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RSSTortura pode?
Em 17 de novembro de 2010 eu escrevia um artigo que reproduz a escalada da violência e a falta de respeito à vida que continuamos a assistir em nosso país.
Com o título de “Por que os bandidos matam?”, eu reproduzia uma assustadora, atual e real, matéria de capa da revista Veja (edição 2191 de 17/11/2010).
O texto falava dos presos mais perigosos no Brasil, assassinos e latrocidas dos mais violentos, apresentando as razões pelas quais eles justificam sua violência. Os relatos de 40 assassinos confessos são impressionantes.
A frieza, crueldade e selvageria que levaram aos assassinatos são de assustar.
Esta escória, produto de nossa sociedade alienada, mata por nada, por banalidades. Eles sabem que se forem presos, passado pouco tempo estarão livres barbarizando novamente.
Está mais que provado que quem tem “direitos humanos” em nosso país são os bandidos, que são vitimados pelos intelectualóides (sic) de plantão. Ou seja, os honestos viram reféns de um Estado despreparado, onde a bandidagem tem direito de roubar e matar e nós, suas vítimas, nem mesmo o direito de chorar nossos mortos.
O Estado brasileiro faliu no que tange à proteção da sociedade, o que não mais me surpreende.
É duro admitir, pois a minha consciência ainda me reprimia, mas devemos rever as penas em nosso país, tais como a prisão perpétua, trabalhos forçados e até mesmo a pena capital, a execução por parte do Estado de pessoas que não podem ser chamadas de seres humanos.
Esta é constatação que chegamos e vai ao encontro do pensamento de muitos brasileiros que responderam a uma pesquisa do Núcleo de Estudos da Violência da Universidade de São Paulo (USP) que mostra que quase metade dos brasileiros concorda com o uso de tortura para obtenção de provas nos tribunais.
É isso mesmo, TORTURA. O levantamento, feito em 2010, utilizou a frase “os tribunais podem aceitar provas obtidas através de tortura” e obteve discordância de 52,5% dos entrevistados, contra 71,2% em 1999, ou seja, muita gente mudou de ideia e já aceita a tortura como forma de obter informações de presos.
Para a coordenadora da pesquisa, professora Nancy Cardia, o desapontamento da população com a eficiência da Justiça e das polícias em esclarecer crimes mais graves pode explicar o aumento da aceitação do uso de tortura para obtenção de provas.
“Existe uma frustração com o desempenho do nosso sistema de Justiça. Ao longo desse período, de 1999 a 2010, houve um crescimento brutal da população prisional, mas não necessariamente estão nas prisões as pessoas que cometeram os crimes que produzem mais medo na população”, disse.
A pesquisa aponta que, para a maioria dos entrevistados, a polícia deve “interrogar sem violência”. No entanto, aproximadamente um terço dos pesquisados concorda que a polícia, para obter informações sobre crimes, submeta suspeitos a meios extralegais como: “ameaçar com palavras”, ”bater”, “dar choques ou queimar com ponta de cigarro”, “ameaçar membros da família” e “deixar sem água ou comida”.
O uso de algum tipo de violência é mais aceito para suspeitos de delitos como estupro (43,2%), tráfico de drogas (38,8%), sequestro (36,2%), uso de drogas (32,3%) e roubos (32,1%). Estes suspeitos poderiam receber um pior tratamento durante a investigação policial, na opinião dos pesquisados. O levantamento mostra que quanto mais jovem o entrevistado, maior parece ser a tendência em apoiar o uso de práticas de tortura.
De modo geral, os entrevistados continuam desaprovando o uso de força pela polícia. Porém caiu, no período de 1999 a 2010, os que “discordam totalmente” que a polícia pode: “invadir uma casa” (de 78,4% em 1999 para 63,8% em 2010), “atirar em um suspeito” (de 87,9% para 68,6%), “agredir um suspeito” (de 88,7%, para 67,9%) e “atirar em suspeito armado” (de 45,4% para 38%).
A incompetência do Estado em conter a ação dos criminosos começa a mudar nossa aceitação do velho ditado do “olho por olho, dente por dente”.
Se começamos a aceitar estes atos de violência cometidos por agentes do Estado, falta muito pouco para que aceitemos abertamente que se faça justiça com as próprias mãos.
É o velho “olho por olho, dente por dente”.
Opinião do internauta
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mlton honorio de oliveira (09.06.2012 | 12.14)
A pesquisa mostra que o povo está cansado de receber a violência, diária de bandidos (que ficam impunes).Somos contra a violência pela violência em si, mas há situações em que, infelizmente, ela se impõe. Imaginemos o sequestro de um ente querido e é preso um dos bandidos que nega-se a falar(só em juizo !) sobre o local do cativeiro. Se a decisão só dependesse de nós, qual seria? -
Rivadávia Rosa (06.06.2012 | 14.06)
Sabemos que o motor da criminalidade é a imitação alentada pela impunidade a que se soma a idéia de abandono, deterioração, degradação, desinteresse e ruptura do código de convivência civilizada. Aà entra o ‘vale tudo’. Porém, é comum e falaciosa – a afirmação de que a causa do delito é a pobreza. Nisso coincidem desde certa direita dominada, à s simplificações reducionistas da esquerda. A questão não é a pobreza, mas os fenômenos psicossociais (psicológicos e sociológicos) que sustentam as relações sociais a que se agregam as disposições criminosas de tipo individual e as condições de desordem e degradação pública, provocada e estimulada pelo experimento socialista, vulgarmente conhecido como comunista que estamos vivendo ao vivo e em cores fúnebre. O fato é que a contenção com mais eficácia do crime se faz pela repressão desde a desordem, o descuido, à anomia social em suas pequenas raÃzes – o que cria as condições de possibilidade para a repressão das infrações de maior potencial ofensivo, o crime organizado, em suas associações ilÃcitas e bando de narcotraficantes, piratas (de asfalto, estradas, navios), seqüestradores... Não se trata de ‘mão dura’ – mas de singelo cumprimento da lei penal – com uma polÃtica clara e firme de Estado para preservar a saúde social, sem vistas grossas aos abusos e prepotência inclusive policial. O rigor é da lei contra o crime não contra a pessoa. RESUMO jus-filosófico: "Quem dá a cada um o que lhe pertence porque conhece a verdadeira e necessária razão das leis age em constante acordo consigo mesmo e por seu próprio decreto, não por decreto alheio: ele merece, pois, ser reconhecido como justo." BARUCH SPINOZA, in Tratado Teológico-PolÃtico -
Rudi Maria Cristani (06.06.2012 | 08.47)
Bom Dia. Tema polemico e de difÃcil opinião. No transcorrer dos tempos mudei minha opinião a respeito por várias vezes. Infelizmente, vivemos num Estado falido em todas as áreas, reorganizá-lo em todos os aspectos seria a idéia principal. Fica a duvida por onde começar e quem tem competencia para tanto? Quanto à tortura negativo, pois já vivemos num regime de torturas e sobre pressão diariamente. Renovar, reorganizar e mudanças radicais imediatas é a sugestão.
















