richard Nixon durante todo o período da investigação deste escândalo que levou à renúncia do então mais poderoso mandatário do planeta, o presidente dos Estados Unidos da América.

Os repórteres do Washington Post, Bob Woodward e Carl Bernstein, lançaram-se numa minuciosa investigação que estabeleceu as ligações entre a Casa Branca e o assalto ao edifício de Watergate.

Bob e Carl tiveram como informante (fonte) uma pessoa conhecida apenas por “Garganta Profunda” (Deep Throat) que revelou que o presidente sabia das operações ilegais. Ele se chamava William Mark Felt, que chegou a ser o segundo em comando no FBI. É de sua autoria a frase “Follow the Money” (sigam o dinheiro), que levaram as investigações ao “Salão Oval” da Casa Branca.

Follow the Money, “sigam o dinheiro”. Agindo assim, Veja e outros veículos de comunicação, além da Polícia Federal e do Ministério Público, estão conseguindo chegar aos corruptos que se locupletam com os recursos públicos.

Agora só falta colocar esta turma na cadeia e não permitir a sua vitimização, como já tentam fazer com os mensaleiros.

Se não tivermos cuidado os “mui amigos” de Marcos Valério podem acabar sendo canonizados.





Opinião do internauta

  • sergio silveira (21.05.2012 | 11.04)
    Sr. Editor: Replicar posições de interesse exclusivos da direita desse país - Rede Globo, Veja, Estadão que como nos anos de chumbo marcavam constantemente o medo, pânico da tomada eminente dos comunistas no Brasil, certo? O partido comunista era fagulha microscópica na política brasileira, mas essas organizações "monopolios de mídias" pintavam o grande risco, o imediatismo do comunismo no Brasil, como justificativa de cercear as liberdades individuais. O resultado ... ditadura, abonado pelas benéfices da nossa gloriosa direita, que de oposição ao regime ao qual eram coniventes, só confete e fofoquinhas de pseudos órgãos que faziam a resistência. Agora esses mesmos órgãos de imprensa, pseudo imprensa séria, que detém monopólios de concessões de multi-mídias (conquistas monopolíticas licenciadas pela ditadura, por bom comportamente e parceiros ideais), tentam fazer o mesmo jogo, ou seja, que estão fazendo o cerceamento das liberdades de imprensa. Única coisa que o projeto da livre imprensa prega é que A IMPRENSA NÃO PODE ESTAR NAS MÃOS DE UM GRUPO POLÍTICA, NÁO PODE SER CONCEDIDO (CONCESSÕES QUE SÃO DADAS PELO ESTADO) MAIS E MAIS CONCESSÕES DE EXPLORAÇÃO A GRUPOS QUE JÁ SÃO PRATICAMENTE MONOPÓLIOS ABSOLUTOS DE COMUNICAÇÃO. Esse ponto é o dodoi da ultra direita monopolio de comunicações, que se vitimam agora a todo instante como se a qualquer momento são impedidos de se manifestar. É a tática do medo imposta, para que não se mecha nesse estatus quo formado e financiado pela ditadura militar que proporcionou esses complexos de Mídia - Multi-midia Absolutita. Tuas posições políticas não conheço Sr. Editor, agora negar ou achar que posições assumidas por esses grupos MONOPÓLIOS são sérias é uma SANTA INGENUIDADE ou um pragmatismo político muito duvidoso. O besterol do suposto cerceamento da mídia (mídia deles) alencadas por essa revista é deveras muito fraca. Eles botaram o caçador de marajas, lembra. Eles tiraram, lembra?? Ou seja, eles botam e tiram a hora que quiserem. Isso é monopolío de comunicações - Organizações Globo, Organizações Civita. Editor ingênuo ou insestuoso?? Sou de esquerda, pois até o momento a esquerda (ou pouco esquerda) fez distribuição de renda e acesso aos mais necessitados que toda a direita não fez e nunca fará por esse povo tão sofrido.

    Réplica:

    Esta é sua opinião que respeito, mas não concordo. Nunca esqueçamos as sábias palavras de George Orwell: "Quem controla o passado, controla o futuro. Quem controla o presente, controla o passado". Um Estado que quer controlar a imprensa dá um primeiro passo rumo à ditadura.

  • sergio silveira (15.05.2012 | 12.27)
    Desculpe mas esse editor é completamente parcial de ultra direita. Negar que o pasquim VEJA seja um veículo da direita e somente a serviço do status quo de personas da direita é querer negar o óbvio. O Pasquim Veja é uma ofença ao bom senso. A eles só e somente só divulgam fatos que venham ao encontro de ofensa ao PT. É um ranso, inveja absoluta, pois o PT não é santo, é formado por pessoas e logicamente não são perfeitos. Apesar de tudo o PT fez e está fazendo muito, muito mais que todos esses anos de governo Geisel, Figueiredo, Sarney, FHC. Esse último, icone da direita disfarçado de centro esquerda, fizeram tanto mal para a sociedade brasileira e ainda gestionam buscar, novamente o poder. Negar que a VEJA, GLOBO E ESTADO DE SÃO PAULO, sejam monopólios da direita - a serviço exclusivo da direita, é querer negar o óbvio.

    Réplica:

    Parcial e de ultra-direita! Eu? Não conheces minhas origens e por quem milito. Um detalhe importante e que deve ser lembrado. Ninguém é santo nesta história. Quando na oposição a Veja era séria, agora que o PT está no governo não é mais??? É sempre assim. Na ditadura era assim, a culpa é da imprensa e de editores de ultra-direita como eu (sic)!!!

  • David Gimenes (14.05.2012 | 22.32)
    Comparar um criminoso, como o Cachoeira com um alto funcionário do FBI, como fonte é um disparate. Perdi minutos preciosos do meu tempo apenas para saber o que diz quem lê e acredita na Veja. É interessante saber que existe gente que realmente acredita no que a Globo fala.

  • Luis Enrique (14.05.2012 | 13.22)
    Liberdade de imprensa é bom, e absolutamente necessária. Mas não foi a revista Veja que detonou a Ibsen Pinheiro, mesmo tendo recebido provas da sua inocência? A revista Veja não me oferece nenhuma confiança, precisa dos escândalos para vender, e a minha impressão é que as vezes termina acusando sem provas consistentes; a mesma coisa que tu está criticando nessas publicções do PT

    Réplica:

    Publicações do PT e de qualquer outro envolvido nos escândalos que roubam o que é da sociedade. Prá mim não interessa o "P".

  • Silvia Luiza Lakatos Varuzza (14.05.2012 | 11.51)
    Excelente explanação, perfeita abordagem. Parabéns.

    Réplica:

    Grato pelo apoio.

  • Luis Enrique (14.05.2012 | 08.40)
    Liberdade de imprensa é bom, e absolutamente necessária. Mas não foi a revista Veja que detonou a Ibsen Pinheiro, mesmo tendo recebido provas da sua inocência? A revista Veja não me oferece nenhuma confiança, precisa dos escândalos para vender, e a minha impressão é que as vezes termina acusando sem provas consistentes; a mesma coisa que tu está criticando nessas publicções do PT

Deixe sua opinião

Datas anteriores:

Comemoramos hoje - 20.06

  • Dia Mundial do Refugiado
  • Dia do Revendedor
  • Dia de São Adalberto
  • Dia do Anjo Pahaliah

Agenda do dia - 20.06

  • 18:00 às 00:00 Jantar no BOX 21 - Rua Carlos von Koseritz, 304 - reservas (51) 3325-5121
  • 22:30 às 23:00 Programa PontoNet (inédito) na POATV Canal 6 da Net em Porto Alegre